Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Militares repartem pontos num duelo de desiluses

Benigno Narcisco, no Lubango - 04 de Março, 2019

Desportivo e 1 de Agosto repartem pontos num jogo marcado com tumultos no fim

Fotografia: Santos Pedro| Edies Novembro

Um suposto jogo passivo adoptado ontem pelo Desportivo da Huíla para beneficiar o 1º de Agosto, motivou enorme revolta e onda de insatisfação dos inúmeros adeptos que se deslocaram ao estádio do Ferroviário, no Lubango, para assistir o desafio válido para a 17ª jornada do Girabola Zap 2018/2019.
A ira dos adeptos aconteceu na sequência da forma como a equipa da casa, alegadamente, facilitou o adversário marcar os dois golos que permitiram a igualdade, quando o campeão nacional em título perdia por 3-1, a 13´ para do final da partida.
A postura das duas equipas precipitou cânticos de revolta e reprovação com arremesso de objectos ao relvado e palavras de ameaça aos atletas. Os autocarros que transportavam os dois conjuntos não foram poupados, obrigando as forças da ordem a redobrar o cordão de segurança e uma actuação mais energética no interior e exterior do estádio.
Diante das ocorrências sobre o tapete relvado, Mário Soares, técnico principal do Desportivo abandonou o banco e dirigiu-se com muitos minutos de antecedência do término do jogo para os balneários, em forma de protesto ante a postura dos seus atletas, não se revendo de atitude destes, reprovando a conduta do plantel.
“Vou pedir à direcção do Desportivo da Huíla a fazer um inquérito à equipa. O que se viu hoje aqui coloca em causa a minha postura e qualidade profissional. Não consigo reconhecer e não me revejo na forma como alguns dos meus atletas se comportaram em campo”, desabafou o técnico.
Ao longo dos 90´, viu-se uma equipa da casa com atitude de encher os olhos. Os militares da Região Sul justificavam em campo a força, capacidade ofensiva e maturidade defensiva diante de um adversário que viu-se forçado a aplicar-se a fundo para evitar males maiores.
O Desportivo com muita categoria e todo mérito produziu um futebol vistoso, progressivo, com recortes técnicos e lances de trocar os olhos aos contrários, com Nandinho, Milton, Cagodó e Lionel em destaque no comando das operações.
Foi com naturalidade que aos 30´ o avançado camaronês Lionel colocou a sua equipa em vantagem no marcador, com um golo de belo efeito, na sequência de um remate do meio campo deixando o guarda-redes Tony Cabeça impotente para travar a trajectória do esférico.
Ferido no seu orgulho e em defesa do seu estatuto de campeão nacional em título, os rubros e negros reagiram de rápido. E foi num ápice, sem permitir ao adversária estender-se por muito tempo a sua comemoração igualar a partida. Aos 30´, ou seja, três minutos depois, Kila restabeleceu a igualdade.
Na segunda parte, a equipa visitante entrou melhor, a pressionar e transfigurada. Contudo, essa postura durou apenas até aos 71´, altura em que os militares da Região Sul deram volta ao contexto, chegaram aos 2-,1 por intermédio de Milton e aos 77´, aos 3-1, com golo de Maníco.
E foi aqui, com o 3-1 no placar, em que tudo começou. Aparentemente esgotados e menos actuantes, distantes da solidez e prestação registada nos minutos anteriores, em que registou-se a fase mais negativa dos defesas do Desportivo passivo e permissivo.
Diante do quadro, Vanilson aos 82 e Bobó aos 88 rubricaram os golos que fixaram o resultado final em 3-3, ante os gritos de revolta dos adeptos alegando combinação de resultado pela forma que foram apontados.
Lionel, avançado camaronês do Desportivo, ao apontar um golo e fazer as assistências dos outros dois tentos que permitiram a igualdade à sua equipa. Foi o melhor jogador em campo. Esteve igualmente em bom plano no capítulo defensivo, com missões defensivas em auxílio do sector mais recuado do conjunto huilano.
O árbitro Ailton Carmelino efectuou uma actuação discreta e aceitável por não ter tido interferência directa no resultado final do encontro.

DECLARAÇÕES
FICHA TÉCNICA-DRAGAN JOVIC
“Vou reunir com o presidente”

“Não fizemos um bom jogo. Foi praticamente o que aconteceu no jogo diante do Interclube. A nossa doença é grave. Não podemos permitir mais estes falhanços, precisamos de mudar alguma coisa para os nossos atletas terem outra atitude. Peço desculpas aos nossos adeptos pela exibição que fizemos hoje. Vou falar com o presidente do clube, Carlos Hendrick, sobre as medidas que precisamos tomar para evitarmos o que fizemos hoje no jogo diante do Desportivo da Huíla e no penúltimo contra o Interclube de Angola”.

MÁRIO SOARES
\"Temos de inquirir a equipa\"

“Com todo o respeito, creio que não estou em condições de comentar o jogo porque o Desportivo da Huíla até aos setenta minutos, estava a jogar muito bem, mas nos últimos vinte minutos, obrigam-me a pedir desculpas a esta massa que acompanhou o jogo num estádio cheio. Foi um desrespeito total. Eu tenho muita confiança nos meus jogadores, mas tenho que inquirir a minha equipa para saber o que se passou”.