Jornal dos Desportos

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Girabola

O ano dos amputados e Sub-17

Antnio Jnior - 30 de Dezembro, 2019

Fotografia: Dr

O futebol angolano viveu momentos de glória, alegria, tristeza e decepção, mas a força e a tradição desta modalidade falou mais alto. Nem a ladainha do orçamento inibiu o querer  de uma nação com defeitos, mas com muitas virtudes e ciente que ainda não ganhou nada, mas sabe que tem potencialidade para atingir maiores patamares.

A visita do presidente da FIFA, Gianni Infantino, a Angola foi um dos pontos altos da diplomacia futebolística nacional. Com uma agenda bastante apertada, o dirigente italiano cumpriu na integra e no final ficou a promessa de uma ajuda financeira de seis milhões de dólares. As contas da FAF, bastante questionadas pelas APFs, foram aprovadas pela entidade máxima da modalidade. O \"velhinho\" campo do São Paulo, de boas e más memórias para muitos, vai finalmente voltar a prestar a sua serventia, graças ao apoio da federação internacional.  

O nosso país voltou a estar em grande e foi notícia no continente. A conquista do Campeonato Africano de Amputados e com todo mérito, a selecção nacional provou a sua superioridade e provou que a guerra, apesar das suas consequências nefastas, não fez apenas deficientes, mas forjou também talentos e que hoje são o orgulho nacional. Com uma campanha irrepreensível, apenas um empate, os campeões mundiais fizeram apenas o que lhes competia em casa.

E como estava escrito ou melhor destinado que 2019 seria um ano do sucesso, a selecção de Sub-17 na sua estreia no Campeonato do Mundo dignificaram o nome de Angola e de África. Sem qualquer pressão os nossos bravos rapazes tornaram-se num grupo humilde, disciplinado e acima de tudo brilhante. Superaram adversidades, apresentaram um futebol de qualidade e com futuro promissor. Encantaram e conquistaram a simpatia dos presentes no Brasil e não só. Provaram que o país tem jovens com talento e com boa margem de progressão.

A Selecção Nacional de Honras depois de tanta turbulência conseguiu finalmente regressar à fase final do CAN, Egipto\'2019. Mas aquilo que parecia ser um regresso prometedor  tornou-se numa grande decepção. Os problemas de sempre (desorganização e a lamentação de falta de dinheiro) voltaram a manchar a presença na competição, culminando com o afastamento na primeira fase. Dias depois o seleccionador demitiu-se e a direcção da FAF voltou a recorrer a um seleccionador de recurso.

O futsal que pela terceira vez logrou presença na maior montra da modalidade no continente, a disputar-se o próximo ano no Reino do Marrocos fez por merecer. A FAFUSA com todas as dificuldades que conhecemos conseguiu colocar a fasquia na posição certa, mas o desafio e ambição é fazer mais e melhor. 

A nível das Afrotaças as nossas equipas foram claramente impotentes para brindarem os angolanos com uma prestação digna e que muitos auguravam. o 1º de Agosto que no anterior teve um cartão de visitas digno de louvor e reconhecimento não conseguiu repetir ou fazer melhor. E por arrasto o Petro de Luanda foi contagiado e as duas equipas sonham por milagres.

O Girabola Zap, a festa do povo, que une pobres e ricos. Políticos e cidadãos. Generais e soldados voltou a dar 1ºde Agosto. Os rubro negros conquistaram o tetra com muita classe. Esta geração de atletas soube dignificar a herança histórica, e provou ter valor e perfil para merecer ser campeões.

Depois de muitas coisas boas, feitas por pessoas que colocam a bandeira e a insígnia nacional acima de todos os interesses pessoais, fica uma palavra de apreço aos dirigentes desportivos a todos os níveis. Justifiquem com factos as promessas eleitorais. Voltamos a viver 365 dias com os mesmos problemas de costume.