Jornal dos Desportos

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Girabola

Imparveis

Paulo Caculo - 09 de Maio, 2016

A vitria dos rubro negro com dois golos de Gelson confirmaram o bom momento que a equipa atravessa rumo a conquista do campeonato nacional e quebrar o jejum

Fotografia: Santos Pedro

Três bons golos e uma grande exibição coroaram a vitória do 1º de Agosto, ontem, no estádio 11 de Novembro, diante do 1º de Maio, em desafio referente à décima primeira jornada do Girabola Zap. O resultado, esse (3-1), ajusta-se, perfeitamente ao labor patenteado pelas equipas ao cabo dos 90 minutos regulares.  Embalado pela liderança o estado anímico que norteia a equipa, não demorou para que os militares tomassem as rédeas do jogo e assumissem o domínio territorial da partida.

E, perante um conjunto adversário que entrou a adormecido, talvez pela demora do início da partida, que começou com 30 minutos de atraso, por fraca iluminação, os anfitriões precisaram de apenas três minutos para adiantar-se no marcador. O golo de Gelson, diga-se, em abono da verdade, é uma obra rara de arte e engenho. O menino 'prodígio' do 1º de Agosto fez a bola passar por cima da cabeça do guarda-redes do Maio, antes de beijar as redes...arte de génio.

 Com o golo sofrido de forma madrugadora, os proletários viram-se obrigados a acordar no jogo. A turma as ordens de Finda Mozer teve bons quinze minutos, tendo deixado nesse período a imagem de uma equipa organizada, a trocar bem a bola e a criar jogadas de perigo, que pudessem provocar calafrios a baliza de Dominique. Pese a vontade e querer de chegar ao golo da igualdade, faltava quase sempre calma, eficácia e serenidade ao ataque do Maio para concluir com êxito as jogadas. A única grande situação clara de golo iminente teve a autoria de Massinga, aos 18', com a bola a levar a sensação de golo.

Dada a postura descomplexada, chegou-se a acreditar que os proletários fossem chegar ao golo nessa altura. Mas, debalde. Após a passagem do minuto 20 voltou a pertencer aos militares o domínio da partida, com o tridente formado por Gelson, Nelson e Geraldo a deixar a defesa adversária à toa e incapaz de reagir às  adversidades.

Dada a grande dinâmica imposta ao seu futebol, os militares chegaram ao segundo golo, com naturalidade, por intermédio de Geraldo, numa jogada de belo efeito e de perfeita execução.  A vencer por 2-0, dir-se-ia que os1º de Agosto "estancou a hemorragia" que se fazia sentir no meio-campo do seu opositor e tomaram de assalto à baliza contrária. A dada altura, o relvado parecia totalmente inclinado para à baliza do Maio, que viu chegar o intervalo a sofrer enorme pressão. 

Mas quem pensou que os visitantes reentrassem na segunda parte conforme deixou os primeiros 45 minutos acabou redondamente enganado. Os proletários apresentaram-se muito mais atrevidos e mais incómodos a criar situações ofensivas. E foi numa destas jogadas de pressão alta junto à área do D'Agosto que os forasteiros reduziram a desvantagem, aos 52', num cabeceamento forte e colocado de Filipe, sem hipóteses para o keeper Dominique.

Tal como se esperava, após o golo, o Maio passou a imagem de ter acreditado muito mais no empate, pois, tal era a postura altamente ofensiva adoptada e as inúmeras vezes que Massinga e Filipe incomodavam os centrais do d’Agosto. O jogo ganhou equilíbrio e passou a ser numa toada constante de ora atacas tu, ora ataco eu, que o desafio provocava enorme emoção e entusiasmo nas bancadas. 

À medida que o desafio embalava para o desfecho, muito mais frenético se tornava, com os militares a disporem das melhores ocasiões e os  proletários a ripostarem. Estava muito próximo do golo, quando os rubro e negro numa jogada de insistência e persistência na área de Léo o
central Edson trava com as mãos um remate forte de Gelson e o árbitro não teve dúvidas em assinalar o pênalti. O mesmo melhor marcador do Girabola, na transformação, não vacilou, bisou na partida e dilatou para três golos a vantagem. 

Com nove minutos para jogar, o Maio não teve mais pernas para igualar os números. Apesar de nunca ter baixado os braços e ter corrido atrás de mais golos, nem Massinga e muito menos Filipe foram capazes de redescobrir o caminho do golo. E como se não bastasse a falta de pontaria, Filipe ainda desperdiçou um pênalti, aos 89'.

Declarações dos Técnicos
"Boa exibição"

 
Filipe Zanza 1º de Agosto"Penso que precisamos de encarar cada jogo como autêntica final. Foi uma boa exibição, corrigimos a má exibição frente ao desportivo. Jogamos contra uma boa equipa, que lutou até ao fim e temos de dar os parabéns aos jogadores. É este D'Agosto que queremos, que seja, uma equipa regular"

 

"Sofremos golo cedo"
 
Finda Mozer 1º de Maio"
O 1º de Agosto jogou ao mais alto nível. Conseguimos lutar para evitar a derrota, mas sofremos um golo muito cedo, logo aos três minutos. Depois voltamos a sofrer mais um golo e após o intervalo a equipa lutou e marcou um golo, perdemos um pênalti, mas temos de dar os parabéns ao adversário"


ARBITRAGEM
Trabalho limpo


O trabalho do trio de arbitragem proveniente do Huambo e encabeçado por Rodrigues Aleixo não merece qualquer contestação. No pênalti assinalado, aos 67', o juiz do planalto central não teve dúvidas e quanto a nós com justiça. Técnica e disciplinarmente também esteve em bom nível, na medida em que cumpriu e fez cumprir as regras de jogo e puniu com amarelos as infracções as regras. Boa actuação.


A FIGURA
Gelson em grande nível


Se dúvidas houvessem em relação à qualidade individual de Gelson,  depois do que se viu ontem da sua actuação, o jovem sem muito esforço, mas com muita classe acabou por dissipar. O facto é que o jovem mostrou ontem, mais uma vez, estar endiabrado. Sempre que teve a bola nos pés e foi motivo de constante preocupação para a defesa do Maio. Jogou, fez jogar a equipa e ainda teve tempo para fazer dois golos, um dos quais de pênalti. Caso para dizer: Gelson de grande nível!