Jornal dos Desportos

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Girabola

Nvel competitivo do Girabola desagrada Norberto de Castro

27 de Outubro, 2011

Dono da equipa Norberto Castro no est satisfeito com o nvel competitivo deste Girabola

Fotografia: Jornal do Desportos

O presidente da escola académica e desportiva Norberto de Castro afirmou, na terça-feira, que o nível competitivo do Girabola’2011, já no fim, não é dos melhores, em resultado do desequilíbrio financeiro existente entre os 16 participantes da competição. Em jeito de balanço antecipado da maior competição do “desporto rei” do país, a uma jornada do seu termo, Norberto de Castro realçou que, na presente edição, tal como na maior parte das épocas, o maior poder aquisitivo de alguns clubes permitiu a contratação dos melhores jogadores e treinadores, colocando-os a um nível competitivo superior em relação à maioria.

“Acompanhei algumas partidas do Girabola’2011 e ficou claro, para mim, o fosso, em termos de nível competitivo, entre as formações que possuem grande poder aquisitivo e aquelas de parcos orçamentos”, frisou. +Indicou que o facto da liderança do Campeonato Nacional ser repartida entre dois emergentes (Recreativo do Libolo e Kabuscorp do Palanca, ambos com 56 pontos) não pressupõe melhorias na prova e muito menos que tenham investido mais do que as colectividades tradicionais, como o 1º de Agosto, Interclube e Petro de Luanda.

Referiu que se trata de um claro momento de “distracção ou de opção” destes clubes considerados grandes.Para que haja mais equilíbrio financeiro entre as formações do Girabola, Norberto de Castro defende que os integrantes da prova beneficiem de patrocínios das grandes empresas nacionais, até agora reservados a alguns clubes.

O responsável, cuja escola de formação com o mesmo nome já colocou jogadores no mercado nacional e internacional (médio Geraldo, do Curitiba do Brasil), acrescentou que os clubes podem, também, beneficiar de subsídios da FAF, à semelhança do que acontece nos campeonatos do Brasil e da Costa do Marfim. O Campeonato Nacional de Futebol teve a sua primeira edição disputada em 1979.

Recreativo do Libolo e Kabuscorp
elogiados pelos seus investimentos

O primeiro vice-presidente da Associação de Árbitros de Futebol de Angola (AAFA), Manuel da Rosa, defendeu que a ascensão ao topo do Recreativo do Libolo e do Kabuscorp do Palanca no presente Girabola é fruto dos investimentos feitos pelas direcções dos dois clubes.

Falando à Angop na terça-feira, o responsável realçou que as apostas dos responsáveis das referidas agremiações foram preponderantes para a inédita progressão na tabela classificativa.“Este resultado indica bem o nível da própria competição, onde o forte prova no terreno que é capaz de chegar ao topo. São equipas que, a princípio, não estavam nas previsões de chegarem até este ponto, mas tinha de acontecer devido ao trabalho apresentado”, elogiou.

Manuel da Rosa aconselhou os outros clubes a seguirem esta linha de investimentos do Recreativo do Libolo e do Kabuscorp do Palanca, equipas que partilham a liderança do Girabola’2011, com 56 pontos cada, e as únicas com possibilidades de conquistar o título.Quanto aos potenciais candidatos de sempre (1º de Agosto, Petro de Luanda e o Interclube), referiu que as mudanças constantes de treinadores e de jogadores tiveram influencias negativas. 

O 1º de Agosto e o Interclube substituíram esta temporada os seus técnicos. Drulovic foi rendido no grémio “militar” por Carlos Manuel e Álvaro Magalhães deu lugar, nos “polícias”, a António Caldas, enquanto o Petro apostou na juventude.Manuel da Rosa exemplificou também o afastamento inesperado de Love Kabungula da equipa do 1º de Agosto, sendo transferido para o Petro, sem que o clube previsser as consequências.

“O Love, um dos melhores do Girabola, foi preterido porque não estava à altura para dar o seu contributo à equipa. Foi para o Petro e está à beira de se tornar o melhor marcador. É preciso pensar antes de se tomar uma decisão”, rematou.O responsável alertou os clubes para apostarem na formação, para garantir o futuro e não pensarem em resultados imediatos.

Gustavo
enaltece


O presidente do Comité Olímpico Angolano (COA), Gustavo da Conceição, reconheceu na terça-feira, em Luanda, a competitividade no Campeonato Nacional de futebol da I Divisão (Girabola’2011), a uma jornada do fim, com Recreativo do Libolo e o Kabuscorp do Palanca na luta pelo título.

Numa avaliação ao desfecho da principal competição do futebol interno, o dirigente referiu à Angop que as duas equipas estão em condições de conquistar a prova.“É preciso reconhecer que, nos últimos anos, o Girabola deu grande salto competitivo. A julgar pela dedicação e desempenho das direcções e equipas do Libolo e Kabuscorp, podemos considerar meritórias as posições que ocupam”, disse.       
 
 Gustavo da Conceição acrescentou que o êxito dessas formações é o reflexo da evolução do Campeonato e de um maior trabalho dos novos clubes envolvidos, que, foram mais perspicazes em termos de estratégia do que os tradicionais vencedores (1º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube).

Apontou também a realização do CAN’2010 no país como um dos incentivos ao aumento da competitividade no Girabola. “Depois do CAN2010, que serviu de incentivo à prova interna, equipas novas, como o Libolo, Kabuscorp e Recreativo da Caála, trabalharam bastante e conseguiram superar as tradicionais candidatas ao título do Girabola. Também é preciso analisar com muita profundidade as principais causas do fracasso dos grandes do Campeonato para se aferir o que fizeram de errado”, sublinhou. 

O presidente do COA manifestou conhecimento vago que o 1º de Agosto e Interclube (campeão) tiveram problemas com mudanças de treinadores. “O Petro apostou nos jogadores mais jovens, o que talvez tenha influenciado no mau início de época e mesmo no resultado final da prova”, avaliou. 

“Apesar de não possuir dados palpáveis sobre o volume de investimentos dos participantes, tenho certeza que os clubes apostaram ao máximo para ganhar. Por isso, não acredito que seja mais investimento de uma parte que lhe garante o triunfo. Posso apenas considerar que o Libolo e o Kabuscorp fizeram um melhor trabalho desportivo”, frisou.