Jornal dos Desportos

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Girabola

Petro `senhor da 1 volta

Paulo Caculo - 23 de Dezembro, 2019

Petro de Luanda o novo lder do principal campeonato de futebol do pas

Fotografia: M. Machangongo | Edies Novembro

O Petro de Luanda é o campeão da primeira volta do Girabola Zap, na versão  2019/2020. Os tricolores, ao contrário do campeonato passado, chegam ao desfecho das primeiras 15 jornadas na liderança e com números superiores aos colhidos na temporada de 2018.
Como os números não mentem e ajudam a dissipar quaisquer dúvidas, no actual campeonato, os tricolores, além de líderes, somam 38 pontos, 12 vitórias, dois empates, uma derrota, 29 golos marcados e apenas seis sofridos.
Estes números contrastam com os alcançados em 2018,  ano em que foram vice-campeões nacionais. Nessa altura, em 15 jogos, ocupavam o segundo lugar, com 28 pontos, fruto de sete vitórias, sete empates, uma derrota, 15 golos marcados e sete sofridos.
Diante desses números, a equipa técnica liderada por António Cosano tem razões mais do que suficientes para dar-se como satisfeita, sobretudo pelos números extremamente satisfatórios e, quiçá, suficientes para devolver  e continuar a alimentar o sonho da conquista do título de campeão, que já foge à equipa há largos anos.
Para uma equipa que já chegou a ficar a uma distância de quatro pontos em relação ao seu «crónico» rival, 1º de Agosto, a condição de líder em que se vê colocado actualmente na tabela de classificação, serve de prova inequívoca da subida de rendimento evidenciada pelos pupilos do técnico espanhol nas últimas jornadas.
Das vezes que pegaram de estaca a liderança do campeonato, os tricolores raramente deixaram fugir o título e se manter a força colectiva e solidez competitiva do presente, facilmente chegará ao final da meta no pódio, evitando o tão almejado Penta, que os militares almejam.
O tetra-campeão nacional com o tropeço em Cabinda perdeu o comando da prova, mas continua a fazer jus ao seu estatuto. Sem qualquer pressão na segunda posição teve de contentar-se com actual posição e esperar por um desaire do novo líder. É bem verdade que nada ainda está perdido, mas não é menos verdade que a diferença de um ponto é agravada pelo facto de terem perdido na primeira volta na recepção ao novo líder.
Quem diria que, volvidas quinze jornadas, a Académica do Lobito mantivesse a perseguição aos dois colossos do futebol nacional. Os estudantes, que tiveram uma travessia no deserto com duas derrotas consecutivas, por coincidência frente ao primeiro e o segundo classificado, deram a volta por cima e fecharam em grande o primeiro turno, com uma vitória fora de casa.
Sem razões para festejar, entretanto, encontram-se as equipas abaixo da considerada "linha-de-água". 1º de Maio de Benguela (15º classificado/8 pontos) e Santa Rita de Cássia (16º/8) fazem várias contas à vida na luta pela "sobrevivência" no principal campeonato de futebol do país. 
As duas equipas estão sem margens para erros e vivem condenadas a aturar os «fantasmas» da desilusão, que persistem em assombrar os respectivos balneários. Quis o destino que, na última jornada do campeonato, as duas equipas medissem forças.
Mas, para mal dos pecados, o jogo não aconteceu, em virtude dos proletários terem faltado à partida, alegadamente por os jogadores terem-se recusado a viajar para o Uíge sem os salários prometidos pela direcção do clube.
Um "duro golpe" para o histórico clube da Rua Domingos do Ó que, como se não bastasse a situação aflitiva e delicada no campeonato, ainda tem de confrontar-se com o risco de despromoção ou desistir da prova.