Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Militares mantêm avanço

Paulo Caculo - 17 de Outubro, 2016

Basta dizer que a equipa militar

Fotografia: Santos Pedro

Aos avançados Ary Papel e Gelson pode o 1º de Agosto agradecer os três pontos alcançados na difícil vitória conseguida ontem diante do Kabuscorp do Palanca, por 2-0, em que o resultado ajusta-se perfeitamente ao excelente labor patenteado pelos militares durante os regulares 90 minutos.

Basta dizer que a equipa militar dominou quase todo o jogo, sobretudo os primeiros 45 minutos, período em que teve uma "mão cheia" de oportunidades de golo para marcar.

E é bom que se diga igualmente que a equipa às ordens de Dragan Jovic pode queixar-se da falta de sorte, pois foram inúmeras as ocasiões em que Gelson, Bua e Ary Papel estiveram na "cara" do golo. Umas vezes a bola encontrava um jogador do Kabuscorp, o guarda-redes ou o poste e o travessão...

Se, por um lado, os avançados do 1º de Agosto revelavam clara ineficácia ofensiva, por outro, não deixa de constituir verdade o facto da ansiedade ter sido também uma nota predominante no ataque do conjunto militar.

Enquanto isso, o Kabuscorp tentava ripostar, como podia, à enorme pressão a que esteve sujeito durante quase todo o jogo. Incapaz de furar a muralha defensiva montada pelo adversário, a turma orientada por Romeu Filemon apostava, na maioria dos casos, por remates à longa distância, na tentativa de apanhar de surpresa o guarda redes Rubian que, diga-se, era a unidade mais valiosa do conjunto palanquino.

A segunda parte realmente foi muito mais equilibrada ou pelo menos houve momentos de maior divisão da posse de bola e de ocasiões para marcar.
Ainda assim pertencia quase sempre aos militares as situações mais flagrantes de golo, porém desperdiçadas pelos avançados. O trio composto por Bua, Gelson e Ary Papel era potente a "desmontar" a defesa do Kabuscorp, mas pecava sempre na finalização.

 Dado o evidente festival de falhanços protagonizado pelo ataque do 1º de Agosto, chegou a pensar-se que o nulo seria o resultado mais provável.
Foi preciso esperar até ao minuto 75 minutos para assistir o conjunto militar a respirar e alívio. O golo de Ary Papel foi, sublinhe-se isso, uma consequência natural da acção demolidora do ataque do 1º de Agosto e dos rasgos individuais de Bua.

O camisola 7 dos militares teve todo o mérito na jogada, ao afastar do caminho o seu opositor e desferir um potente remate, defendido com dificuldades por Rubian, para Ary Papel emendar como êxito, num remate forte e colocado.

O golo acaba sendo justo para o 1º de Agosto, sobretudo pelo facto de ser a equipa que mais fez pela "vida" durante os 90 minutos regulamentares.
Do Kabuscorp fica a imagem de um conjunto que, embora soube lutar até ao fim, não teve arte e engenho para suster o enorme caudal ofensivo do adversário e muito menos sacudir a pressão a que esteve sujeito durante quase todo o jogo.

Mas quando já se pensava que o 1-0 seria o resultado final, eis que os militares numa jogada de belo efeito conseguem ganhar um penálti de falta sobre Gelson, na área, que na transformação não perdoou.

PREOCUPANTE
Caála consente empate em casa

O Recreativo da Caála não conseguiu ontem em casa, mais do que um empate (0-0) com o Sagrada Esperança da Lunda Norte e, com este resultado está  agora com 31 pontos.

A equipa não cumpriu com a profecia do técnico quando na véspera do desafio disse que só pensava numa vitória porque era o único resultado que favorável nesta fase derradeira do campeonato, de modo a concretizar os objectivos do clube que passam pela garantia da sua permanência no Girabola.

Para o efeito, disse que os atletas foram submetidos durante, porém o jogo revelou que não se concretizaram o delineado nas sessões de treinos em que se fez trabalhos correccionais dos aspectos tácticos e técnicos, sobretudo de posicionamento, posse e circulação de bola.

Ao técnico e à sua equipa resta trabalhar para vencer nos próximos jogos. Antes do jogo com o Sagrada Esperança Alberto Cardeau disse  que as interrupções que se registaram no campeonato, devido aos compromissos da selecção nacional, têm influenciado para a má prestação da  sua equipa na segunda volta.

"A equipa encontra-se numa zona do país que não lhe possibilita fazer jogos de controlo durante as interrupções no campeonato, por falta de mais clubes", lamentou. A sua equipa, que não ganha desde a 19ª jornada.

ÚLTIMAS JORNADAS
Aviadores lutam pela permanência


O treinador principal do Atlético Sport Aviação (ASA), José de Carvalho "Corola", admitiu neste sábado, em Luanda, que a derrota por 3-0 diante do Petro de Luanda deveu-se as sucessivas falhas cometidas pelos seus atletas na abordagem aos detalhes do jogo, mas ainda há trabalho á frente para bons resultados.

"O ASA continuará a trabalhar para mudar o rumo dos acontecimentos nas duas últimas jornadas que faltam para o fim do campeonato nacional da 1ª divisão, com vista a assegurar a sua permanência no Girabola do próximo ano", prometeu. No sábado, o treinador disse que a sua equipa cumpriu apenas a estratégia na primeira parte do encontro, uma vez que no segundo período do jogo o ASA deixou de ser uma equipa equilibrada.

 “Fizemos uma primeira parte bem equilibrada. O golo sofrido aos 49 minutos quebrou toda estratégia da equipa, tudo através do mérito do Petro de Luanda”, rematou. “Estivemos mal no jogo porque a equipa não correspondeu com aquilo que se esperava fazer diante do adversário. O jogo é ganho e também perde-se nos detalhes e foi ai que o ASA perdeu o encontro”, reconheceu o líder dos aviadorese que na próxima jornada defrontarão o Benfica de Luanda.

ASCENSÂO
Sambilas travam
a marcha triunfal do campeão

Um excelente cabeceamento do avançado Yano,  na grande área do Libolo, aos 84',  permitiu ontem no Estádio dos Coqueiros, ao Progresso Sambizanga saltar da crise que vinha vivendo até à jornada anterior. Ganhou, por 1-0, e somou gora 36 pontos, à saída da 27ª Jornada do Girabola ZAP.

 Com esta vitória, os sambilas atrasaram  a marcha triunfal da equipa da vila de Calulo na perseguição ao título num jogo que começou com um pouco de nervosismo sobretudo pela equipa da casa. Em função disso, os visitantes começaram a fustigar o último reduto do adversário com vontade de marcar cedo. A equipa sambilas foi respondendo pela mesma moeda.

Aos 16 minutos de  jogo, Celso  rematou muito forte, mas a bola passou por cima da baliza. O arbitro da partida também já tinha assinalado posição irregular do jogador sambila. Aos 18 minutos', Luís Filipe, numa bela jogada, deferiu um forte remate que teve uma defesa arrojada do guarda-redes Nyame.

Com jogadas bem delineadas pela equipa da vila de Calulo, aos 20 minutos  foi a vez de Kaya a tentar a sua sorte, mas também não teve sucesso.
A jogar fora de casa com poucos adeptos, a equipa do Libolo mostrava um futebol com toda a sua naturalidade. Aos 25' chegou mesmo ao golo por intermédio de Kaya, mas o arbitro da partida anulou-o, alegando que o jogador tinha tocado a bola com a mão.

O primeiro grande sinal de perigo para o Progresso aconteceu ao 28 minutos com remate de Silva a passar rentinho por cima da barra travessão da baliza de Lando que criou um calafrio dos poucos adeptos do Libolo presente no estádio. A equipa de Libolo reagiu e aos 39 minutos  Nandinho quase que marcou, não fosse a rápida intervenção do guarda-redes Nyame. Foi uma situação idêntica com Kaya, a voltar a ameaçar a baliza de sambila que teve pronta intervenção para evitar o pior.

Até ao intervalo, realce para várias oportunidades de golos para o Libolo com defesa do guarda-redes sambilas. No reatamento do jogo os sambilas entraram melhor. Chegaram várias vezes à baliza adversaria, mas...  à terceira foi de vez: na sequência de uma jogada rápida que partiu de  Lunguinha, este  passou a bola para Yano que estava no sitio certo e mandou a bola de cabeça para o fundo das malhas sem qualquer defesa de Lando. O golo acordou as bancadas.

O Libolo reagiu ao golo sofrido e foi impondo o seu jogo. Todavia foram os sambilas que mais oportunidades  tiveram através do próprio Yano em duas ocasiões para ampliar o marcador, situação que levou o guarda-redes Lando 92 minutos a abandonar a sua baliza para o sector atacante que chegou mesmo a cabecear a bola por duas vezes  para cima da baliza defendida por Nyame.
AVELINO UMBA