Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

"Jogo em Cabinda feriu a verdade desportiva"

08 de Setembro, 2018

Domingos Antnio promete equipa ambiciosa para regressar ao Girabola Zap na poca 2019/2020

O considerado \"golo fantasma\", do jogo Sporting de Cabinda - Petro de Luanda, que terminou empatado a uma bola, não motivou o desfecho no topo do Girabola Zap 2018, mas feriu a verdade desportiva, no dizer do presidente do Domant FC.
\"Não é aquilo que causou o desfecho no topo (golo do Sporting), mas a verdade desportiva. Nos referimos à verdade desportiva, porque quer o Petro, quer o 1º de Agosto, são os maiores clubes de Angola. Todos nos revemos neles, por aquilo que já fizeram, mas por outro, não podem ser sempre os mesmos a serem carregados para o título, porque os outros também trabalham. Não diria, a formação do Domant FC  do Bengo, que está a dar os seus primeiros passos nessas andanças, mas é tão aborrecível para um dirigente desportivo ver que o maior impasse para o desenvolvimento do futebol está na arbitragem, pela falta de transparência\", disse.
Solicitado a melhor esclarecer  a falta de transparência que aponta, o líder do grémio do Bengo citou o jogo que a sua equipa disputou em Luanda, diante do Kabuscorp do Palanca. 
 \"Eu vou citar alguns jogos e se estou a mentir, podem  contradizer-me. O jogo diante do Kabuscorp nos Coqueiros. O Domant antes dos primeiros 15 minutos, 8 atletas tinham sido admoestado com o cartão amarelo e estávamos a jogar 11 contra 11. Então, 8 sem liberdade de movimento, nem de decisão e 3 apenas podiam fazer o jogo para o Domant?
Isso, não era possível. Qual é era a tendência do árbitro? Impedir que o Domant suplantasse o Kabuscorp do Palanca. Só não vê, quem não quer. Todos estamos a analisar os jogos e ver qual é a tendência, porque com um simples gesto,  escreve-se mil livros. É isso. O topo esteve difícil e decidiu-se no último minuto. Petro de Luanda e 1º de Agosto, cada uma das equipas estava em condições de ganhar o título\", rematou.

“Faltou-nos experiência e matreirice”

A direcção do Domant FC do Bula Atumba, equipa que este ano, mais uma vez, foi relegado à segunda divisão nacional, depois do sucedido em 2015 quando fez a estreia na primeira divisão, aprendeu bastante com as falhas da última época e promete uma formação mais forte competitivamente e coesa, para regressar ao Girabola Zap em 2019/2020, segundo o presidente e fundador do clube do Bengo, Domingo António, em entrevista ao Jornal dos Desportos. 
 De acordo com o proprietário do clube, faltou experiência e matreirice no momento certo, quer da parte dos dirigentes como dos jogadores, principalmente, nos jogos na condição de anfitrião. 
"Fizemos o possível de chegar  à meta. Acredito, que não nos impusemos tal como aconteceu com outras equipas, porque faltou experiência e no momento certo a matreirice, até mesmo dos dirigentes e jogadores, sobretudo, nos jogos em casa. Em todo o caso, a avaliação que faço é positiva, da maneira como superamos a etapa da primeira participação. Na nossa primeira aparição, na primeira divisão, tivemos apenas 18 pontos e nesta segunda, superamos os números", disse.
 A falta de dirigentes capazes foi apontada, igualmente, pelo presidente do Domant FC, como um dos entraves ao bom andamento da equipa no Girabola Zap, pois, segundo ele, o facto da equipa ter alguns jogadores experientes, não garantia, à partida, a manutenção na elite do futebol nacional.
 "Não se trata de jogadores experientes. O funcionamento de um clube é uma máquina. O futebol é uma máquina que começa na direcção, jogadores, equipa técnica, balneário e até ao apanha -bolas. Esses pormenores todos devem ser trabalhados. Precisamos de ter também na equipa, dirigentes capazes, experimentados, que ainda não temos. Não há aqui queixas de maior, porque os atletas experientes que tivemos não passam de três. Isso, também, tem muito a ver com o comportamento da equipa dentro do campo", sublinhou.
 Questionado sobre as áreas em que se notam mais a fraca prestação de dirigentes no clube, e que tem condicionado um melhor trabalho, para que o Domant FC não seja eternamente um "sobe e desce" no Girabola Zap, Domingos António não especificou, assegurou, apenas, que a máquina deve funcionar na mesma medida. 
 "Quanto me refiro, da direcção até ao apanha -bolas, estou a falar de uma conjuntura, ou seja, a máquina que deve funcionar precisa de ter todos os acessórios afinados. Quando uma parte anda devagar, a outra não consegue produzir o suficiente. Em todo o caso, eu particularmente, na qualidade de presidente de direcção, fundador e proprietário do clube, estou atento a isso. Sei, que ao meu nível oriento, mas não é o suficiente. É preciso, que as ordens que se baixam aos mais variados níveis, devem, também, obedecer à mesma tramitação, até ao último homem", sustentou. 
  Domingos António assegura, que a descida de divisão não significa uma derrocada para o Domant FC, mas um processo de aprendizagem, por isso, promete corrigir a falha, acredita que à terceira será de vez, ou seja, na época 2019/2020 vão disputar o Girabola Zap e não vão ser relegados para a Segundona.  
 "São aspectos que vamos corrigir. Essa descida de divisão do Domant, não significa para uma derrocada. Não. É mais um aprendizado, de que a terceira já não será igual, à semelhança da entrada na segunda vez no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, Girabola Zap. Se o jornalista notou, já melhoramos muito na nossa actuação, em relação a primeira participação. Isso, é semelhante ao facto de construir um castelo sobre pedras. Não podemos ter pressa de dizer que assim que a equipa foi relegada à segunda divisão, estamos derrubados ou arrombados. Não. Vamos melhorar. O trabalho é contínuo. Definimos para o Domant do Bengo um trabalho de curto, médio e longo prazos. Por isso, preocupa-nos nesse momento,  porque o Domant não vai jogar ao mais alto nível em 2019, mas fica a mensagem de que o Domant não vai parar de trabalhar até que se estabeleça em definitivo, na mais alta roda do nosso futebol", disse. Arão Martins

Trabalho organizado garante dinheiro

O Domant FC do Bula Atumba, ao contrário de equipas cotadas do futebol nacional, em momento algum do campeonato se queixou de falta de dinheiro, para cumprir com as metas estabelecidas. A filosofia do clube, segundo o presidente  Domingos António, é trabalhar e depois pensar no dinheiro. 
 "Nós não falamos muito de dinheiro, mas de trabalho, porque quem procura dinheiro sem trabalho, claro que não o encontra. No Domant FC do Bengo, a filosofia é: primeiro, trabalho, depois é que vamos ver e ganhar dinheiro. É com esta base que conseguimos atingir a meta.  Disputámos todos os jogos em casa e fora. Nos jogos fora, nunca desistimos. Isso, faz-se com trabalho e não com dinheiro, apenas. Mas se faltasse dinheiro, não jogávamos até à última jornada", disse.
 A descida de divisão do Domant FC do Bengo aconteceu no jogo diante do Clube Desportivo da Huíla, referente à penúltima jornada, no Lubango, em que perdeu por 3-0. O desaire na capital huilana não estava nas previsões dos homens de Bula Atumba, no dizer do presidente Domingos António, pois, sempre acreditaram na permanência no Girabola Zap.
 "Ninguém vai para o campo jogar para perder. Na primeira volta, no jogo em casa, empatámos a zero frente ao Desportivo. Por isso, também não nos passava pela cabeça ir ao Lubango perder, por expressivos 3-0. Tivemos várias falhas. Devemos dar os parabéns ao Desportivo da Huíla,  mereceu ganhar por tudo que fez em campo. Conseguiu produzir as suas jogadas de acordo com o que trabalharam", referiu.
Questionado sobre a desistência do JGM do Huambo, na primeira volta do campeonato,  se influenciou a campanha do Domant FC do Bengo, Domingos António disse que as coisas não podem ser vistas nesse prisma, porque os homens do Bula Atumba não foram os únicos que perderam pontos.
 "O Domant chegou até onde podia. Não pode atrapalhar porque por força do regulamento, o Domant não foi a única equipa que perdeu pontos por causa do JGM.
Tenho de felicitar o meu homólogo do JGM, pela coragem e decisão que tomou, de colocar a equipa na mais alta-roda do futebol. Acredito, que foi apenas um recuo estratégico que ele fez,  estou em crer que nos próximos campeonatos teremos o JGM no Girabola Zap. Eles precisam apenas de se reorganizar, e isso.

“Os comissários pensam que
são árbitros”

 
Os árbitros angolanos têm competência, mas precisam de melhorar. A constatação é do presidente do Domant FC do Bula Atumba, Domingos António, quando questionado sobre o trabalho desenvolvido pelos profissionais do apito, no Girabola Zap, recém-terminado, e que consagrou o 1º de Agosto, pela segunda vez, tricampeão. 
Para Domingos António, os árbitros nacionais não podem ser tendenciosos,  muito menos devem defender camisolas. O "homem forte" do clube do Bengo, criticou igualmente os comissários, pois, como disse, muitas vezes pensam que também são árbitros.
 "A nossa arbitragem tem competência e sabe arbitrar. Eles sabem e entendem, mas tivemos o problema de tendências, no último campeonato. Houve tendências, porém,  não é onde colocamos o nosso trabalho. Não vamos pensar que o nosso trabalho esvaziou-se, por ali. A verdade é que a arbitragem precisa de melhor,  porque todos somos profissionais e é preciso respeitar a todos, desde o atleta ao dirigente para não continuarmos a vaiar o nosso futebol. Precisamos, que os nossos árbitros deixem de ser tendenciosos. Os árbitros não devem defender camisolas, sobretudo.", disse Domingos António, e acrescentou, "eu vejo mais do lado daquele que tem a responsabilidade de acompanhar o trabalho do árbitro, no caso, os comissários. Os comissários aos jogos não podem pensar que também são árbitros. Os comissários aos jogos vão para supervisionar o trabalho da arbitragem, para fornecerem melhor detalhes ao Conselho Central de Árbitros, o que é a prestação de cada arbitro nos jogos.
A avaliação do desempenho, da função da arbitragem, ninguém faz. Por isso, é que temos situações em que um árbitro apitou mal ali, e o mesmo aparece a apitar num outro jogo, assim, sucessivamente".
 Como exemplo do que disse, Domingos António citou o jogo disputado em Cabinda, entre o Sporting local e o Petro de Luanda, chegou a interrogar-se,  se não houve comissário naquele desafio.  
"Vamos analisar o caso que ocorreu em Cabinda, no jogo entre o Sporting local e o Petro de Luanda. Interrogo-me: não havia comissário ao jogo? Qual foi a ocorrência que o comissário registou? Por acaso, o comissário ao jogo considerou golo a jogada ou bola à trave? Claro, que se o comissário ao jogo assumisse a sua responsabilidade, e não estou a condená-lo, eu não vi o relatório dele, acredito que a reclamação não viria do Petro de Luanda. Internamente, devia-se produzir um inquérito em relação aquele golo. Com isso, falta transparência. Os comissários são os responsáveis pelos árbitros", lamentou.