Jornal dos Desportos

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Girabola

Joo Ricardo e Akw criticam qualidade

Paulo Caculo - 22 de Setembro, 2018

Antigas estrela dos Palancas Negras avalia o ltimo Campeonato Nacional, cujo ttulo foi conquistado pelo 1 de Agosto

Fotografia: SANTOS PEDROL | Edies Novembro

A qualidade do Girabola Zap continua a não agradar algumas referências do futebol angolano. João Ricardo, antigo guarda-redes da Selecção  Nacional, e Fabrice Akwá, ex-capitão, dois protagonistas da inédita qualificação de Angola ao Campeonato do Mundo de 2006, disputado na Alemanha, defendem que a competição nacional deve melhorar em muitos aspectos, para atrair mais seguidores.
Os ex-futebolistas foram unânimes em afirmar ao Jornal dos Desportos não estarem, ainda, satisfeitos com os níveis de disputa da competição, sobretudo por ser pautada por períodos de altos e baixos, por um lado, e em virtude de ser muito pouco atractiva, por outro. 
\"Se não termos um campeonato atractivo, os feitos da Selecção também não podem ser atractivos. A desorganização, infelizmente, é a palavra de ordem e, por isso, estamos longe dos grandes sonhos. Temos de nos limitar ao pouco que temos e se não nos cuidarmos vamos deixar de o ter um dia\", adiantou-se a afirmar João Ricardo.
\"Não faço grandes avaliações, mas estamos longe de estar no bom caminho. O Girabola é pouco atractivo e o que impera não é a organização. Passam-se muitas coisas alheias ao futebol nacional, mas prefiro não adiantar muito mais. O pouco que vejo não me agrada e, por isso, deixei de acompanhar o Girabola\", asseverou o antigo «dono» da baliza dos Palancas Negras, para em seguida o ex-capitão acrescentar:
\"Tem sido um campeonato com altos e baixos e com alguns pontos negativos. A desistência do JGM, na última edição, acabou por manchar o campeonato, mas acabámos por remediar\", disse Fabrice Akwá.
Apesar de mostrar-se muito mais optimista em relação a João Ricardo, o ex-goleador da selecção considera ter assistido um campeonato onde, à excepção da situação ocorrida com o JGM do Huambo, teve períodos de boa disputa, onde, no seu entender, algumas equipas acabaram por surpreender, com destaque para a Académica do Lobito.
\"Para mim, a Académica fez um grande campeonato. Estávamos habituados a ver uma prova, onde a equipa do Lobito, normalmente, lutava para não descer de divisão. Mas, este ano, conseguiu fazer uma prova tranquila. Contudo, vamos esperar que o próximo campeonato seja melhor e as equipas que subiram de divisão, no meio do campeonato, não surjam com discursos de desistência, porque é mau para o futebol. Devem preparar-se bem e encontrar patrocinadores, para que tenham um orçamento capaz de aguentar a época toda\", referiu.
João Ricardo considera, por outro lado, que os grandes problemas do futebol nacional estão na organização e nas pessoas que dirigem a modalidade. Sugere, por isso, que se aposte muito mais na formação. Confessa ter sido obrigado a afastar-se do futebol, sobretudo, por ter notado que o mesmo foi-se degradando, depois que a selecção deixou o Mundial de 2006, na Alemanha.
\"Já ouvi falar-se em projectos de criação de Liga, mas, na minha opinião, só isso não resolve. Não temos qualidade e muito menos uma classe de dirigentes capazes de organizar um campeonato simples como é o Girabola, então não se pode ter capacidade de organizar uma Liga. Estamos muitos anos distante desta fase\", destacou com um sentimento melancólico.
Acrescentou que \"talvez com o tempo e, se as pessoas entenderem e terem vontade de evoluir para aí, se calhar a gente consiga ter sucesso. O futebol nacional, quer queiramos quer não, foi-se degradando desde que fomos ao Mundial de 2006. De lá para cá, lamentavelmente, nada é atractivo\", avaliou.
Dada a realidade actual, João Ricardo garante ainda que Angola tem um longo caminho a percorrer, para a melhoria do seu futebol. E, para tal, acrescenta, que a solução passa pela aposta nas camadas jovens e por uma dedicação aos jovens talentos com \"alma e coração\", porque acredita que o potencial angolano é enorme.
\"Vemos o exemplo de outros países com menos material humano, mas que conseguem ter grandes jogadores. Temos condições, mas não temos este sucesso. Há um longo trabalho e isso não passa pelos jogadores, mas pela classe de dirigentes, pois, eles é que mandam\", disse.
A finalizar, Fabrice Akwá fez questão de abordar também as polémicas em torno da arbitragem do Girabola. O ex-futebolista é de opinião que se critique menos os árbitros, porque são humanos e não estão susceptíveis de errar. 
\"Estamos todos sujeitos a errar, embora existam aqueles erros inadmissíveis, que por vezes parecem ser propositados e forçados, mas vamos fazer fé, que a próxima época seja melhor em termos de arbitragem. Quero apelar ao melhor desempenho dos árbitros no próximo campeonato e que não sejam sempre eles a notícia pelo lado negativo\", rematou o antigo goleador da Selecção Nacional.