Jornal dos Desportos

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Girabola

Pedro apagado

Edvaldo Lemos - 28 de Março, 2019

O jogador s precisava de empurrar a bola para o fundo da baliza, para inaugurar o marcador

Fotografia: M. Machangngo | Edies Novembro

 O Petro de Luanda perdeu ontem a oportunidade de aproximar-se ao líder do Girabola ZAP (1ºde Agosto), ao consentir derrota, no Huambo, diante do Desportivo da Caála, por 2-1, em jogo de acerto da 20º jornada.As quinze horas em ponto, o juiz José Maxia deu inicio a partida no campo Mártires da Kanhala, onde o clima não favoreceu as duas equipas. A formação petrolífera, agora sob a orientação do técnico interino, Toni Cosano, mas que ontem não esteve no banco por não ter sido ainda inscrito na FAF, foi o primeiro a chegar à baliza adversária e causar algum susto.

Job, aos 6 minutos, viu o travessão a negar-lhe o golo, quando tencionava fazer um \"chapéu\" ao guarda-redes Julião. Dois minutos depois, Tiago Azulão fez o pior, quando tinha tudo para marcar. 

O jogador só precisava de empurrar a bola para o fundo da baliza, para inaugurar o marcador. Mas como quem falha acaba por sofrer, no minuto 34, uma má saída do guarda-redes dos tricolores, Elber, fez com que  o avançado Paizinho, do Caála, aproveitasse a oportunidade para fazer o primeiro golo da partida.Num curto espaço de tempo, pouco  menos de um minuto e meio, o central petrolífero Wilson perdeu o controlo da bola e, de novo, o mesmo Paizinho agradeceu para fazer o segundo golo.

No reatamento do jogo, os tricolores aceleraram, com uma pressão ao meio campo do adversário. Num cruzamento de Job, Tiago Azulão apareceu certeiro e reduziu a desvantagem, com um remate fora da área, fixando o marcador em 2-1.O técnico David Dias mandou  a sua equipa recuar, apostando na defensiva, para evitar o progresso do ataque petrolífero. 

O banco do Petro foi obrigado a fazer algumas alterações, mas muito tarde, pois efectuou as primeiras substituições quando decorriam  já 86 minutos. Isaac rendeu Vá e Carlinhos entrou no  lugar de Manguxi, alterações estas que  não ajudaram a mudar o placar. O resultado (2-1) a favor do Recreativo da Caála, não sofre qualquer contestação. 

                               
 AMEAÇAS DE MORTE
Bianchi deixa Petro nas peugadas de Clemente


A inesperada saída de Beto Bianchi é a repetição do mesmo filme, que o Petro de Luanda viveu na segunda volta do campeonato de 1990. Um mês depois de ter chegado a Angola para render Carlos Queirós, o brasileiro António Clemente fugiu para o seu país, sem avisar ninguém, por temer pela sua vida.

O categorizado António Clemente não compareceu como de hábito no Catetão, para orientar o treino matinal, a ausência causou estranheza, pois ele era pontual, mas só se começou a pensar no pior cenário, quando se soube que o treinador tinha saído de casa para ir cumprir com mais uma jornada laboral.

O programa \"Desportivo\" da RNA, edição da tarde, conseguiu desvendar o mistério do desaparecimento de Clemente na lista de passageiros da Varig, transportadora aérea brasileira. O jornalista Manuel Rabelais revelou que telefonara ao Brasil e António Clemente aceitou falar mas sem gravar entrevista, o técnico dizia que estava a ser ameaçado de morte, por uma razão que preferia omitir.

Em 1993, António Clemente regressou a Angola e os jornalistas aproveitaram a oportunidade para entrevistá-lo, o técnico respondeu a todas as questões, porém, quando se tentou abordar a questão do \"desaparecimento\" três anos antes, ele preferiu passar ao largo da pergunta, não aceitou falar nada.

O silêncio do treinador deixou por confirmar o que as fontes oficiosas diziam em 1990, que António Clemente tinha um trunfo, que poderia causar grandes dissabores ao 1º de Agosto. Pouco depois de ser contratado pelo Petro, a FAF foi na boleia e deu uma nova chance ao técnico de orientar a selecção nacional, assim consta que quando Clemente, nas vestes de seleccionador nacional, tentou convocar o médio Lukau, a federação o desaconselhou a avançar com a ideia, porque o atleta, que jogava como angolano pelos militares, já tinha sido internacional Sub-20 pelo Zaíre, hoje RDC, inclusive chegou a actuar nos Coqueiros, 30 de Abril de 1988, com camisola da selecção zairense no triunfo de 2-1 sobre os Palanquinhas.

As fontes oficiosas sustentavam que foi essa inesperada descoberta, que António Clemente queria levar como boa nova até à direcção tricolor, a fim de que se avançasse com um protesto contra o 1º de Agosto em todos os jogos em que o \"angolano\" Lukau alinhou. Consta, que foi a partir desse momento, que Clemente começou a receber telefonemas anónimos, por conseguinte, ele preferiu fugir para salvar a sua vida sem ver materializado o protesto, que poderia causar dissabores ao 1º de Agosto que parecia encaminhado para a primeira dobradinha da sua história, já tinha conquistado a Taça de Angola, 1-0 sobre o Petro, e liderava o campeonato de maneira invicta, com chances de acabar com o jejum que durava desde 1981.

O filme agora se repetiu e teve como protagonista Beto Bianchi. O comunicado divulgado pela direcção do Petro de Luanda é claro demais, ao mencionar o verdadeiro motivo do desenlace com o treinador:  \"As partes chegaram a acordo, por razões de segurança do treinador, uma vez que o mesmo tem sido alvo de várias ameaças, sobretudo anónimas, que se acentuaram nos últimos dias\".