Jornal dos Desportos

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Girabola

Liderana tremida

Julio Gaiano,Lobito - 27 de Abril, 2015

Polcias e estudantes lobitangas ficaram pela repartio de pontos

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Académica do Lobito e o Interclube protagonizaram ontem, no estádio do Buraco, uma das maiores e bem conseguida partida no mítico estádio da cidade ferroportuária. O empate a uma bola, construído na segunda metade da contenda, acabou por ser justo, embora o domínio do duelo tenha pertencido aos polícias.

O encontro testemunhado por cerca de treze mil pessoas foi dos mais emotivos que os lobitangas assistiram no presente campeonato. Ou seja, desde o princípio ao fim, foi corrido e bastante aberto, com os jogadores a preocuparem-se mais com o espectáculo. Tal foi a forma como se comportou o público, quando deixou o local da contenda. Alegres e com a sensação de ter presenciado a um hino de futebol.

Tanto os estudantes, como os polícias, mostraram-se determinados a assumir a responsabilidade do jogo. Parecia tratar-se de um ajuste de contas em que o vencido estaria sujeito a determinadas incumbências. Na verdade, tratou de um futebol sério, envolvendo duas equipas que se equiparam na forma de jogar. Aliás, o esquema táctico apresentado em campo (4x5x1) explica tudo.

Os defesas estiveram em tarde de inspiração e de muito trabalho. Anularam, por completo, as investidas criadas pelos dianteiros contrários. Mesmo assim, foi a Académica do Lobito que dispôs das melhores oportunidades para golos, mas soube  concretizá-las por culpa do guarda-redes Jotabê que, diga-se de passagem, foi um “tira-tudo”. Effemberg (22´), Jacek Magdzinsk (35´) e Cachy (44´) viram os seus lances anulados pelo guarda-redes do Interclube.

Já do lado Interclube registou um, para muitos, o maior escândalo da partida, quando aos 38´, o médio ofensivo Paty, com a baliza escancarada, tremeu, vacilou e, por fim, deixou-se desarmar por um defesa contrário. Foi um alívio para milhares de apoiantes que a partir das bancadas e dos morros que circundam o estádio do Buraco acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos.

Somente na segunda metade da partida, os adeptos e amantes da bola vibraram com mais alegria e por duas vezes. Na primeira ocasião, aos 76´, num golo de belo efeito de Cachy, que num portentoso remate de fora da areia atirou a contar para a Académica do Lobito. Enquanto, na segunda, foi a vez do atacante Moco a repor a justeza no resultado.

O seu golo de Moco, marcado aos 90+3´, "gelou" os milhares de adeptos dos estudantes que não queriam acreditar no que estava a acontecer dentro das quatro linhas.

A equipa da arbitragem liderada pelo internacional António Caxala foi impecável. Soube manter ordem no jogo e fez valer a sua condição de juiz. Esteve bem ao expulsar o capitão do Interclube, Bebé, por entrada dura sobre um adversário.


OPINIÃO DOS TÉCNICOS

Ekrem Asma Académica
“Resultado justo”

“As duas equipas mereceram sair daqui (Lobito) empatadas. Todos viram como as nossas equipas se apresentaram. Procuraram, unicamente, jogar a bola e desta forma alegrar o público. Foi pena não ter testemunhado a vitória que nos escapou nos últimos segundos da partida. Paciência. Agora, resta-nos, parar e pensar no próximo encontro. Não vai ser fácil, como aconteceu hoje (ontem”.


Ilian Iliev Interclube
“Defrontámos uma boa equipa”

“Sabíamos de antemão que o jogo não seria fácil. Defrontámos uma boa equipa e que sabe jogar muito bem nas transacções da bola de trás para frente. Trabalhámos seriamente nesta perspectiva e resultou. Por isso, saímos daqui com a sensação do dever cumprido, pois mais vale um ponto do que dois a voar”.