Jornal dos Desportos

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Girabola

Palanquinos e aviadores repartem pontos no drbi

Paulo Caculo - 03 de Dezembro, 2018

O jogo comeou com 45 minutos pouco atractivos em que as duas equipas procuravam chegar ao golo

Fotografia: Vigas da Purificao| Edies Novembro

Kabuscorp e ASA protagonizaram ontem um espectáculo de futebol fraco, pouco intenso e pautado por largos períodos de equilíbrio na posse de bola e disposição de oportunidades de golo. A vitória (1-0) dos aviadores justifica-se pela eficácia que teve o seu ataque, em concretizar uma das inúmeras ocasiões que dispôs no jogo.
O jogo começou com 45 minutos pouco atractivos, em que as duas equipas procuravam, sobre todas as formas, chegar ao golo, mas faltava arte e engenho as respectivas jogadas, para os ataques lograrem os seus intentos.
À juntar-se a uma quase flagrante apatia espelhada pelos respectivos meio- campo, que revelavam impotência para criar jogadas com princípio, meio e fim, capaz de provocar calafrios à baliza contrária.
Povoado no seu meio-campo com Amaro, Lindala, Celson Barros e Lami, o Kabuscorp tinha estofo para segurar a bola, mas dificilmente destruía a teia de aranha montada por José Dinis nos seus sectores mais recuados, onde surgiam com notoriedade Djodjo, Messias e Tomé.
Mas quem pensou que o ASA fosse sentir-se intimidado com a postura ofensiva dos palanquinos acabou redondamente enganado. A equipa do aeroporto acabou por mostrar inteligência na forma como soube abordar o jogo do adversário.
A espaços ganhava alguns terrenos em zonas nevrálgicas do meio-campo adversário. Umas vezes por Kibeixa e outras por Modeste, o ASA incomodava a defesa do Kabuscorp.
A segunda parte foi muito mais interessante, com as duas equipas a lançarem-se ao ataque. Fruto desta atitude, o jogo subiu de intensidade e ambos os guarda-redes passaram a ver mais vezes a bola a sobrevoar as balizas.
Era numa toada demora ataco eu, ora atacas tu, que a partida se desenrolava. Se, por um lado, por banda do Kabuscorp era pelos pés de Lami que o seu futebol ganhava intensidade, por outro, do lado do ASA a magia e construção das jogadas ofensivas dependia da visão de Kibeixa.
Aos 65’, contra todas as expectativas, já que estava o Kabuscorp mais próximo do golo, os aviadores chegam ao golo, por intermédio de Modeste, na sequência de um cruzamento de Guebuza, que embate no travessão, antes de o avançado dos aviadores fazer o cabeceamento fatal, para longe do alcance do guarda-redes Dadão.
A perder, o Kabuscorp partiu atrás da igualdade. E na sequência, Etekiama Taddy podia ter chegado ao golo, mas o travessão da baliza de Guilherme parou o seu cabeceamento.
Os últimos dez minutos foram dramáticos para o Kabuscorp do Palanca. A vencer, a equipa do ASA fechou as suas linhas, embora não tivesse descartado o ataque. A bola rondava constantemente a baliza de Guilherme, mas o golo tardava em chegar. Mas os aviadores tinham quase sempre uma pronta-resposta, pois Modeste era uma constante dor de cabeça para os centrais Fabrício e Zebedeu. Aos 89’, o atacante aviador ainda levou novo susto a baliza do Kabuscorp, com remate forte e cheio de intenções a embater no poste.
Com quatro minutos mais para se jogar, pouco ou nada mais havia para Paulo Torres repensar o ataque, tendo José Dinis recuado a sua equipa, para sacudir toda a pressão a que esteve sujeito nos minutos finais.


DECLARAÇÕES DOS TÉCNICOS

José Dinis|ASA
“Vitória reconfortante”


\"Penso que foi uma vitória importante e reconfortante, porque tivemos um começo de campeonato com um calendário complicado. O ASA tem defrontado equipas candidatas ao título, depois que vem da segunda divisão e isso obriga-nos a imensas dificuldades neste começo de competição. Estes três pontos vão nos reconfortar em termos pontuais, sobretudo por ter sido conseguida diante de um candidato ao título como é o Kabuscorp\".


Paulo Torres|Kabuscorp
“Pagámos caro pelo erro”


\"Uma derrota que não esperávamos e penso que analisando bem o jogo, tivemos uma primeira parte bem disputada, com duas equipas que encaixaram uma na outra, e na segunda parte sabíamos que tínhamos que assumir mais o jogo e procuramos fazer mexidas. A partir do momento em que tomamos esta iniciativa sofremos um golo consentido e em alta competição os erros pagam-se caro\".