Jornal dos Desportos

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Girabola

Manter o ciclo vitorioso

João Constantino|Enviado ao Namibe - 27 de Setembro, 2013

Combinado angolano conseguiu no Namibe a sua segunda vitória no 41º Campeonato do Mundo depois de ter vencido na estreia a formação da África do Sul no pavilhão multiuso de Luanda

Fotografia: Jornal dos Desportos

A selecção de Angola conseguiu a segunda vitória  neste 41º Campenato do Mundo de Hoquei em Patins, ao vencer ontem a selecção da Colômbia (6-3) e mantém o objectivo de melhorar a 11º posição. Numa noite que o herói foi o capitão Joe, não seria escândalo se a equipa nacional vencesse por números mais expressivos.

Jogo emocionante entre duas selecções que lutavam pelo mesmo objectivo: vencer. Com dois golos nos primeiros quatro minutos de jogo, resultado empatado, tudo fazia prever que seria uma boa partida.

 Angola abriu o placard através de Joe, de livre indirecto, fintou o guarda-redes colombiano e num angulo difícil abriu o placard. Mas no minuto seguinte a Colômbia empata de grande penalidade por Raul Hincapie.

A seguir o mesmo Raul Hincapie beneficiou de um passe do seu meio campo e a entrada da zona de baliza de Angola rematou forte, batendo o guarda-redes Tiago Sousa pela segunda vez. O golo precedeu de uma perda de bola do capitão Joe.

Depois, o capitão Joe ainda voltou a marcar, aos 9 minutos, mais o árbitro espanhol anulou, assinalando falta. No lance a seguir Joe faz falta e viu o cartão azul. Angola ficou em campo com apenas três atletas.

Aos 14 minutos, Martin Payero, vindo do banco, remata forte, de fora da zona de baliza, e bate o guarda-redes colombiano David Quinteiro, repondo a igualdade para alegria do público presente.

Mas o Pavilhão explodiu de alegria quando Umberto Mendes, numa sobra de bola, dentro da zona de baliza, finaliza com êxito, fazendo o terceiro golo de Angola, fechando o resultado ao intervalo em (3-2) a favor dos angolanos.

No segundo tempo as emoções continuaram com alternância no resultado. Joe aumentou para Angola, a passagem do minuto três. Rematou colocado a entrada do rectângulo e bateu Martin Quintero pela quarta vez. Logo  a seguir Camilo Trujillo reduziu para a Colombia (4-3).

Numa noite de inspiração o capitão Joe voltou a marcar mais duas vezes para a selecção,  levando os adeptos ao delírio com o último golo da equipa nacional (6-3).  Joe esteve em evidência nesta partida não só pelos golos marcados, mas também porque soube liderar o “Cinco” nacional.


FICHA TÉCNICA

Pavilhão: Welwitschia
Arbitragem: Sanchez (Esp) e Miguel Guilherme (Por)
Assistência:Lotado
ANGOLA: 1- Silveiro Quiteke, 2- André Centeno, 3- Afonso Coxe, 4- Anacleto Silva (Kirró), 5- Mário Fernandez, 6- João Viéra (2), 7- Martin Payero (1), 8- Umberto Mendes “Big” (1), 9- João Pinto e 10- Tiago Sousa
Treinador : Orlando Graça

COLÔMBIA:1- Juan Gonsalez, 2- Eduardo Suescun, 3- Daniel Restrepo, 4- Camilo Trugillo (1), 5- Jonathan Orozco, 6- Esteban Campos, 7- Raul Hencapie (2), 8- David Costa, 9- José Arango e 10- David Quinteiro.
Treinador: Fernando Sierra

Intervalo: 3-2
Final do jogo:6-3


Declarações


Orlando Graça
“Sempre acreditamos”

“O jogo teve um elevado grau de dificuldade, e nós sabemos que nessa fase os jogos serão muito difíceis. Este jogo foi difícil diante de uma selecção que deu muita luta. Foi necessário um comportamento digno dos nossos atletas que conseguimos vencer. Sempre acreditamos que poderíamos vencer este jogo. Acredito que é possível alcançarmos o nono lugar e vamos lutar para isso”, disse o técnico Orlando Graça.

Falando em conferência de imprensa após o jogo em que bateu a Colômbia por 6-3, Orlando Graça, disse que no jogo contra a Alemanha, que é uma “excelente” selecção, Angola vai mostrar o seu valor.

“Jogamos por três vezes e ganhamos todos os jogos, nomeadamente no Huambo em 2012 e duas vezes no torneio de Montereux, mas ainda assim reconhecemos que é uma grande equipa e constitui sempre uma barreira de ser transponível”, sustentou.

 

FERNANDO SIERRA
“Angola teve mérito”

“O primeiro tempo foi equilibrado. Fizemos um bom primeiro tempo, mais depois a selecção de angola superiorizou-se e teve mérito nesta vitória. Agora vamos trabalhar para não sairmos da serie A. Nós temos perdido os jogos na bolas paradas, nas grandes penalidades e nos livres indirectos.

Desta vez voltamos a perder e já somamos a nossa quarta derrota, comprometendo as nossas aspirações que passavam em melhorar o 12º lugar alcançado na edição anterior”, afirmou o técnico da Colômbia, Fernando Sierra.


LOTOU PELA 1ª VEZ

Pavilhão Arena ao rubro
Pela primeira vez o pavilhão Arena do Namibe registou casa cheia. Todos os três mil assentos foram ocupados, exceptuando a zona reservada para as selecções participantes.

Nascimento da Costa, Director Provincial dos Desportos do Namibe e coordenador da comissão organizadora, afirmou que no dia de ontem à procura de bilhetes foi maior, uma vez que a população queria ver a selecção de Angola jogar.

“Sua excelência o senhor Governador disse que a população do Namibe estaria com a Selecção Nacional e a população correspondeu com uma presença massiva”, disse.

O público que se deslocou ao Arena no Namibe saiu satisfeito pela exibição e pelo resultado alcançado pela selecção nacional de Angola.


Bienos lamentam desaire da selecção

Adeptos da Selecção Nacional de Hóquei em Patins manifestaram descontentamento em relação à campanha de Angola na primeira fase do Campeonato do Mundo, que termina amanhã em Luanda.

Longe da meta traçada, que passava em primeira instância pela qualificação aos quartos-de-final e depois a tentativa de melhorar a sua posição no ranking mundial, os adeptos consideram negativa a prestação da Selecção Nacional, sobretudo por actuar na condição de anfitriã.

Edson Guevara do Santos Coronho, funcionário público, não escondeu a sua insatisfação pelo facto de Angola ficar arredada da possibilidade de melhorar o sexto lugar, que havia alcançado no Campeonato do Mundo de 2009, na Espanha.

Na sua opinião, a Selecção Nacional não teve a estrelinha da sorte ao seu lado. “O conjunto teve atitude e mostrou competência, faltando apenas alguma sorte, fundamental no jogo com o Chile, em que dominou por completo, falhando apenas na série de marcação das grandes penalidades”, disse.

Teyller Soares Nongava, igualmente funcionário público, lamentou o facto de Angola falhar a presença nos quartos-de-final deste Mundial, sobretudo pelo facto de jogar na condição de equipa anfitriã. “No meu ponto de vista, Angola jogou muito. Faltou apenas sorte à equipa”, disse.

Gilda Tavares, finalista do ensino médio, juntou também a sua voz à série de reacções que o Jornal dos Desportos colheu nas ruas da cidade do Cuito. A jovem estudante disse que a Selecção Angola merecia ir mais longe, “pelo nível e qualidade de jogo apresentado”.

Waldir Carlos Correia, outro entrevistado, revelou o seu entusiasmo em relação ao Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. O jovem adepto da Selecção Nacional destaca a vitória de 8-2 sobre a África do Sul, que na sua óptica deixava antever a qualificação aos quartos-de-final, mas, em contrapartida, aponta a falta de sorte nos outros dois jogos, sobretudo frente ao Chile.

“Fomos briosos frente à África do Sul, mas não acabámos bafejados pela sorte nos outros dois desafios, em que perdemos diante do Chile e de Portugal. Não obstante isso, temos de felicitar os bravos rapazes da Selecção Nacional pela grande atitude que tiveram na quadra de jogo nos três jogos que realizaram no Grupo-C”, frisou.
Sérgio V. Dias/No Cuito


VATICÍNIO/TÍTULO
Adeptos no Bié estão divididos


Após a disputa do primeiro turno do Mundial de Hóquei em Patins, onde as equipas de Portugal, Espanha, Itália, Argentina, França, isto só para citar algumas, fizeram jus aos seus pergaminhos de candidatas ao título, os adeptos bienos já fazem contas em relação a essa disputa. Portugal, Espanha, Argentina e Brasil são os conjuntos mais visados pelos adeptos, que se mostram divididos nas suas opiniões.

Edson Guevara do Santos Coronho aponta a sele ção lusa como o mais sério candidato ao título, reiterando também o desejo de ver uma final entre as equipas de Portugal e Brasil, dois países que têm o português como língua oficial.

Por sua vez, Gilda Tavares sublinha o facto de nesta fase as equipas jogarem sob pressão, mas ainda assim, mantém a crença de que a Espanha possa revalidar o título, sem descurar a possibilidade de a Argentina, Itália e Portugal chegarem também ao pódio.

Waldir Carlos Correia, à semelhança de Edson Coronho, coloca Portugal na vanguarda dos potenciais candidatos ao título deste Campeonato do Mundo. “A meu ver, Portugal surge como principal candidato à conquista deste Campeonato do Mundo, a julgar pelos argumentos que tem em termos de hóquei em patins”, disse.
Sérgio V. Dias


LUSOFONIA
Moçambique grande revelação


Depois da não qualificação de Angola aos quartos de final deste Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, Portugal, Brasil e Moçambique surgem como os únicos países lusófonos que asseguram o passe para esta fase.

Neste sentido, o jovem Waldir Carlos Correia aponta a selecção moçambicana como umas das grandes revelações do campeonato, principalmente por ter vencido, com alguma ousadia, os Estados Unidos da América e a Colômbia no Grupo-D.

Na óptica do interlocutor do Jornal dos Desportos, apesar de enfrentar a forte selecção de Portugal,o conjunto do Índico pode voltar a surpreender mundo, depois do excelente quarto lugar alcançado em de Vigor e Pontevedra, na Espanha, em 2011. “Depois da não qualificação de Angola, penso que Moçambique, na qualidade de país lusófono, pode, também, salvar a honra africana, com a conquista de um lugar honroso. Se conseguir manter a sexta posição, que havia alcançado na Espanha, já será muito bom para sua campanha em mais uma montra do hóquei patins mundial”, disse.

Waldir Carlos destaca, ainda, os grandes ganhos que o país obtém com a realização desse Campeonato do Mundo. “O nosso país alcança, assim, uma grande conquista. Ganha três pavilhões multi-usos e isso pode fomentar a prática da própria modalidade a nível dos vários pontos de Angola”, concluiu o interlocutor do “JD”.
SVD | NO CUITO