Jornal dos Desportos

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Girabola

Kabuscorp acredita e supera Interclube

Manuel Neto - 10 de Setembro, 2017

Estádio dos Coqueiros acolheu ontem um dos melhores jogos do presente campeonato

Fotografia: M.Machangongo/ Edições Novembro

O Interclube só se pode queixar de si mesmo pela maneira como perdeu os três pontos no dérbi de ontem, nos Coqueiros, diante do Kabuscorp do Palanca, num jogo electrizante, principalmente a partir do minuto 62, quando os palanquinos reduziram a vantagem dos polícias para 2-1, por intermédio de Mongo, o mesmo jogador que, aos 90+2´, acabou por dar a machadada final ao apontar o terceiro tento da sua equipa, depois de Fundo, saído do banco, ter igualado o duelo aos 80´.

O duelo foi espectacular! aliás, será que existe melhor adjectivo para qualificar o que foi o jogo entre o Kabuscorp do Palanca e o Interclube? Certamente que não. O dérbi luandense foi escrito com letras maiúsculas, aliás, de outra forma não poderia ser.

A dinâmica demonstrada pelos jogadores do Kabuscorp do Palanca e do Interclube tem tudo para constar num dos melhores do presente campeonato. Sem receio uma da outra, palanquinos e polícias mostraram atitude e muita competência na abordagem do jogo, sem esquecer as grandes jogadas que originaram os cinco golos da partida - dois para os visitantes e três para os da casa.
 
O Kabuscorp precisou de 18 minutos para anular, primeiro a vantagem do Interclube, e mais 12 para desfazer-se do empate. A forma como os polícias sofreram o primeiro tento acabou por ser determinante para os palanquinos fazerem a reviravolta. Uma reviravolta que aconteceu nos minutos de descontos, Mongo bisou aos 90+2´, e que arrasou os polícias de Paulo Torres.

O primeiro golo do jogo, marcado pelo estreante Roland, aos 23´, numa perfeita execução técnica, após receber um cruzamento teleguiado do lateral Miguel, amorteceu no peito e teve calma suficiente para  bater o guarda-redes Rubian, bem como o segundo apontado pelo jovem Calebe, aos 56´, foram apenas dois dos grandes momentos dos do jogo.

E quem pensou que o Interclube mandaria no duelo acabou enganado. Os palanquinos, apesar da desvantagem no marcador, não trepidaram, continuaram com a mesma pedalada, procurando pautar o seu jogo pelos flancos, mas a sequência era deficitária, porque Mongo e Jacques não apresentavam competência para desfeitear o último terço adversário, bem assegurados por  Fabrício e  Baca.

Mesmo assim, os palanquinos não baixaram a guarda, foram desbobinando  o seu futebol, alternando o colectivo com o individual, com Lamy a ser o senhor do jogo, só que  fazia com alguma precipitação, o que agradava ao Interclube. Aliás, os palanquinos ainda deram-se  ao luxo de falhar um penálti, por Jacques, num lance  polémico, em que o árbitro considerou mão à bola  numa jogada mal abordada tecnicamente por Fabrício.

 A segunda parte começou com algum ascendente do Interclube, que  jogava de forma pragmática, deixando desarticulado o adversário.  Mas a entrada de Fundo para o lugar de Mendinho deu outra dinâmica à equipa de Filemon. O resto da história é o que se conhece: o Kabuscorp teve competência para fazer aquela estrondosa reviravolta no marcador.

O árbitro Rodrigues Aleixo e os assistentes Nicodemos Calembela e Francisco Paulo, apesar da situação do penálti a favor do Kabuscorp, estiveram bem no jogo. Bom trabalho.


DECLARAÇÕES

Romeu Filemon
Kabuscorp

“Fomos laboriosos”

\"Fomos felizes. Foi no acreditar que conseguimos a vitória. Sabíamos que estávamos diante de uma boa equipa, quer nos aspecto táctico, como técnico são evoluídos. Por isso, fomos laboriosos, acreditamos que era possível fazermos mais e o nosso pensamento técnico foi de mudança. Mudamos,  lançando o Fundo e ele também acreditou e assim vencemos o jogo. Por isso os meus rapazes estão de parabéns\".

Paulo Torres
Interclube

“Foi um soco
no estômago” 

“Na minha opinião foi um bom jogo de futebol,  mas o golo que sofremos na segunda parte foi determinante. O Kabuscorp é muito rápido a sair para o ataque e a dada altura  fomos impotentes para travá-lo. Em suma, foi um soco no estômago, desequilibramos e no segundo golo ficámos ainda mais tocados. No fundo o futebol angolano está de parabéns, pela forma competitiva como o jogo foi disputado, acabando mesmo por oferecer cinco golos”