Jornal dos Desportos

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Girabola

Militares reforam liderana

Paulo Caculo - 15 de Agosto, 2016

Agostinos venceram de forma apertada caalaenses do planato central com golo solitrio de Massunguna na etapa inicial

Fotografia: Vigas da Purificao

Longe de ter sido um espectáculo de encher os olhos, da beleza das jogadas bem feitas, dos dribles estonteantes ou das bolas a sobrevoarem as balizas com sensação de golos, a história do jogo entre 1º de Agosto e Recreativo da Caála resume-se ao golo de Dani Massunguna e a períodos de imensa disputa pela posse de bola e ocasiões de golo.

Pressionado pela necessidade imperiosa de vencer, para evitar que seja alcançado pelo Libolo, não admirou que o 1º de Agosto fosse imprimir, ainda nos primeiros instantes do jogo, grande dinâmica ao seu futebol. Fruto desta atitude, acabou pertencendo aos militares a posse de bola e domínio territorial da partida nesse período.

Enquanto isso, ao Caála cabia a missão de tentar afastar para longe da sua baliza a enorme pressão a que esteve sujeito durante o começo de jogo. Mas a muralha defensiva montada por Beto Cardeau durou apenas oito minutos, pois aos nove a equipa viria a sofrer o golo, num golpe de cabeça de Massunguna, na sequência de um livre muito bem cobrado por Isaac.

A perder, o Caála procurou dar uma resposta a altura, reagir em conformidade, mas faltava quase sempre arte e engenho às suas jogadas, para descobrir caminhos de acesso à baliza contrária, que pudessem provocar calafrios ao guarda-redes Dominique. Apesar de espelhar força colectiva, o futebol dos caalenses esbarrava sempre na grande "trincheira" militar.

A verdade é que o 1º de Agosto pressionava quanto basta. E, diga-se, nesse aspecto, que os militares se mostravam mais pragmáticos no ataque, com o trio composto por Gelson, Papel e Geraldo a serem os principais "desmancha prazeres" da defensiva caalense.

Os donos da casa até poderiam construir, antes do intervalo, uma vantagem mais dilatada, não fosse os desperdícios. Aos 37', Ari Papel viria a dar-se ao luxo de falhar de forma escandalosa apenas com o guarda-redes Carlos pela frente.

O passe de Geraldo significava meio-golo. Bastava ao camisola 30 do 1º de Agosto empurrar o esférico para as redes. Mas, antes disso, os militares viriam a queixar-se de duas alegadas penalidades, de falta sobre Gelson e Ari Papel na área.

O Caála surgiu na segunda parte muito mais incomoda, melhor a explorar os espaços vazios e a criar ocasiões para chegar ao empate. Umas vezes por Dudu Leite e outras tantas por intermédio de Landry, o conjunto do Planalto Central dava a ideia clara de querer inverter o resultado. Porém, faltava sempre eficácia às jogadas de finalização.

A equipa de Alberto Cardeau jamais deixou de acreditar. Tal postura foi positiva, na medida em que permitiu ao conjunto ganhar espaços para jogar em terrenos adiantados do seu meio-campo. Fruto desta pressão derradeira, decorridos 80 minutos, a defesa do 1º de Agosto chegou a "abanar" e só não caiu porque teve no centro uma barreira intransponível chamada Dany Massunguna.

ARBITRAGEM
Trabalho razoável


A actuação de José Álvaro e seus auxiliares pode ser considerada como tendo sido razoável, na medida em que não teve grandes motivos para grandes alaridos. Nas duas situações polémicas de alegada falta na área do Caála, sobre Ari Papel e Gelson, aos 20 e 25 minutos, respectivamente, atribuímos o benefício da dúvida ao árbitro. No capítulo disciplinar, a nota é positiva, na medida em que puniu severamente e como exigem as leis todas as jogadas protagonizadas à margem das regras.

A FIGURA
Grande Massunguna!


Em meio a uma exibição colectiva que se deve enaltecer, mesmo não tendo sido de encher os olhos, há que destacar o mérito do central Dani Massunguna. O capitão do 1º de Agosto esteve implacável na missão de anular todas as jogadas direccionadas para a baliza de Dominique e, em termos ofensivos, ainda teve tempo para mostrar aos avançados como se faz golos de cabeça. O golo rubricado aos nove minutos, quando ainda as equipas aqueciam, serve de prêmio ao excelente labor patenteado em campo, mas sobretudo a grande postura de "patrão" da defesa  evidenciada. Grande Massunguna!

DECLARAÇÕES
"Um bom jogo"


"Acima de tudo foi um bom jogo, criamos muitas oportunidades, mas falhamos muito. O Caála teve uma boa equipa em campo, que jogou bem, bem treinada pelo professor Cardeiau. Vamos continuar a trabalhar. O mais importante é continuar a pontuar e se conseguirmos vencer o próximo jogo com o Libolo melhor. Neste momento estamos a liderar o campeonato e não queremos perder pontos".

"Faltou concentração"


"Viemos aqui com objectivo de pontuar e acredito que jogamos o suficiente para não perdermos o jogo, mas jogamos diante de uma equipa muito bem estruturada e obrigamos o 1º de Agosto a jogar até ao limite e acabamos por dignificar quer o clube, quer o futebol angolano. Acho que é isso que o futebol hoje exige e acredito que o Caála teve tudo para sair daqui com pelo menos um ponto. Faltou um pouco de concentração no golo que sofremos, de bola parada".