Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Nzuzi Andr d moratria de pagamento

Betumeleano Ferro - 22 de Agosto, 2019

Antigo treinador espera que a direco dos proletrios liquide o que deve sem hesitaes

Fotografia: Paulo Mulaza

O técnico Nzuzi André revelou ontem, ao Jornal dos Desportos, que deu um prazo, mas não retirou a queixa contra o 1º de Maio de Benguela, clube que deve à antiga glória dos proletários.
"Eu estou disposto a ir até às últimas consequências, eu quero que me paguem de imediato metade do que me devem, a outra parte tem de ser liquidada até o término da primeira volta, não aceito ceder mais do que isso", esclareceu.
A direcção dos proletários usou essa semana um emissário, para tentar convencer Nzuzi André, mas o queixoso assegurou que endereçou uma carta à Federação Angolana de Futebol (FAF) em que reitera que o 1º de Maio só tem uma alternativa, pagar 50 por cento.
"Essa é a alternativa que tem, são duas tranches que tem de pagar, melhor seria se pudesse pagar tudo de uma só vez, o que eu escrevi está claro, se não pagar, vou recorrer de novo", argumentou.
Os proletários foram impedidos de realizar o jogo de estreia, diante da Académica do Lobito, agora têm também ameaçado o desafio extramuros com o Clube Recreativo da Caála (CRC), porém, essa é uma questão a que o ex-capitão não quer ser associado.
"A FAF é que tem de decidir se jogam ou não, eu nada tenho a ver com isso, então, as pessoas não podem olhar para mim como se eu fosse o problema, eu recebi uma chamada na segunda-feira de uma pessoa do clube, a quem garanti que só quero metade do que me deve, a outra parte fica para depois, se isso não acontecer, as coisas ficam como estão", reafirmou.
Bicampeão nacional com o 1º de Maio de Benguela, Nzuzi André lamentou os contornos que o caso ganhou, mas lembrou que o está a acontecer agora podia muito bem ser evitado, se a direcção aceitasse pagar há uns dois anos, quando a Federação deliberou contra o clube.
"Quem rescindiu comigo foram eles, colocaram-me no desemprego, mas nunca aceitaram pagar. Eu até poderia ter ido mais longe, poderia por exemplo pedir uma indemnização, pela maneira como me trataram, mas só estou a exigir os valores que estavam no contrato, nada mais do que ", sublinhou.
O técnico garantiu que mantém o cordão umbilical ligado ao 1º de Maio de Benguela, motivo por que espera que o seu caso também ajude a despertar os dirigentes, um dos quais, Rui Araújo, que é do tempo em que  jogava pelos proletários.
"Eu sou do 1º de Maio, não quero prejudicar o meu clube, não seria capaz de fazer isso, mas acho que a minha posição é uma maneira de ajudar a melhorar a organização interna do clube, é isso que quero que as pessoas entendam", afirmou.
O diferendo entre o treinador e o clube arrasta-se há anos, mas o amor de perdição de Nzuzi André permanece, como no início, é por isso que ele diz estar disposto a voltar a trabalhar para o clube.