Jornal dos Desportos

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Girabola

Nulo justo num jogo pobre

Paulo Caculo - 11 de Junho, 2016

Encarnados continuam sem vencer e acusam a presso enquanto sambilas conquistam um ponto importante para as suas aspiraes

Fotografia: Kindala Manuel

A história do jogo entre Benfica e Progresso resume-se apenas na vontade de duas equipas em chegarem à vitória sem, no entanto, nada de relevante terem feito para o merecer. O nulo (0-0) acaba por ser um resultado justo ao futebol incaracterístico protagonizado pelas duas equipas ao cabo dos 90 minutos regulares.

 Do confronto entre águias e sambilas esperava-se muito mais em termos de emoção e qualidade. O futebol pobre, fraco e pouco atractivo protagonizado pelas duas equipas defraudou as expectativas dos pouquíssimos adeptos que estiveram no estádio 11 de Novembro.

 O facto é que nem Benfica e muito menos o Progresso mostravam competência para construir, nos primeiros 45 minutos, jogadas com princípio, meio e fim, capaz de provocar emoção nas bancadas ou incomodar os guarda-redes, que diga-se em amor à verdade, limitaram-se a assistir ao jogo durante este período.

 Como se não bastasse a pobreza do espectáculo, o árbitro Conceição Matias também não contribuía para a qualidade da partida, dada a forma como permitia o recurso dos jogadores ao futebol musculado e a dureza das jogadas. Fruto deste estado de coisas, o desafio registou muitas paragens.

Sem soluções para inverterem o nulo no resultado, dada a displicência atacante espelhada por ambos os ataques, acabou sendo com alguma
naturalidade e justiça que a primeira parte acabasse precisamente como começou. Ou seja, sem golos.

 A etapa complementar, pertenceu ao Benfica a melhor entrada no jogo, algo não verificado na etapa inaugural. Os "puxões de orelha" de Zeca Amaral no intervalo terão contribuído para a nova postura evidenciada pelos encarnados, sobretudo nos primeiros 15 minutos do reatamento.

 Mas o Progresso também mostrava-se capaz de dar o ar da sua graça e, numa clara demonstração de que estava no jogo para discutir os pontos, Yassek numa cabeçada forte e colocado quase deixou congelada a estrutura defensiva das águias, não fosse a bola passado rente ao poste esquerdo de Elber. A bola levou a sensação de golo.

 Pese a sensação de disposição para vencerem a partida, não houve na prática eficácia ofensiva, nem capacidade criativa para os ataques desfazerem o nulo na partida. Do Benfica fica a sensação de estar a viver um momento de crise, cujos jogadores espelham incapacidade de reagir em conformidade.

Já do Progresso lamenta-se o facto de não ter conseguido aproveitar as duas últimas oportunidades disponível em cima do minuto 90. Melhor esteve o guarda-redes do Progresso a anular todas as investidas da equipa encarnada.

 

DECLARAÇÕES


Felisberto Amaral "Gilberto" (Benfica)
“Vamos continuar a trabalhar”

Tudo fizemos tudo para inverter o quadro, depois de um ciclo de cinco derrotas consecutivas, mas não foi possível. De qualquer forma vamos continuar a trabalhar e melhorar alguns aspectos para regressarmos as vitórias nos próximos jogos.


Albano César  (Progresso)
“A equipa portou-se bem”

Foi o resultado mais justo por tudo aquilo que as duas equipas fizeram em campo. Tivemos realmente situações quer defensiva quer ofensivas muito bem delineadas, atacamos e defendemos bem. O Benfica defendeu-se bem e teve algum pendor ofensivo, mas dentro daquilo que foi o desenrolar do próprio jogo o resultado foi justo.