Jornal dos Desportos

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Girabola

Mrio Calado contra paragens

Paulo Caculo - 20 de Julho, 2017

Mrio Calado voltou a criticar ontem as constantes paragens que se registam no Girabola Zap

Fotografia: Jos Cola | Edies Novembro

Mário Calado, antigo treinador do 1º de Agosto, Santos FC, e Progresso do Sambizanga, voltou a criticar ontem as constantes paragens que se registam no Girabola Zap, em declarações ao Jornal dos Desportos. O técnico considera que a actual direcção da Federação está a cometer os mesmos erros dos antecessores.

\"Não podemos aceitar mais, que a Federação páre o Girabola\", atirou sem evasivas, para em seguida acrescentar que \"não existe no mundo\" campeonatos que registem tantas paragens, como o angolano.

\"O Girabola não pode parar 40 a 60 dias. Quem consegue dar uma explicação? O problema está na fragilidade e no amadorismo dos clubes que aceitam de uma forma passiva, que os seus atletas fiquem um mês fora do clube, e depois pagam salários\", disse.

Segundo ainda o treinador, a FIFA estabelece os períodos de dispensa de atletas para as selecções, que não ultrapassam os sete dias, obrigatoriamente. E, acrescenta que mesmo nos casos de dispensa de atletas para os Campeonatos do Mundo, \"os processos de preparação são de 15 dias\", recordou.

\"Todas as selecções realizam processos de preparação, e não existe um mês de preparação, porque tem a seguir outras estruturas competitivas\", razão pela qual afirma que Angola quebrou os regulamentos estabelecidos para a estrutura competitiva.

\"Sempre pensei, que a nova estrutura da Federação já não permitisse isso,  vejo  que estamos perante um processo de continuidade das coisas erradíssimas, que os outros faziam e as pessoas continuam a repetir. Alguma vez esta estrutura central da Federação reuniu com os especialistas do futebol? Nunca. Como é que teremos profissionais quando não falamos com os profissionais\", questiona-se Mário Calado.

O treinador diz estar optimista em relação ao futuro da selecção nacional nas eliminatórias de acesso para a fase de grupos do CHAN, do Quénia. Justifica a crença com o facto, de enquanto profissionais trabalhar com base na pedagogia, que ensina a encarar sempre os desafios com optimismo.

\"No decurso das nossas vidas e do nosso trabalho, muito embora a selecção nacional tenha um quadro muito difícil, a realidade é que temos de pensar positivo. Agora, o surgimento de novas estruturas que têm a responsabilidade do futebol, não podem acompanhar os erros constantes e permanentes das estruturas anteriores\", revelou.

\"Os profissionais do futebol, obrigatoriamente, têm de falar de futebol. Eles têm de ser muitos mais activos, doa a quem doer, para que modifiquem a forma de pensar e de estar no futebol\", referiu.

Mário Calado considera que a opinião pública está a ser muito branda, com todos os elementos que compõem a estrutura da Federação. Critica o facto de afastar \"nos nossos modestos comentários\" estes assuntos, com receio de  criar dificuldades para os seus trabalhos.

\"Penso que esta não é a forma de contribuir, para que o crescimento do futebol seja efectivo, porque o nosso silêncio significa dizer concordância. Temos de dizer que não estamos de acordo, durante estes anos todos, com a forma como é dirigido o futebol. O futebol não é, isso, que as pessoas fazem”, disse