Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Luta sem quartel

Paulo Caculo - 17 de Março, 2020

Fotografia: Dr

Num jogo emotivo, intenso, com quatro golos, de pressão alta e com alguma qualidade exibicional, as duas equipas corresponderam a expectativa e confirmaram o estatuto que detém na prova. Não é por acaso que estavam em campo, dezoito títulos (quinze para os tricolores e três dos polícias).
Embora tivesse pertencido aos donos da casa a criação das maiores oportunidades de golo na primeira parte, os forasteiros foram sempre potentes para dar uma pronta-resposta aos insultos dos “donos da casa”.
Fruto do volume de jogadas ofensivas produzidas, acabou por ser com alguma naturalidade que o Interclube chegou ao golo, na segunda parte, por intermédio de Paty, numa jogada de belo efeito, com grande mérito para o passe do colega Domingos.
A verdade é que o golo não foi muito bem recebido nas hostes do Petro, que trataram de correr atrás do prejuízo, lutando pela posse de bola com a criação de oportunidades para anularem a desvantagem
E mal a equipa do Rocha do Pinto acabava de festejar, a resposta contraria foi imediata e volvidos três minutos  igualaram o marcador, na sequência do auto golo de Ito, aos 78’, mercê da alta pressão feita junto ao último reduto contrário.
Insatisfeitos com o empate, polícias e tricolores continuaram a pressionar no seu futebol. Mas, viria a ser o Interclube a voltar a colocar-se novamente na frente do marcador, na sequência da cobrança de uma falta, competentemente feita por Paty e finalizada com êxito por Quinito.
O segundo golo dos comandos de Ivo Campos, contestados pela equipa orientada por Toni Cosano alegando fora de jogo, espevitou ainda muito mais os anfitriões, que correram novamente atrás do empate.
Fruto desta postura evidenciada pelos tricolores, o jogo ficou muito mais emotivo, com ambos os conjuntos a alternarem a posse de bola e a disposição de oportunidades de golo.
Dado o grande volume de jogadas de perigo produzidas nos últimos dez minutos, adivinhava-se que o Petro podia chegar ao empate, mas nem Tony e muito menos Tó Carneiro conseguiam acertara na baliza.
Mas a equipa de Toni Cosano não desistia, pois acredita que seria possível voltar a empatar. E como no acreditar está o ganho, a crença dos tricolores foi compensada já na declinar da partida, com Yano a finalizar em grande estilo e restabelecer a igualdade.


Declaraçõesdos Técnicos



Flávio Amado 
“Começámos
 mal o jogo”


“Começámos mal o jogo e acertámos depois e, mesmo assim, o adversário chegou primeiro ao marcador. Trabalhamos muito e temos de dar os nossos parabéns aos atletas pelo empate. As outras equipas também dão o seu máximo e quando jogam com o Petro pior ainda. Vamos continuar a trabalhar para os demais jogos”.


Ivo Campos
 (Interclube)
“Jogo fantástico


“Foi um jogo fantástico, com o público a aplaudir, extremamente intenso, entre duas equipas com disparidade de pontos, mas a verdade é que merecíamos a vitória. Acho que foi um estrondoso jogo de futebol, em que na primeira parte demos um recital, com posse bola. Gostei da atitude do público”.




ARBITRAGEM
Trabalho regular


O trio de arbitragem encabeçado por Paulo Sergio, apesar de não ter influência no resultado, nem por isso esteve bem. O árbitro Internacional podia ter feito melhor trabalho, tendo baralhado um pouco a sua actuação, sobretudo no aspecto disciplinar. No golo do Interclube, de Quinito, benefício da dúvida ao juiz, em virtude da posição irregular do atacante dos polícias, deu vantagem a equipa que atacava.


1º DE AGOSTO

O extremo Zito Luvumbo, com os dois golos marcados, aos 12 e 65 minutos, e uma exibição digna de realce, esteve em destaque na vitória do 1º de Agosto diante do Bravos do Maquis, por 3-1, no jogo referente a 24ª jornada.
A jovem promessa do 1º de Agosto, 18 anos de idade, esteve em grande nas últimas duas jornadas. Depois de apontar o segundo tento, que selou a vitória diante do Interclube, o camisola 11 voltou a destacar-se na recepção aos maquisardes, ao marcar dois e assistir o seu colega Ary Papel 
Após a lesão contraída no Mundial de sub-17 disputado este ano no Brasil, no desafio dos oitavos-de-final diante da selecção da Coreia do Sul, Zito falhou grande parte dos jogos na primeira volta do Girabola Zap, sendo um deles, curiosamente na vitória de 3-1, sobre os pupilos de Zeca Amaral, em pleno estádio Mundunduleno, com golos de Lionel, Mongo e Mabululu.
O jogador regressou na segunda volta, 16ª jornada, no triunfo sobre o Progresso do Sambizanga (4-0), onde voltou a lesionar-se devido às entradas duras que sofreu dos seus defensores, regressando ao departamento clínico do clube.
Desde que retornou aos jogos oficiais na 20ª jornada, na recepção ao Santa Rita de Cássia (0-0), após cinco meses de recuperação, Zito Luvumbo apresentou a sua melhor versão sábado passado, no importante triunfo sobre os maquisardes, que não perdiam há 12 jogos no campeonato nacional. O camisola 11 tem cinco golos na sua conta pessoal.
Por outro lado, a grande penalidade falhada pelo avançado Ary Papel, no último sábado, diante do FC Bravos do Maquis, foi o primeiro que desperdiçou, desde que assumiu a responsabilidade, na época passada, de ser o principal marcador da equipa no livre dos onze metros.
O camisola 30 já cobrou três grandes penalidades esta época, tendo falhado apenas diante dos maquisardes, após ter finalizado na 4ª jornada, na vitória diante do Ferroviário do Huambo, por 2-0, sendo o outro golo rubricado em jogo corrido por Mabululu.
Jorge Neto


IVO TRAÇA
“A equipa cumpriu a estratégia”


O 1º de Agosto com a vitória diante do Bravos do Maquis \\\"quebrou\\\" a invencibilidade da equipa do Moxico, que vinha de uma sequência de oito jogos sem perder nesta segunda volta do Campeonato Nacional de futebol da primeira divisão.
No final da partida, o treinador adjunto da formação militar, Ivo Traça, destacou o cumprimento das estratégias por parte da equipa como causas da vitória sobre os maquisardes.
Em declarações à imprensa, o coadjuvante do técnico Dragan Jovic, argumentou que o adversário apresentou-se muito bem, principalmente na primeira parte, o que obrigou o redobrar do desempenho do grupo na obtenção dos golos do triunfo.
“Foi uma partida disputada com muita intensidade e forte entrada do Bravos do Maquis, que criou-nos muitas dificuldades. Fomos para o intervalo empatados, mas estabelecemos outras estratégias e acções, que resultaram na concretização das oportunidades surgidas”, revelou com um semblante alegre.
Disse mais adiante que a exibição não esteve em causa, mas sim o resultado já que o objectivo passa pela conquista do tão almejado Penta por “isso, o mais importante foi a  vitória sobre um grande adversário”, disse.
Por sua vez, o treinador do FC Bravos do Maquis, Zeca Amaral, visivelmente desolado, escusou-se a falar para os jornalistas, recolhendo-se apressadamente aos balneários, em companhia de outros elementos da equipa, bastantes “furiosos” com a actuação do árbitro João Goma, que no jogo expulsou dois atletas da sua equipa.