Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Luta renhida no topo

Benigno Narciso, no Lubango - 25 de Setembro, 2016

A perfeição táctica e o domínio imposto pelo 1º de Agosto até aos 18 minutos revelou a impotência do Desportivo da Huíla

Fotografia: Jornal dos Desportos

A perfeição táctica e o domínio imposto pelo 1º de Agosto, até aos 18 minutos, revelou a  impotência do Desportivo da Huíla travar ontem o poder ofensivo do líder do campeonato e evitar a derrota expressiva de 4-1, no estádio do Ferroviário, no Lubango, em desafio pontuável para a 25ª jornada do Girabola Zap 2016.

Na verdade, a postura destemida e certeira, traduzida na fluidez e no volume de acções ofensivas produzidas pelo Desportivo da Huíla e a solidez defensiva evidenciada durante os primeiros quinze minutos, deixou prever, desde logo, enormes dificuldades para o 1º de Agosto. Contudo, a postura surpreendente dos comandados de Ivo Traça, cedo acabou por se revelar sol de pouca duração.

 A falta de discernimento do médio Avex, do Desportivo da Huíla, nas duas ocasiões que conduziram a bola em acções de contra-ataque, e se isolou à entrada da grande área adversária, e com os avançados Kêmbwa e Nandinho em posições privilegiadas para marcar... se bem aproveitas mudariam a história do jogo. Foram desperdícios “lamentados” pelo técnico da casa, Ivo Traça no final do desafio.

O 1º de Agosto não ficou por lamentações. Ciente das suas responsabilidades e obrigação de vencer para manter a liderança e prosseguir na corrida para o título, cumpriu o seu papel. Passou de dominado à dominador. Suportou a supremacia inicial do adversário, estudou os pontos fortes e fragilidades até aos 15´. E a seguir desferiu o golpe.

Numa altura em que os visitados até mandavam no jogo apesar de alguns sinais de instabilidade devido ao ascendente do adversário, foi com “surpresa” que o 1º de Agosto, eficaz e pragmático, desfez o nulo no marcador. Ary Papel, a passe de Geraldo, não vacilou.

Após triangulações progressivas e envolventes com Geraldo, Ary Papel vê-se diante de Nuno na pequena área e em posição frontal atirou sem apelo nem agravo para o golo. Era decorrido 0 minuto 18. O tento desestabilizou os visitados que acabaram por cair no domínio dos visitantes.

Daí em diante veio ao de cima toda a força do 1º de Agosto que motivado com o golo transfigurou-se. A fluidez e a produtividade dos médios permitiu levar jogadas ofensivas perigosas junto à área adversária onde os defesas revelaram-se instáveis e inseguros para contornar as investidas do 1º de Agosto.

Gogoro aos 27´ empenhou-se em velocidade, interceptou e dominou a bola, recuou-a para o central Chiwe que, dentro da meia-lua da grande área, foi incapaz de travar a progressão do médio que se isolou e fez o segundo golo dos visitados.

A estratégia dos forasteiros ganhou confiança. Ary Papel e Geraldo no ataque revelaram-se mais interventivos fruto das subidas e colaborações de Jumisse e Gogoro sempre apoiados por Bua e Manucho no centro do meio campo. Esse ascendente deu maior liberdade e poder de intervenção do ataque.

Assim, aos 44´, Ary Papel foi servido na grande área. O avançado atirou, a bola embateu no poste da baliza de Nuno e no seguimento tabela nas costas do guarda-redes Nuno foi projectada para o poste contrário onde apareceu Gogoro, que pleno de oportunidade em cima da linha "empurra" para o 3-0.

SEGUNDA PARTE

Na segunda parte os dois técnicos efectuaram substituições. Confortado com a vantagem no marcador, o 1º de Agosto adoptou uma postura de conservação do resultado e baixou o poder de jogo.

Esse abrandamento deu ao Desportivo alguma ascendência e fruto disso reduziu a desvantagem aos 53´por Dani Traça que com um remate na posição frontal com a baliza, à entrada da grande área bateu Dominique.

A possibilidades do Desportivo chegar ao segundo golo e reduzir a vantagem do 1º de Agosto para 3-2, obrigou os comandados de Jovic Dragam a reafirmar o passo e imprimir maior dinâmica. E foi assim com naturalidade que Ary Papel fixou o resultado final para 4-1, fruto da transformação de uma grande penalidade em golo aos 86´.