Jornal dos Desportos

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Girabola

Lam de pedra e cal

Paulo Caculo - 13 de Julho, 2017

Campeo africano de Sub-20 cumpre a sua decima sexta poca consecutiva no clube tricolor

Fotografia: Paulo Mulaza | Edies Novembro

O futebol angolano não é muito fértil em produzir jogadores que realizam toda a carreira em clubes que o projectaram para a alta competição, uma espécie de lendários da agremiação, dada a fidelidade à camisola que envergam.  No Petro de Luanda, o guarda-redes Luís Mamona João "Lamá" é exemplo de longevidade ao serviço do clube. É o jogador com mais épocas consecutivas no plantel tricolor, cumpre a sua 16ª temporada.

Aos 36 anos, Lamá representa o símbolo de um dos jogadores mais experientes do Girabola Zap e um dos que está há mais tempo no mesmo clube, o Petro. Essa ligação aos tricolores chegou cedo e teve o cunho de testemunhar a primeira grande consagração da carreira do guarda-redes, ainda em 2001, no seu primeiro grande ano na selecção de Sub-20, com a conquista do CAN da categoria, organizado pela Etiópia.

Não se vislumbra e nem se equaciona a possibilidade de o jogador mudar de camisola. Lamá vai continuar a jogar e os tricolores muito dificilmente deixarão sair o seu jogador mais experiente, o mais próximo em condições de se tornar um símbolo do clube.

A relação de amor entre o guarda-redes e o clube petrolífero começou em 2001 e jamais teve interregno, porque as direcções do Petro de Luanda tiveram sempre no jogador a imagem perfeita de um jogador adaptado aos ideais do clube.

Nas duas últimas temporadas, o guarda-redes perdeu a visibilidade para o jovem Gerson, mas nunca deixou fugir a possibilidade de marcar presença entre os convocados, nem que seja como suplente utilizado. Das vezes em que foi chamado a assumir responsabilidades na baliza tricolor, Lamá fê-lo com brio e profissionalismo, razão pela qual conserva a condição de segunda opção do plantel.

Talvez cumpra, este ano, o seu último ano de carreira, embora fisicamente continue a espalhar o perfume dos seus reflexos na baliza. Tão logo opte por "pendurar as luvas", Lamá será promovido, seguramente, com funções na estrutura do clube ou nos escalões de formação.

A alegria e disposição demonstrada pelo guarda-redes nas sessões de treinos da equipa, ajuda a provar que a idade não interessa. No plantel do Petro, os jogadores mais-velhos são tratados como os outros, como jogadores válidos, e não apenas como símbolos, sobretudo pelo grande amor ao clube.

A exemplo de outros jogadores que terminaram a carreira e optaram por ficar nos seus clubes, o futuro de Lamá poderá passar igualmente pela continuidade ao clube que o projectou para a alta roda do futebol nacional e internacional.