Jornal dos Desportos

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Girabola

Na corda bamba

Betumeleano Ferrão - 01 de Novembro, 2016

João Machado termina a carreira pela porta pequena caso 4 de Abril seja despromovido

Fotografia: Paulo Mulaza

Os lugares de despromoção voltam a emocionar, na derradeira jornada do Girabola ZAP. A definição da última equipa a descer de divisão é um verdadeiro teste à capacidade de liderança e de motivação dos treinadores João Machado, 4 de Abril, Chiby, Académica do Lobito, e Corola, ASA.A corda ameaça rebentar do lado do treinador aviador. O jovem técnico  cumpre a sua época de estreia no campeonato,  está diante de um dilema, evitar a despromoção de um dos históricos do futebol nacional, que a par do 1º de Agosto participaram em todas as edições do Girabola.

Quando Corola assumiu o comando técnico, o ASA a equipa estava com graves sintomas de falta de competitividade, com o passar das jornadas conseguiu uma relativa estabilidade e voava com tranquilidade, para a manutenção. A sequência de bons resultados não foi acompanhado pela direcção, os dirigentes deixaram de recompensar o plantel com a proporção financeira desejada e agora, as consequências estão à vista, o espectro da despromoção regressou, como nunca antes, e numa fase mais complicada da época.

O técnico Corola está no começo da carreira da alta competição, porém,  sofre as consequências duma eventual descida do tri -campeão do Girabola. A vitória sobre o 4 de Abril, na última jornada, até foi uma tarefa ao alcance dos aviadores, contudo, o grande desafio do jovem treinador é motivar um plantel abalado com as recorrentes questões extra -campo.

O mesmo dilema, vive o consagrado João Machado, no 4 de Abril. A poucos dias de encerrar a carreira, o treinador vê com tristeza todo o seu esforço ao longo de várias décadas, prestes a cair por terra, porque os atletas fartaram-se das promessas da direcção. O poder de motivação do técnico foi incapaz de tocar o coração do plantel com os jogadores a fazerem diversas demonstrações de força, ao longo da época, nenhuma greve  sensibilizou os dirigentes para  resolverem em definitivo a questão financeira.

A partida com o ASA, em princípio, é a última da carreira de mais de 30 anos de João Machado, que em diversas ocasiões nesta temporada deu a cara pelos seus jogadores. É verdade, que o plantel também se colocou do seu lado, ainda assim, a grande questão que se coloca agora, é saber se os atletas consentem um último sacrifício, e evitar que o percurso do técnico termine manchado.

O 4 de Abril está a surpreender de forma positiva, na época de estreia na primeira divisão, os problemas financeiros não apagam as coisas grandiosas que o  treinador conseguiu para motivar o grupo de trabalho, sobretudo, nos jogos com os grandes, como o 1º de Agosto e Libolo, com os quais empatou na segunda volta, e o Kabuscorp a quem venceu na primeira volta.

A Académica do Lobito fez renascer a esperança da permanência quando menos se esperava. Os estudantes pareciam que estavam chumbados, até que o renomado Chiby recebeu a chance de regressar à primeira divisão, para mudar o que aparentava ser um destino traçado.Os estudantes nunca estiveram tão próximos da manutenção,  precisam  de um ponto na derradeira jornada, uma tarefa que está a preocupar o técnico dos estudantes e de toda a massa associativa, de um modo geral.

Embora, fizesse sempre carreira em equipas modestas, excepto em 1996 quando orientou o Petro de Luanda, o treinador dos lobitangas já foi num passado recente, um dos nomes mais sonantes do futebol angolano, e tudo o que a Académica está a fazer para se manter no Girabola, também é obra do timoneiro.

4 DE ABRIL
Machado inconformado


Três décadas depois de assumir a carreira de treinador, João Machado corre o risco de encerrar o percurso airoso, de forma menos simpática, com a possibilidade de ver a equipa despromovida.  Inconformado, com o possível futuro da equipa, o técnico do 04 de Abril  culpabilizou em Menongue, a direcção do clube pelos últimos resultados negativos do conjunto, por não honrar os compromissos administrativos firmados com os atletas e  com equipa técnica .

Ao falar aos jornalistas, no final do jogo que terminou num empate a zero  com o Interclube, que contou para a 29ª Jornada do campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, “Girabola Zap”, o treinador disse que os atletas estão há quatro meses sem receber os seus ordenados, facto que tem implicância directa nos resultados negativos.

Destacou que os atletas jogaram por amor à camisola, pela sua boa imagem, por respeito ao povo do Cuando Cubango e para o desporto em geral, realçou que tudo fizeram para não desvirtuar o andamento normal do campeonato.“O que se está a fazer com estes bravos atletas e heróis, não se faz em parte nenhuma do Mundo, por isso, este é o resultado possível, e se a equipa descer de divisão, a culpa é da direcção do clube e não é dos atletas”, desabafou.