Jornal dos Desportos

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Girabola

João Machado aponta falcatruas no Girabola

Augusto panzo - 08 de Novembro, 2016

Decano dos treinadores falou sobre os últimos resultados do Girabola

Fotografia: João Gomes

O treinador João Machado orientou a formação do 4 de Abril no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão de 2016, que encerrou no sábado, com a consagração do 1º de Agosto advogou falta de verdade desportiva em alguns jogos da competição.

Disse que surgiram resultados anormais, sobretudo, nas últimas três jornadas em que foram registados desfechos estranhos, em comparação com  àquilo que conhece com relação às capacidades técnicas e desportivas de algumas equipas que nelas estiveram envolvidas. 

“Há muita coisa que se diga, nesses três últimos jogos do Girabola, porque houve resultados estranhos. Não vou  entrar em detalhes, citar este ou aquele resultado, mas para um bom entendedor isso que acabo de dizer é suficiente”, começou por esclarecer o veterano dos treinadores de futebol no país.

Indagado se a equipa esteve inserida nessa embrulhada, João Machado negou essa probabilidade com o 4 de Abril, mas apontou algumas situações negativas em desfavor do seu conjunto, surgidas nesses desafios.

“O 4 de Abril não entrou nessa embrulhada, porque se repararem bem, a minha equipa empatou com o Interclube, em Menongue, e viu-se que não foram assinaladas duas grandes penalidades contra o adversário. Veio para aqui (Luanda) defrontar o ASA e também houve o primeiro golo em situação irregular.  Houve faltas a nosso favor que não foram assinaladas", lamentou.

João Machado foi igualmente cauteloso no seu "discurso", evitou apontar os jogos em que foram registados os referidos resultados. 
“Eu não vou dizer em que jogos foram registados esses resultados. Os senhores da imprensa andam há muito tempo dentro do futebol. Daí, que sabem muito bem quais foram pelo menos os dois em que surgiram esses resultados esquisitos, que em situação normal esses desfechos não acontecem, ou é difícil acontecerem”, escudou-se.

Em função das circunstâncias descritas, João Machado disse não houve verdade desportiva no campeonato.
“Em termos de verdade desportiva, penso que em alguns jogos não houve isso, em função de certos resultados verificados. E, vocês da imprensa sabem disso, só que às vezes não têm coragem de falar sobre as falcatruas. Não quero ferir susceptibilidades, mas essa é a pura verdade”, fundamentou.

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Técnico confirma saída


A equipa do 4 de Abril, do Cuando Cubango não vai ser orientada na próxima época pelo treinador João Machado. Na entrevista concedida aos órgãos de comunicação social, no final do jogo entre o ASA e a sua equipa que se disputou no Estádio dos Coqueiros, o técnico reconfirmou tal posição.
"Disse em tempos, que mantivesse ou não o 4 de Abril no Girabola, eu ia sair. Portanto, é ponto assente que  não fico no comando técnico do clube.

Vou sair do 4 de Abril. Foram quatro anos em que dei tudo o que tinha a esse clube, mas os dirigentes  não souberam aproveitar da melhor forma, o valor e a entrega dos atletas que tinham, assim como o empenho dos técnicos", disse. João Machado aponta a existência de muitas debilidades administrativas da direcção do clube, que envolvem o não pagamento dos salários, que se calculam em 14 meses, assim como de certos jogadores que rondam entre cinco meses para alguns, e sete meses para outros.

Para não deixar o esforço despendido em vão, o treinador promete levar o caso às últimas consequências, caso isso exija.
"Devem muitos meses de atraso, a situação de salários continua não regularizada até agora. Vamos esperar para ver se nos pagam. Se não, então vamos ter que ir até à justiça, a começar pela Federação Angolana de Futebol (FAF), onde existem regulamentos próprios para essas situações", advogou.

O treinador vislumbra o seu pessimismo na resolução da situação, porque perspectiva enfrentar muitas dificuldades, reafirma a promessa de lutar até ao fim. 

"Pelos vistos, eu já sei se vai haver uma guerra muito grande para sanar a situação. São muitos meses em atraso. São 14 meses de salários para a equipa técnica, cinco a sete meses para os jogadores. Eu  prometo ir até ao fim, para ver a situação regularizada", esclareceu.
AP