Jornal dos Desportos

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Girabola

Liderana que D`Agosto

Paulo Caculo - 23 de Julho, 2018

Militares foram determinados na etapa inicial em que marcaram os golos da vitria por Razaq e Mrio

Fotografia: JOS COLA| Edies Novembro

O clássico entre Petro de Luanda e 1.º de Agosto teve tudo aquilo que os adeptos esperavam: golos, períodos de bom futebol, emoção nas bancadas e exemplar trabalho da equipa de arbitragem, liderada pelo internacional Hélder Martins. Ou seja, tricolores e militares protagonizaram ontem, no estádio 11 de Novembro, um espectáculo atractivo e cujo resultado (vitória do campeão por 2-0) ajusta-se, perfeitamente, ao labor patenteado pelas duas equipas ao cabo dos 90 minutos.
O conjunto tricolor, que liderava o campeonato, entrou para o jogo a dormir e quando acordou, já a turma militar vencia por 1-0, na sequência de um golo de Razaq, a finalizar, com elegância, uma jogada de belo efeito construída por Mongo, aliás, uma das unidades que muito fez pela “vida” no clássico. E contribuiu para os militares chegarem a vantagem no clássico, a entrada de rompante efectuada pela equipa de Zoran Maki.
A verdade é que o 1.º de Agosto foi dono e senhor dos primeiros 45 minutos. Por muito que Job, Trésor e Mateus, no meio-campo do Petro, tentassem escamotear isso, principalmente o último atleta, que tentavam de todas as formas suster a pressão ofensiva do adversário, a forma perfeita e descomplexada como os militares trocavam a bola e descobriam as vias de acesso à baliza contrária, acabou sendo com naturalidade que, aos 27 minutos, viu-se o campeão chegar ao segundo golo, por intermédio de Mário.
É bom que se diga: brilhante foi a forma como Mongo voltou a fazer de “gato sapato” o seu principal opositor no corredor esquerdo e, numa perfeita cópia do cruzamento feito para Razaq, descobriu de forma milimétrica a cabeça do jovem Mário.
A perder por 2-0, o melhor que se viu dos tricolores na etapa inicial, foi alguns rasgos individuais de Job. A equipa do Petro parecia irreconhecível nesse período, talvez a reclamar da criatividade das suas unidades fundamentais na manobra do ataque.
A segunda parte houve inversão de papéis. O Petro entrou muito mais determinante, ousado e disposto a dar a volta ao texto. Como prova disso, os tricolores passaram a ter mais posse de bola, criaram mais ocasiões de ataque e gozaram de maiores oportunidades de golo. Porém, faltava sempre arte, engenho e eficácia ofensiva aos avançados para, na hora da finalização, converterem as jogadas em golo.
A jogar com maior pressão e com uma atitude diferente daquela  espelhada na primeira parte, à passagem do minuto 60, os pupilos de Beto Bianchi já mereciam chegar ao golo. Aliás, o brasileiro Tony só não reduziu para uma bola a vantagem militar, porque o guarda-redes Tony Cabaça teve competência para anular o soberbo remate (colocado) do jogador tricolor. 
Tirando esse momento, o facto mesmo é que faltava sempre a pragmatismo aos atacantes tricolores, para traduzirem em golos as muitas jogadas produzidas pela equipa na etapa complementar.
Incapazes de marcar, os tricolores tiveram depois de contentar-se com um recuo estratégico dos militares, que a vencer e a escassos minutos do desfecho da partida, decidiram entrincheirar-se na sua defesa, sacudindo toda a pressão a que esteve sujeito pelo ataque contrário, nos minutos derradeiros.

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
“Cometemos erros infantis”


Maurício Marques /Petro/“Infelizmente cometemos erros defensivos infantis, que condicionaram o jogo. O jogo não foi mau, tivemos controlo em certos momentos, mas o adversário (1º de Agosto) também esteve bem. Os erros defensivos colocaram-nos atrás do resultado e não tivemos calma e velocidade para circular a bola. O adversário fechou-se bem e aproveitou os golos que fez”

Ivo Traça /1.º de Agosto/“Fomos felizes”
“Foi uma grande partida de futebol. Preparámos com algum cuidado este jogo. Entrámos muito bem no jogo, logo a ganhar nos primeiros três minutos, e depois gerimos. A equipa do Petro respondeu bem, teve posse de bola, mas conseguimos juntar os três sectores, para não dar espaço à equipa do Petro. Pedimos os jogadores para terem um pouco mais de calma e conseguimos fazer o nosso resultado. Fomos felizes”.

ARBITRAGEM
Apito de luxo

A qualidade do trio de arbitragem liderada pelo internacional Hélder Martins -  o mundialista Jerson Emiliano e Wilson Ntyamba foram os assistentes - ficou evidenciada, mais uma vez, no clássico dos clássicos do futebol nacional, disputado ontem no estádio 11 de Novembro. O  árbitro esteve à altura do desafio e quase perfeito no ajuizamento das jogadas, quer do ponto de vista técnico, como disciplinar.  Ou seja, Hélder Martins deu uma lição de saber apitar. Em momento algum, o chefe da equipa, assim como o 1º assistente, tiveram dúvidas no lance do primeiro golo dos militares, marcado por Razaq, aos 3 minutos, quando muitos pensavam que o avançado agostino estava em posição irregular. A expulsão do central Bobó, do 1º de Agosto, na parte final do encontro, foi justa, pois o jogador do campeão nacional jogou à margem das leis. Nota: Bom