Jornal dos Desportos

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Girabola

Militares tombam na Cala

Jorge Neto - 24 de Fevereiro, 2020

Militares foram incapazes de evitar derrota frente ao Recreativo da Cala

Fotografia: Contreiras Pipa| Edies Novembro

Ineficácia ofensiva e erros defensivos foram determinantes para a derrota, ontem, do 1º de Agosto, no jogo diante do Recreativo da Caála, por 1-0. Num desafio em que se esperava muito de si, o campeão nacional revelou perda de fulgor e nem o triunfo dos rivais no Uíje serviu-lhe de alerta, para ir ao encontro de uma exibição e resultado que evitasse deixar fugir a liderança.
A verdade é que os «rubro e negros» entraram para o jogo com a responsabilidades acrescidas, sobretudo depois que o Petro venceu na deslocação ao Uíge. Mas a equipa de Dragan Jovic terá acusado demais a pressão de ganhar o jogo, pois foi incapaz de descobrir os caminhos para o golo.
Apesar de comandar o desafio e assumir algum domínio sobre o jogo, o 1º de Agosto não conseguiu traduzir em golos e nem importunar com perigo à baliza defendida por Beny, pois Mabululu, Ary Papel e Mongo rematavam na direcção errada. Enquanto isso, do outro lado do relvado estava uma equipa de David Dias, que rematava com perigo, mas encontrava a oposição de Neblú, que fez uma excelente exibição, poupando aos agostinos uma tarde de maiores desgostos, ainda no primeiro tempo. O guarda-redes do 1º de Agosto fez defesas de «encher os olhos» e que evitaram o pior para os tetra-campeões nacionais.
A promessa de David Dias na véspera do jogo, em complicar a vida aos militares, estava a ser cumprida em campo, e não fosse às más finalizações de Careca e a tarde de inspiração de Neblú, antes do intervalo já estariam em vantagem.
No reatamento, Dragan Jovic sentiu a necessidade de fazer mexidas e fê-lo, substituindo Mongo e dando lugar a Zito Luvumbo, ao passo que Ary Papel demonstrava apatia ofensiva, sempre bem marcado pelos defesas caalenses.
Os militares demoravam em apresentar a melhor versão do seu futebol, mesmo estando pressionados pela perda da primeira posição no dia anterior, e sabiam que o cronómetro não estava a seu favor, pois na medida em que o tempo passava, aumentava a ansiedade dos atacantes.
David Dias não se fez rogado, quis ganhar e refrescou o ataque, com a saída de Careca para a entrada de Deco, numa clara tentativa de acertar na finalização e liderar o marcador pela primeira vez.
Dragan Jovic respondeu com a entrada de Atouba para o lugar de Buá, para reforçar a zona intermédia. Com o passar do tempo, os militares arriscaram a terceira substituição com a saída de Mário dando lugar a Ibukun.
Porém, seria mesmo o Recreativo da Caála a chegar ao golo, aos 78´, por intermédio do recém entrado Deco, que bateu nas alturas Paizo e cabeceou a contar, batendo Neblú, pela única vez. O avançado caalense esteve no melhor, ao marcar, e no pior ao ser expulso, depois de ter tirado a camisola nos festejos do golo e ter feito uma falta sobre Paizo, digna de outro cartão, num espaço de dez minutos.
A partir daí, a formação de David Dias a jogar com menos um jogador, soube aguentar a pressão dos militares que tentaram a igualdade, mas sem sucesso, pois não estavam no seu dia, tal como aconteceu em alguns jogos anteriores.
O árbitro Yuri de Melo poupou uma cartolina vermelha a Mário aos 71´, quando este fez uma entrada violenta por trás a Tchitchi, mas o juiz ficou apenas pelo amarelo. De resto, com mais um ou outro erro não influenciou o resultado final.