Jornal dos Desportos

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Girabola

Petro e 1 de Agosto apostam mais no estrangeiro

22 de Julho, 2019

Antigo mdio-trinco militar convenceu dirigentes e tcnicos do vice-campeo francs

Fotografia: Edies Novembro

A chegada do novo milénio veio acompanhada com verdadeira bonança para os clubes angolanos. A ainda fresca transferência do médio Show do 1º de Agosto para o Lille de França dá sequência ao que aos poucos começa a ser normal, sobretudo as equipas do Girabola Zap, vender jogadores para o estrangeiro.

Ainda é cedo para concluir que as portas se abriram de novo para os atletas nacionais, mas um novo paradigma parece querer tomar conta do nosso futebol, desde que em 2001 iniciaram as vendas quando numa sentada o Petro de Luanda aceitou negociar o médio Gilberto e o avançado Avelino Lopes para o Al Ahly do Egipto.

Além de abrir as portas dum futebol antes desconhecido pelos angolanos, Gilberto e Avelino Lopes também acabaram por resgatar um passado que deixou saudades em Angola. Antes e depois da independência, ainda não havia a moda dos empresários de jogadores, pelo que eram os jogos contra as equipas estrangeiras que equivaliam a um passaporte para viajar para outros campeonatos.

Anos depois de contratar a dupla angolana, o Al Ahly do Egipto regressou a Angola para cumprir um velho desejo, a contratação do avançado Flávio, Petro de Luanda. O técnico Manuel José referiu em várias ocasiões, que já queria o prolífico atacante na época 2001/2002, mas teve de se contentar com Gilberto e Avelino Lopes até que uma nova investida culminou com a contratação de Flávio decorria o ano de 2005.

O milénio estava promissor demais para o futebol angolano e a inédita presença no Mundial da Alemanha em 2006 acabou por manter de pé o que demonstrava ser uma tendência favorável. As exibições do lateral esquerdo Delgado e do médio Zé Kalanga  acabaram  por ser recompensadas quando o Mets de França e o Dinamo de Bucareste vieram bater a porta do Petro de Luanda e fizeram com que Delgado e Zé Kalanga se tornassem nos primeiros angolanos a experimentar o futebol francês e romeno.

Como que para provar que eram mesmo tempo de mudança, o Jornal dos Desportos foi o primeiro a noticiar em 2007 que o avançado Manucho Gonçalves do Petro de Luanda iria fazer testes no gigante Manchester United da Inglaterra. O esquerdino acabou por agradar o Sir Alex Fergusson e assinou pelos diabos vermelhos, tornando-se no primeiro angolano a trocar o Girabola pela primeira divisão inglesa.

A bonança do petróleo foi determinante para que o Girabola Zap pagasse fortunas, motivo por que muitos atletas angolanos preferiram voltar a casa em vez de continuarem as suas carreiras no estrangeiro. É verdade que os altos salários do nosso campeonato fizeram com que até o seleccionador Lito Vidigal aconselhasse até quem ele não convocava a permanecer no país, amenos que surgisse uma proposta tentadora dum grande europeu.

Ainda assim, quando a porta parecia ter se fechado de novo, eis que nessa década uma nova geração de jovens internacionais angolanos começou a reclamar o seu quinhão na herança deixada, motivo porque vários deles como Miguel, Bastos, Vá, Gelson Dala, Ary Papel, Geraldo e agora Show trocaram o Girabola Zap para experimentar outras realidades.

Para além dos jogadores mencionados pelo Jornal dos Desportos, outros mais chegaram ao velho continente sem receberem nenhum tipo de manchete, mas o nosso jornal preferiu dar destaque apenas aos que começaram a sua carreira no nosso campeonato e depois de darem nas vistas abalaram para fora.