Jornal dos Desportos

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Girabola

Militares fazem valer estatuto

Jorge Neto - 01 de Maio, 2017

1º de Agosto vence o Interclube

Fotografia: Santos Pedro / Edicões Novembro

Um golo do avançado Rambé, aos 15 minutos, foi suficiente para o 1º de Agosto derrotar ontem o Interclube, no dérbi luandense, onde a primeira parte foi dominada pelos militares e a segunda pelos polícias, que podem queixar-se de si mesmos por terem falhado o empate.

O técnico Dragan Jovic teve a primeira contrariedade aos 5´, com a lesão do lateral esquerdo Natael, o que obrigou a Mingo Bile. Porém, os agostinos mantiveram à sua táctica e chegaram ao golo aos 15´, por intermédio de Rambé, a finalizar um cruzamento de Paizo. O cabo-verdiano recepcionou no peito e diante de Neblú rematou a contar.

Aguardava-se pela resposta dos azuis e brancos, que em desvantagem tinham de procurar os melhores caminhos para chegar com perigo à baliza de Julião, até então, um mero assistente no jogo. Contudo, importunavam mais nas jogadas de bola parada. Do lado dos militares, Rambé foi sempre uma autêntica "dor de cabeça" para os defesas adversários, principalmente no jogo aéreo, onde com alguma facilidade batia os seus opositores, esteve perto do golo em outras ocasiões.

Aos poucos o desafio tomou uma toada mais veloz com os polícias a subirem mais no terreno, Mano e Tó Carneiro destacavam-se, mas faltava eficácia. Apesar de não temerem o 1º de Agosto e encararem o adversário "olhos nos olhos" os pupilos de Paulo Torres sentiam dificuldades em finalizar com êxito as suas jogadas. Foi sobretudo nos minutos que antecederam o intervalo que a formação do Rocha Pinto inclinou o campo a seu favor e os militares exploravam o contra-ataque.

No segundo tempo, os azuis e branco entraram dispostos a inverter a desvantagem, assumiram o controlo da posse de bola e procuraram jogar mais no meio-campo do adversário. Acreditavam que podiam chegar ao empate, retirando a iniciativa ao 1º de Agosto, que tinha dificuldades em sair com o esférico controlado.

Paulo Torres refrescou a sua defesa e o meio-campo e continuou a pressionar os campeões nacionais, que continuavam a adoptar uma atitude de consentimento, criando poucas oportunidades de perigo para a baliza de Neblú. O jogo só dava mais Interclube.

Se houvesse justiça no futebol a atitude dos polícias era meritória do golo da igualdade, mas a realidade é diferente e o resultado mantinha-se a favor dos militares, que defendiam bem o seu último reduto, deixando inconformado o técnico Paulo Torres, que não se sentou durante quase todo o desafio, puxando pelos seus jogadores. 

Contudo, o resultado não mais se alterou e o empate premiou o golo dos militares e a falta de eficácia atacante dos polícias, que nunca viraram a cara à luta.

DESPORTIVO -1   VS   PROGRESSO- 1
Militares huilanos falham novo alvo 


A determinação, a atitude e a vontade de triunfar decretada pelo técnico Mário Soares, do Desportivo da Huíla, horas antes do jogo, revelaram-se insuficientes para vencer o Progresso Sambizanga, com quem empatou ontem, a uma bola, no estádio do Ferroviário, no Lubango, em desafio da 12ª jornada do Girabola Zap 2017.

Os militares da região Sul, bastante perdulários e sem capacidade, permitiram sempre a defesa ao guarda-redes contrário, outras vezes atirando a bola ao poste e noutras desperdiçando as oportunidades para a linha final.

Ainda assim, foi a custa de um embalo ofensivo de contra-ataque que os comandados de Mário Soares chegaram ao golo. Yuri isolado na grande área em sentido progressivo diante do guarda-redes Nyame é derrubado por Buchinho. O árbitro Benjamim Andrade, próximo do lance assinalou para o castigo máximo. Chiquinho, indigitado para a cobrança, fê-lo com perfeição. Estavam decorridos 24 minutos de jogo.

O adiantamento dos visitados no marcador alimentou a convicção de que o triunfo seria um facto. A concorrer para isso, estava o domínio que o Desportivo impunha ao adversário. Ainda assim, o Progresso não se deixava abalar. Manteve-se fiel à sua estratégia com acções ofensivas continuadas e contra-ataques rápidos, mais descaídas para o lado direito em que se destacava o irrequieto e habilidoso Vá.

E como "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", a firmeza da equipa sambila viria a surtir efeito aos 43´. Numa altura em que Mário Soares já idealizava o redefinir da estratégia para a segunda parte, o Progresso entra em acção e surpreende dois minutos antes do intervalo. Patrick, avançado visitante, destaca-se entre a muralha defensiva dos militares da Região Sul, em plena pequena área ganha posição e vantagem na disputa da bola e atira sem apelo para o fundo da baliza.

Na segunda parte, a toada do jogo manteve-se. O Desportivo dominou mas sem capacidade de traduzir em golo as inúmeras oportunidades que criou. Do lado oposto, esteve a força da convicção, firmeza mas também luta, daí a repartição de pontos que prevaleceu até ao apito final do árbitro.
Com uma actuação discreta, o árbitro Benjamim Andrade não teve influência no resultado. Bem fisicamente, o que lhe permitiu seguir de perto os lances do desafio, mostrou entrosamento com os seus assistentes. 
BENIGNO NARCISO, NO LUBANGO

ARBITRAGEM   
Apito clássico


Os receios da direcção do 1º de Agosto, dias antes do dérbi, que resultou numa carta dirigida à Federação Angolana de Futebol (FAF), a protestar a actuação do árbitro Hélder Martins em jogos anteriores dos militares, acabou por merecer uma boa resposta do juiz angolano. Ou seja, o internacional angolano teve uma actuação positiva, não comprometeu e esteve ao nível do desafio, acompanhou as jogadas de perto. Sancionou e bem técnica e disciplinarmente os atletas, sobretudo nos minutos finais, com mostragem em várias ocasiões do cartão amarelo. Hélder Martins não foi o centro das atenções, daí que por esta via, ficar provado que não teve influência no resultado final do jogo. Bom trabalho!

MELHOR EM CAMPO
Reforço decisivo


O avançado Rambé, do 1º de Agosto, foi decisivo na vitória da sua equipa ao marcar o único golo do dérbi e esteve perto de bisar em várias ocasiões. Foi um grande tormento para os defesas da formação da Polícia, os centrais Fabrício e Valdez, que em algumas jogadas tiveram de pará-lo apenas com uma falta. No primeiro tempo o cabo-verdiano teve de aguentar as dores derivadas das faltas para continuar em campo. Pelo golo que marcou e pela forma como fê-lo mostra que está mais confiante, tornando-se já numa certeza no ataque militar.

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
"Controlámos o jogo"


"O treinador do Interclube estudou-nos bem, felizmente marcámos um golo no primeiro tempo e soubemos gerir o resultado. No segundo tempo o Interclube não nos deixou jogar o nosso futebol, ainda assim soubemos controlar o jogo. Os jogadores estão de parabéns, atingimos o objectivo que trazíamos para este desafio e agora só nos resta pensar no próximo jogo".
Ivo Traça 1º de Agosto


"Fomos atrás do resultado"

"Foi um bom jogo, lamento o facto de sofrermos um golo muito cedo, num passe de 40 metros, que acabou por condicionar o jogo. As duas equipas jogaram bem, a nossa equipa tentou chegar ao empate, criámos algumas situações mas não finalizámos. O que fica neste jogo é o carácter dos meus jogadores acima de tudo. O jogo esteve equilibrado, fomos atrás do resultado, mas infelizmente não conseguimos marcar um golo".
Paulo Torres Interclube