Jornal dos Desportos

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Girabola

O velho feiticeiro do bon

GAUDNCIO HAMELAY - 09 de Dezembro, 2019

Z do Pau era o garante da tranquilidade da equipa do Desportivo da Chela

Fotografia: EDIES NOVEMBRO

Em 1979, com 36 anos de idade, era, seguramente, o jogador mais velho do Campeonato. Mas, dono de uma garra sem igual entre os postes, a idade não era obstáculo. Pouco ou nada ficava a dever a outros guarda-redes da época, como Napoleão Brandão, Manecas Leitao e Carnaval.
Zé do Pau era o garante da tranquilidade da equipa do Desportivo da Chela, um dos emblemas que representavam a província da Huila, a par do Desportivo da Chela. Era um incômodo aos atacantes contrários. Pois muitas vezes com a defesa já batida ele negou o golo a Ndunguidi, a Chinguito, a Vicy ou a Sayombo, os temíveis goleadores do momento.
O seu boné era inseparável, fizesse chuva, sol ou neve. Dizia-se que era o chapéu de feitiço. A bola só passava a linha de golo se o homem o deixasse cair. Vezes sem conta, arrojado, Zé do Pau fez uma defesa dupla e espectacular: agarrando a bola e boné quando soltasse da cabeça ao mesmo tempo.
Infelizmente não chegou a ser campeão, porque o seu Desportivo da Chela(hoje Benfica do Lubango)não teve o privilégio de chegar ao título, apesar de em 1986, às ordens de João Machado, ter estado muito perto disto. Porém, nessa edição o velho “feiticeiro” já se tinha retirado das quadras.
Conta que num dos jogos entre o Desportivo da Chela e o Ferroviário da Huíla, Lucas Caluvi chutou várias bolas para a baliza mas não conseguiu marcar, pois ele defendia-as todas. Caluvi irritado agarrou o boné e atirou distante. Zé do Pau foi buscá-lo, ainda assim, Cavuli pediu-lhe que retirasse o chapéu da cabeça. Muitos jogadores acreditavam que jogava com feitiço. Mas não passava de um mito.