Jornal dos Desportos

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Girabola

Jovic mancha estatística no clássico

Betumeleano Ferrão - 08 de Novembro, 2016

Técnico bósnio registou desaire com tricolores no adeus ao campeonato

Fotografia: kindala Manuel

A derrota no jogo com o Petro de Luanda, 'manchou' a estatística até então favorável de Dragan Jovic, no clássico do futebol angolano. O técnico foi para o jogo com os tricolores com um registo impressionante. Em seis jogos, dentre eles cinco para o campeonato, não tinha experimentado o sabor da derrota com  o maior rival, o 1º de Agosto.

Os militares entraram campeões no clássico, mas tinham o grande desafio de manter a invencibilidade que estabeleceram sob o comando do bósnio. Antes de assumir o comando da equipa, o 1º de Agosto nunca na sua história ficou tantos jogos consecutivos com o mesmo treinador, sem perder com o Petro de Luanda.

A ditadura dos rubro - negros no clássico, sob a orientação de Jovic prevaleceu e viveu o período mais longo sem perder com os tricolores. Os jogos até podiam não correr muito bem, e às vezes, a equipa corria atrás do prejuízo, acabava sempre por vencer, como sucedeu em quatro ocasiões, ou empatar, que aconteceu uma vez.

O jogo de sábado acabou por não corresponder às expectativas geradas em torno das duas das melhores formações nacionais, e as mais tituladas na prova. A exibição das duas equipas esteve longe de justificar toda a "guerra" de palavra de véspera. Ao contrário das vezes anteriores, a eficácia do Petro acabou por ser determinante, para o bónio sentir pela primeira vez a 'dor' de perder com o rival.

A contratação de Dragan Jovic, a meio da temporada de 2014, coincidiu com o que aparenta ser um novo período de estabilidade contratual para um treinador do 1º de Agosto. O número de jogos que os militares ficaram sem perder frente aos tricolores, tem o mesmo denominador comum, a direcção manteve o técnico desde Jan Brouwer, 2005-2007, já que ninguém ficou tanto tempo sentado no banco.

O técnico Dragan Jovic vai ser sempre lembrado pelo título do Girabola ZAP, mas muito antes de consumar a consagração, que pôs fim ao jejum de dez anos sem conquistas no campeonato, ele já tinha escrito com tinta indelével o seu nome nos anais do clássico nacional.

O treinador estabeleceu no campeonato um recorde de jogos seguidos sem perder, com o Petro de Luanda. Ao sexto embate para o Girabola, os rubro - negros caíram. Ainda assim, o técnico permanece por tempo indeterminado como o que teve o melhor registo de vitórias sobre os tricolores, em número de quatro, superou Dusan Kondic e Ndunguidi Daniel, ambos com três triunfos.

CLÁSSICO
Rivais privilegiam resultados apertados


O apertado 1-0, é o resultado que aparenta ser o mais apreciado pelos rivais, 1º de Agosto e Petro de Luanda. As estatísticas provam que nos 72 jogos que militares e tricolores disputaram para o campeonato, a considerada melhor vitória do 'mundo', foi decisiva em 25 ocasiões, nove para os agostinos e 16 para os petrolíferos.

Os tricolores foram os primeiros a mostrar  apetência pelo 1-0. Em 1981, Jesus fez na segunda volta, o primeiro golo da história da formação do Catetão. A equipa do ex -RI 20 precisou de esperar longos anos para saborear o inédito 1-0, sobre o rival. Aconteceu na primeira volta do Girabola de 1990, com golo Vieira Dias, de grande penalidade, jogo disputado na Cidadela.

A seguir ao "magro" resultado aparece o 2-1 como o desfecho mais frequente entre os dois maiores emblemas do futebol nacional, com o 1º de Agosto a levar uma ligeira vantagem, venceu por sete vezes contra seis do opositor.

Curiosamente, este tipo de score, esperou até a primeira jornada do campeonato de 1992. Ndisso e Rabolé, apontaram os golos que mancharam a estreia de Amaral Aleixo no Girabola, com a camisola do Petro. O tento que marcou não chegou para muito mais.

A tendência do clássico é a de terminar sempre com resultados apertados,  não é por acaso que nos 22 jogos vencidos pelos rubro - negros há um 3 -2, que marcou o primeiro tri, 86, 87 e 88, da história tricolor.

Nenhum dos triunfos, pela diferença mínima, obtidos pelo Petro foi tão especial como o alcançado em 2007. O 1º de Agosto chegou a estar em vantagem na segunda parte da partida, por 2-0, mas saíram dos Coqueiros vergados por 4-3, com o avançado Santana quase em cima do apito final a selar a reviravolta.

A incursão na história do clássico, feita pelo Jornal dos Desportos, englobou  os 72 confrontos entre estes dois colossos do campeonato, embora, em outras competições nacionais, Taça de Angola e Supertaça, militares e tricolores se terem cruzado em várias ocasiões, e a entrega do troféu feita através de vitórias apertadas de 1-0, 2-1 e 3-2.

Os jogos entre os dois emblemas ganharam contornos de clássico, curiosamente, o único do futebol angolano, no já longínquo dia 18 de Julho de 1982 quando o Petro sob comando de António Clemente goleou o 1º de Agosto por 6-2, jogo referente a 19ª. jornada do campeonato.
BF