Jornal dos Desportos

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Girabola

Militares isolados na liderana

Jorge Neto - 11 de Fevereiro, 2019

A vitria do 1 de Agosto sobre o Petro de Luanda motiva os militares que conservaram a liderana

Fotografia: Edies Novembro

Frango, golo, bola ao poste, reclamação de grande penalidade, dribles, falhanços com a baliza aberta e muita festa nas bancadas, foi o que se viu no clássico dos clássicos do futebol nacional, que terminou com a vitória do 1º de Agosto sobre o Petro de Luanda pelo resultado mínimo, mas motivador para os militares, que conservaram a liderança no Girabola ZAP.
Quando tirou a bola ainda na zona do meio campo, evitando  que Vá chegasse a ela, certamente que Dany Massunguna não imaginou que daria em golo, beneficiando das mãos escorregadias do guarda-redes Gerson, que terminou o jogo de sábado complemente desolado. 
Os petrolíferos foram os primeiros a rematar, numa jogada de entendimento entre Toni e Tiago Azulão, mas a bola saiu ao lado da baliza de Tony Cabaça.
Nelson da Luz mostrou também que estava presente no início do jogo, tirou dois adversários do caminho e mesmo sendo agarrado pela camisola, seguiu em frente até a bola perder-se pela linha do fundo, sob o olhar passivo do árbitro João Goma.
Mabululu entrou na festa e do clássico, aos 15´tendo desperdiçado uma flagrante oportunidade de golo, com a baliza aberta atirou para cima, para o espanto de todos os adeptos presentes no estádio 11 de Novembro.
Os petrolíferos responderam aos 20´, com uma cabeçada de Vá, que se tivesse a direcção certa inauguraria o marcador para a turma de Beto Bianchi. Apesar de terem menos posse de bola, os tricolores conseguiram criar mais perigo a baliza de Tony Cabaça.
O jogo dava sinal mais para os militares, que criaram um maior fluxo de jogadas ofensivas e só não marcaram devido a falta de eficácia. Foram vários os rematadores, Nelson da Luz, Mabululu, Mongo e Paizo.
Ambas equipas movimentavam-se bem no jogo, os militares com maior posse de bola, enquanto os petrolíferos, com um futebol mais pragmático, faziam chegar o esférico o mais rápido possível a baliza adversária.
 O golo surgiu aos 39´, por Dany Massunguna, que beneficiou de um \"frango\" do guarda-redes Gerson, que deixou escapar a bola das suas mãos, quando, aparentemente, tinha a situação controlada. Os \"karagós\" festejaram nas bancadas.
Na resposta, aos 44´, os tricolores quase chegavam ao empate, mas Tony não teve arte para \"bater\" Tony Cabaça, num frente a frente. Foi uma situação clara de perigo eminente, mas o guarda-redes agostino mostrou, mais uma vez, as suas credenciais.
Os militares foram ao intervalo com uma magra vantagem, mas suficiente para encarar com maior confiança o segundo tempo, que se antevia de grande intensidade e decisivo para o resultado final.
No segundo tempo, Dragan Jovic foi o primeiro a mexer no seu xadrez, com a saída de Mongo e a entrada de Buá, numa clara intenção de dar maior consistência ao meio campo, já que o congolês democrático não esteve nos seus dias. Minutos depois entrou Jacques para o lugar de Mabululu, de modos a refrescar o ataque.
Mais tarde foi a vez de Beto Bianchi alterar as suas peças, mas com pouco resultado prático, já que as saídas de Manguxi e Job, para as entradas de Carlinhos e Mateus, não trouxeram nada de novo, além de um cruzamento do primeiro, que embateu no poste defendido por Tony Cabeça, já nos descontos de tempo, com algumas culpas para o guarda-redes militar, que foi traído pelo golpe de vista.
O \"pequeno\" Vá deu muito nas vistas, travou fortes duelos com os altos centrais agostinos, Dany Massunguna e Bobó, tendo levado a melhor em alguns lances e perdeu outros, mas sempre muito mais interventivo do que Tiago Azulão, que ia aparecendo de forma esporádica. Ainda assim com sentido de baliza.   
O tempo passou e os tricolores não conseguiram chegar a igualdade, somando mais uma derrota na era do técnico Beto Bianchi diante dos arqui-rivais e dando maior confiança aos tri-campeões nacionais, que vão aguardar pelos dois jogos em atraso dos petrolíferos, para saberem se terminarão na liderança isolada do campeonato, nesta primeira volta.   


RENDIMENTO
Papel “em branco”, Job “bem apagado”

Os dois jogadores, pelos quais os adeptos das duas equipas depositaram grandes esperanças, acabaram por não dar muito nas vistas do jeito que se esperava. Job e Ary Papel não desequilibraram.
Depois da equipa médica e técnica dos petrolíferos criarem uma grande incógnita, durante a semana, sobre a utilização ou não de Job neste desafio, eís que o jogador não só fez parte das opções como entrou no onze inicial de Beto Bianchi. Talvez por treinar condicionado, em função da lesão nas costas, tenha-se reflectido na sua actuação. Foi pouco participativo e os poucos remates levaram a direcção errada.
Em relação a Ary Papel apareceu mais no jogo, porém sem criar grande perigo a baliza defendida por Gerson. Chegou a estremecer os defesas petrolíferos, mas no momento decisivo errava o alvo.
Devido às actuações \"apagadas\", os dois jogadores foram substituídos de forma simultânea, Ary aos 79´e Job aos 80´, deixando um amargo de boca aos seus adeptos, que certamente queriam ver mais dos dois jogadores.
O presidente do Petro de Luanda, Tomás Faria, disse, à saída do clássico de sábado, que a derrota (0-1) frente ao 1º de Agosto contraria a postura apresentada pela sua equipa, no jogo assistido por mais de quarenta mil pessoas, onde, também, no seu dizer,  não teve a sorte do seu lado nas oportunidades que criou ao longo do desafio.
\"É um resultado negativo de facto, mas ainda faltam dezassete jogos. Vamos procurar somar pontos para tingir os nossos objectivos, que é sempre vencer os jogos na caminhada ao título\", frisou.
O líder da equipa do eixo-viário admitiu que o seu grupo foi melhor do ponto de vista táctico e teve pela frente um adversário com nível de maturidade do Petro  de Luanda. Também o treinador, Beto Bianchi, admitiu que a derrota (0-1) da sua equipa diante do 1º de Agosto não apaga a boa exibição dos seus jogadores, que além de dominarem a partida fizeram uma exibição, que valoriza o futebol nacional e garantiu um Petro mais forte ou igual, nos dois jogos em falta para a conclusão da primeira volta do campeonato, diante do Sagrada Esperança e Desportivo da Huíla, a 16 e 20 do corrente.
O treinador adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, admitiu que a vitória (1-0) diante do Petro de Luanda foi fruto de enorme sacrifício, dada a grandiosidade das duas formações.


ADEPTOS
Bancadas cheias
coloriram estádio


O público não se fez rogado, acedeu ao apelo dos órgãos da comunicação social durante a semana e compareceu em massa no estádio 11 de Novembro, para puxar pela sua \"equipa do coração\". Faltou pouco para as bancadas estarem preenchidas, com uma assistência a rondar as 35 mil almas. As cores mais visíveis eram o vermelho e o amarelo, afectas aos dois maiores emblemas do país.
Foi bonito ver a festa nas bancadas, protagonizadas pelos adeptos dos dois lados, entoando os habituais cânticos a exaltar as suas equipas, numa tarde de muito calor. Contudo, no segundo tempo, a temperatura ficou amenizada e mais favorável para a prática do futebol.
Os adeptos adoptaram uma atitude de \"fair play\", mostrando que estavam comprometidos apenas com o futebol, evitando cenas que manchassem o espectáculo protagonizado no relvado. Já faz parte do passado, àquelas cenas desagradáveis no final do jogo de brigas entre os adeptos dos dois clubes, que aceitaram o resultado tal como ele aconteceu.

Ana do sacramento
Ministra elogia
o "fair play"

A ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto, disse, após o jogo, que no duelo entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda o fair -play esteve patente.
A governante falava à imprensa no final do jogo realizado no estádio 11 de Novembro, em que o 1º de Agosto venceu (1-0), com golo do capitão Dany Massunguna, ainda na primeira parte do desafio.
“Foi um jogo com fair-play e é assim que nós gostamos de ver o 11 de Novembro com adeptos satisfeitos”, salientou a ministra, no mesmo dia em que houve uma campanha, que conta com o apoio do Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas (UNICEF), é promovida pelo Ministério da Juventude e Desportos em colaboração com o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos.
Nesse acto particular, os capitães de ambas equipas, Dany Massunguna e Job afirmaram nas respectivas comunicações “registe já a sua criança - ela tem direito à paternidade”, perante a um estádio com mais de 35 mil espectadores. Na ocasião, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, afirmou ser importante o desenvolvimento da campanha aliada aos desportistas, maioritariamente jovens, faixa etária onde se incide tal problemática.
Em Angola o Ministério da Família e Promoção da Mulher adoptou uma política para combate à fuga à paternidade.  A perda de valores morais por parte de certos progenitores tem sido a causa de muitos casos de fuga à paternidade registados no país, segundo estudos.