Jornal dos Desportos

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Girabola

Militares miram penta quase sem concorrncia

Betumeleano Ferro - 17 de Agosto, 2019

Os dirigentes dos polcias do a sensao de que os seus treinadores esto sujeitos a um padro infalvel, a bem da verdade, a maneira como se cobra tem mesmo atrapalhado

O 1º de Agosto é o candidato dos candidatos do Girabola Zap 2019/2020. O retorno da ditadura militar levou o campeonato de volta à sua forma inicial, há uma equipa que é dona e senhora da competição e que olha ao redor para ver rivais, na verdade aparenta haver apenas um, o Petro de Luanda, que anda distraído a dar tiros nos próprios pés, sem se importar com as batidas na porta da prova, que quer entrar para testar os que dizem ter efeitos apostas para o título nacional.
A ambição do inédito penta vai comandar a campanha militar no campeonato, embora ninguém aceite reconhecer, é mesmo verdade que a reserva estratégica de 6 pontos com que o 1º de Agosto inicia o Girabola Zap dá uma margem segura de manobra, que mais nenhuma das equipas com rótulo de candidato tem. Intocável contra o Desportivo da Huíla, o sonho de igualar o Petro, único penta do nosso futebol, só pode ser beliscado se os militares não forem capazes de repetir a fórmula das últimas épocas.
O Petro de Luanda está a gastar energias com questões de somenos importância, o que aparenta ser uma questão de ego é capaz de afectar o rendimento durante a época. A primeira convocatória de António Cosano ficou marcada pela ausência de Job, o consagrado capitão esteve na porta de saída mas foi reabilitado, o que levantou uma série de perguntas, que o técnico deixa ler nas entrelinhas que já foram respondidas com o jogo das Afrotaças.
Se Job vai ou não ser mais um fardo, é uma questão interessante demais, mas com ou sem Job o técnico Cosano não tem liberdade de escolha, a direcção quer e os adeptos exigem o título e nada mais. Para matar o borrego, os tricolores têm de estabelecer metas infalíveis sobretudo nos jogos com o 1º de Agosto e o Desportivo da Huíla, dois dos carrascos que mais têm contribuído para o fracasso na corrida ao título.
Até que outras equipas provem o contrário, a bipolarização é capaz de prevalecer de pedra e cal no campeonato angolano, por mais que outras equipas se apresentem como candidatos, há poucos motivos para esperar que intrusos como o Desportivo da Huíla tentem estorvar o que aparenta ser uma certeza, um novo mano-a-mano entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda.
O Interclube fez boas aquisições e até tem tudo para se aproveitar da ausência do Kabuscorp do Palanca, para tentar morder os calcanhares do 1º de Agosto e Petro, mas nada melhor do que esperar pelos resultados negativos, para ver se a direcção de Alves Simões vai segurar a habitual impaciência das últimas temporadas, que ficam evidentes pela rápida dança de treinadores.
Os dirigentes dos polícias dão a sensação de que os seus treinadores estão sujeitos a um padrão infalível, a bem da verdade, a maneira como se cobra tem mesmo atrapalhado o Interclube na corrida do título, os dirigentes têm o direito de exigir, mas o tom como o fazem pode prejudicar, como tem sido visto.