Jornal dos Desportos

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Girabola

Passou o susto

Paulo Caculo - 28 de Julho, 2015

Gilbertto recebe visita do Gonalves Muandumba Ministro da Juventude e Desportos

Fotografia: kindala Manuel

O internacional angolano, Felisberto do Amaral, ou simplesmente Gilberto, deve receber alta hospitalar amanhã, dois dias depois do seu internamento na Clínica Girassol, na sequência de um traumatismo craniano sofrido domingo, no jogo entre o Benfica de Luanda e o Progresso do Sambizanga, disputado no estádio dos Coqueiros, referente à 18ª jornada do Girabola.

Ontem, às 10h30, o jogador recebeu visitas do ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba e  do presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Pedro Neto. No final, Luís Mariano, director clínico da instituição clínica onde o atleta se encontra internado e a recuperação de forma satisfatória, esclareceu à imprensa que o estado de saúde do também capitão dos Palancas Negras é estável.

“Como todos viram nas imagens televisivas, o jogador teve um quadro de perda de consciência, como consequência de um traumatismo craniano, que provocou uma comoção cerebral. Neste momento, está estável e consciente”, adiantou o médico em serviço, para em seguida acrescentar que o jogador foi submetido a vários exames.

“Os exames feitos, do ponto de vista cerebral, para avaliar a sua função cerebral, foram todos normais, de acordo o resultado do TAC. Para esclarecer se havia alguma alteração do ponto de vista neurológico, fez-se uma ressonância magnética nuclear cerebral, que também foi normal”, esclareceu.
De acordo ainda com o médico, ontem o médio do Benfica de Luanda foi submetido ao exame de electrocardiograma ao coração. Com a derradeira avaliação aos batimentos cardíacos de Gilberto, o especialista garante que estes resultados podem clarificar o seu estado.

De acordo com o médico, este teste realizado por intermédio de eléctrodos sensíveis colocados em pontos específicos do corpo, que são registadas nos gráficos do electrocardiograma é um exame muito importante em cardiologia, pois permite diagnosticar desde as condições ligeiras até outras muito graves, como os enfartes do miocárdio.

“Em princípio, tudo está bem encaminhado para que daqui a um ou dois dias o Gilberto possa voltar a casa”, garantiu o médico, que fez questão de deixar um recado aos clubes:

“Sempre que haver algum tipo de perda de consciência de algum atleta, é preciso haver algum tipo de atendimento médico, para que se tome medidas que definam o diagnóstico. Deve ser uma norma das equipas ter um médico e um disfibrilador, para que em circunstância iguais actuar como tem sido habitual”.

PRIMEIROS SOCORROS
Clubes devem
criar condições


Pedro Neto corrobora com a opinião, de que a situação enfrentada pelo médio Gilberto, desperta a necessidade imperiosa dos clubes criarem todas as condições médicas de primeiros socorros, para acudirem casos do género, sem quaisquer sobressaltos.

O dirigente referiu, que os clubes na qualidade de detentores dos campos, quando jogam na condição de visitados devem criar todas as condições desportivas, logísticas e médicas para qualquer situação desagradável que possa surgir, antes, depois e durante qualquer partida.

“Os clubes são os donos dos campos. A Federação não tem campo de futebol, a FAF regulamenta a utilização do disfibrilador. Todos os clubes que jogam em sua casa devem ter o equipamento de primeiros socorros, onde o disfibrilador é um dos obrigatórios”, sublinhou o dirigente máximo do futebol nacional.

Advertiu, que “a partir de agora e seguindo de exemplo, estou a passar a mensagem aos clubes de que não se deve ir para os campos sem este equipamento de primeiros socorros que se chama disfibrilador”, disse o presidente da FAF.

“Existem outros equipamentos, como o utilizado para reanimação de uma vítima com parada respiratória, que devia estar, mas não esteve disponível, mas procuraremos que estejam nas situações futuras, para evitarmos perder um homem, um cidadão”, asseverou Pedro Neto.

O líder federativo garantiu estarem acauteladas as condições de segurança da integridade física dos atletas e de todos os intervenientes ao jogo, razão pela qual, aproveitou para apelar ao clubes que tenham  dentro das suas preocupações e que criem condições médicas, para que se evitem estas situações desagradáveis, por negligência das estruturas.

“Não falemos em sanção, vamos primeiro lutar para que os clubes tenham capacidade para se organizarem e a sanção é na altura em que nós fazermos a vistoria aos campos. Se não vermos este equipamento, não vamos permitir que o jogo seja realizado”, avançou.

COMUNICADO
Direcção encarnada
desmente rumores


A direcção do Sport Luanda e Benfica tornou público ontem, um comunicado, publicado na sua página oficial no facebook, onde desmente os rumores que dão conta de que Gilberto padece de um alegado problema cardíaco.

No documento, o clube encarnado assegura que faz fé no diagnóstico médico, que confirma que o jogador foi vítima de um traumatismo craniano.
"A Direcção do nosso Clube está em posse de informações médicas que desmentem a versão posta a circular, de que o atleta Gilberto terá tido problemas de saúde de origem cardíaca”, especificaram na nota distribuída a imprensa.

“O nosso atleta e capitão de equipa Gilberto, foi vítima de um traumatismo craniano, fruto de um choque com um adversário na disputa normal pela posse da bola de que resultou a sua imediata inanimação e consequente queda no relvado do campo”, lê-se no comunicado.

A direcção das águias aproveitou a ocasião para agradecer, também, a “pronta e competente ajuda da equipa médica do Progresso”, com particular destaque para o Dr. Valdemiro Bento Lourenço Leite de Miranda, responsável pela reanimação do jogador, ainda no interior do relvado.

DEMAIO
Susto durou cerca de meia hora


O dia 26 de Julho é uma data, que fica para sempre na memória de Gilberto, da sua família e dos amantes do futebol. Decorria ainda a primeira parte do jogo, quando o médio de 32 anos caiu inanimado, no relvado, do estádio dos Coqueiros.

O também capitão dos Palancas Negras esteve desmaiado, durante cerca de 29 minutos, período que durou a reanimação, por intermédio do doutor Valdemiro Miranda, médico do Progresso do Sambizanga, que em declarações à Rádio Cinco fez questão de contar os momentos de aflição e de elevado “suspense” a que estiveram submetidos todos os presentes no estádio.

“Quando encontrei o Gilberto, estava inanimado e não respondia a nenhum dos estímulos. E como não havia material de oxigénio, tivemos de fazer a respiração boca - a - boca”, revelou o responsável clínico do clube do Sambizanga, que justificou ter sido “graças a Deus” que o jogador regressou à vida.

Durante ainda o processo de reanimação do médio, foi visível o “fair-play” dos jogadores do Progresso do Sambizanga, que se juntaram também ao redor de Gilberto e  com as suas camisolas nas mãos ajudaram a arrefecer o capitão dos Palancas, estatelado no relvado, enquanto o Dr. Valdemiro Miranda se engajava na recuperação do mesmo.
PC