Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Maquis tem situao tremida

Daniel Melgas-Luena - 23 de Junho, 2015

Jogadores e tcnicos maquisardes esto sem salrios h trs meses e director assegura que a situao complicada

Fotografia: Jos Cola

O director para o futebol do FC Bravos do Maquis, Pauto Tomás, anunciou ontem no Luena, que a equipa pode desistir do Girabola 2015 antes do jogo com Académica do Lobito, agendado para o próximo dia 11 de Julho, em Benguela, devido à “gritante” falta de recursos financeiros. “Se até o dia 28 ou uma semana antes do início da II volta do campeonato, não haver recuo por parte do patrocinador (Caixa Social das Forças Armadas Angolanas) e os apoios que nos foram prometidos não surgiram de facto, em minha opinião pessoal, o FC Bravos do Maquis tem de lançar a toalha ao tapete, para não ter um início da segunda volta e surgir ou ferir a verdade desportiva, com faltas de comparência”, disse.

Informou, que face à falta de valores monetários, os mais de 300 trabalhadores que o clube controla, entre atletas, equipas técnicas e funcionários administrativos, encontram-se com quase quatro meses sem ordenados, o  que está a causar constrangimentos de vária ordem, pois os funcionários têm rendas de casa a pagar, colégios e outras despesas.  Aos jogadores, de acordo Paulo Tomás, falta-lhes alguns prémios de jogos, temem que esse factor venha a condicionar os objectivos preconizados para a II volta do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão.

“O próximo jogo será no Lobito, temos de nos deslocar até Luanda em voo da companhia de bandeira (TAAG) e passarmos lá a noite, são despesas avultadas. No dia seguinte, vamos ao Lobito, mesmo de autocarro e vamos pernoitar, são outras despesas, e como se não bastasse, temos outros agravantes com emolumentos que temos de pagar junto da Federação em função das aquisições que fizemos ao nosso futebol jovem que tem de ser inscrito”, lamentou.

Paulo Tomás disse compreender o momento que o país vive, o da fase da contenção de despesas, porém, disse que contenção não significa cortes totais. “É apenas um funcionário que está a falar, a direcção do clube tem sua estratégia de como ultrapassar isso, mas a população do Moxico e os adeptos não têm nada a ver com isso”, referiu.

AVALIAÇÃO
“Primeira volta foi negativa”

A má pré-época competitiva realizada em Benguela,  serviu de plano B depois da desistência do programa que visava o trabalho em Portugal, por falta de dinheiro, constituiu o principal problema do insucesso do FC Bravos do Maquis durante a primeira volta do Girabola 2015. “Entramos para competição, começamos a ganhar  ritmo na quinta e sexta jornada, mas ainda assim era importante manter a veia ganhadora fora de casa.

Por isso, no capítulo desportivo, consideramos negativo devido à pontuação, a época anterior não teve constrangimentos como neste ano”, reconheceu, em função das sete derrotas, cinco vitórias e três empates, com 17 golos marcados e 21 sofridos, ficando na décima posição com 17 pontos.

Paulo Tomás adiantou que no “capítulo desportivo, não foi positiva a nossa primeira volta, também não foi negativa na totalidade. Não perdemos qualquer jogo em casa, mas fora de casa só conseguimos um ponto, por isso, não foi uma boa primeira volta”. O director Paulo Tomás justificou que para quem observa o jogo e conheça a modalidade tem de voltar em Janeiro e ver que a pré-época do FC Bravos do Maquis, depois de ter tudo preparado para o dia 12 seguir para Portugal, “tivemos de refazer tudo e partir para Benguela, em autocarro de carreira normal e lá tivemos que competir com equipas do Girabairro”.

Apesar das dificuldades financeiras que vive o clube maquisarde, Paulo Tomás perspectiva uma boa segunda volta e confirmou que quatro jogadores do FC Bravos do Maquis, que actuavam na segunda Liga B portuguesa, em jeito de formação, vão reforçar o clube na segunda volta do Girabola 2015. Trata-se de Bruno, Kiloy, Sapalo e Paizinho.

Par além dos quatro jovens, a equipa vai ser reforçada com Alex, guarda-redes que representou a selecção de Sub-17 e o veterano Breco que regressa ao clube, depois de representar por duas épocas o Kabuscorp do Palanca. Sonito e Joca, o primeiro por inadaptação e o outro por falta de rendimento, foram emprestados à Académica do Lobito.
DM

RESOLUÇÃO
Apesar do silêncio em que se remeteu o patrocinador oficial do FC Bravos do Maquis, a Caixa da Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (CSSFAA), o director para o futebol do FC Bravos do Maquis, Paulo Tomás, acredita que os responsáveis daquela instituição vão recuar nas decisões tomadas, face à importância do futebol em Angola e as 300 famílias que dependem do clube do Leste.

“Os angolanos são pessoas sérias. O desporto em geral é sustentado pelo Estado, não tem como viver de outra forma. Fomos aconselhados a fazer o marchandising e contactos com outros empresários, fizemo-los, mas não é suficiente. Estamos em dificuldades e pagar salários é básico. A bíblia diz que é pecado não pagar salários aquém trabalha. Acredito na boa vontade das pessoas e era bom que o Maquis terminasse bem a época e depois reequacionasse a situação no final do ano, até porque os adeptos e a população do Moxico, que gosta tanto de futebol, não têm nada a ver com isso”, disse.

Apesar das dificuldades, o responsável assegurou dedicação e entrega total dos jogadores, embora receia que a falta de salários há três meses, possa prejudicar o desempenho do clube. Por outro lado, Paulo Tomás informou que durante a primeira volta do campeonato, viu “mãos invisíveis” em dois jogos (não precisou) que prejudicaram a equipa do Moxico. Apesar disso, o director para o futebol do Maquis acredita que a história de que a “segunda volta é para os dirigentes” vai desaparecer.

“Tenho fé que a história de que a segunda volta é dos dirigentes vai desaparecer, em função de algumas declarações algo contundentes e apoio a 100 por cento do jovem presidente Horácio Mosquito, que teve a coragem e diz ter provas, de trazer a público aquilo que todo mundo sabia, sobre a corrupção no futebol e ninguém tinha antes dito abertamente tal como ele fez”, disse.
DM