Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Petro aperta o cerco

Paulo Caculo - 03 de Setembro, 2017

Tricolores marcaram trs golos contra nenhum dos caalenses e igualaram militares na tabela de classificao

Fotografia: Jornal dos Desportos

Longe de ter sido um espectáculo de encher os olhos, a história do jogo entre Petro de Luanda e Recreativo da Caála resume-se aos golos de Tiago Azulão e a períodos de equilíbrio e de alternância na posse de bola.Pressionado pela necessidade imperiosa de vencer, para evitar ficar distanciado do 1º de Agosto, seu principal opositor na disputa pela liderança, não admirou que fosse pertencer ao Petro a iniciativa de jogo. Fruto desta atitude, o domínio do primeiro quarto de hora foi dos tricolores.

Enquanto isso, ao Caála cabia a missão de tentar afastar para longe da sua baliza a pressão a que esteve sujeito durante o começo de jogo. Muito bem povoados no seu meio-campo, os pupilos de David Dias davam sinais claros de que estavam para o confronto dispostos a contrariar o favoritismo do conjunto às ordens de Beto Bianchi.

O Petro procurava reagir em conformidade, mas faltava quase sempre arte e engenho às suas jogadas, para descobrir caminhos de acesso à baliza contrária, que pudessem provocar calafrios ao guarda-redes Lokwa. Apesar de espelhar força colectiva, o futebol dos tricolores esbarrava sempre na muralha defensiva montada pelo conjunto do Huambo.

A verdade é que o Caála não se limitava a assistir o adversário jogar. Pressionava quanto bastava, mas os donos da casa tinham sempre uma pronta-resposta às investidas contrárias. E, diga-se, nesse aspecto, quer o Petro, como o Caála, mostravam-se muito pragmáticos, com ambos os ataques a espreitarem constantemente o golo.

Os donos da casa, fruto da grande dinâmica imprimida, construíram antes do intervalo, a vantagem no resultado, com o golo do inevitável Tiago Azulão, numa jogada de belo efeito, a desviar muito bem de cabeça um cruzamento no "coração" da área.

Na segunda parte, o Petro surgiu muito mais incómodo, melhor a explorar os espaços vazios e a criar ocasiões para chegar ao segundo golo. Umas vezes por Toni e outras tantas por intermédio de Manguxi e ainda Tiago Azulão, o conjunto do Eixo Viário dava a ideia clara de querer ficar com os três pontos, mas faltava alguma eficácia às jogadas de finalização.

A equipa de David Dias jamais deixou de acreditar e, fruto disso, sempre tentou descobrir as melhores vias de acesso à baliza de Gerson. Mas, quando se pensava que os caalenses fossem chegar a igualdade, acabaria por ser os tricolores dilatarem os números, na sequência de um penálti. Tiago Azulão, na cobrança, aos 72´, não vacilou.

O 2-0 acabou sendo um autêntico murro no estômago do Caála. A perder, o conjunto do Planalto Central tentou buscar forças onde parecia não haver, mas continuava órfão de jogadas com arte e engenho, que pudessem provocar calafrios à defesa dos tricolores. E no 3-0, selado por outro brasileiro, Diney, não houve mais formas dos planalticos repensarem o ataque.

A equipa de arbitragem liderada pelo internacional António Caxala não teve influência no resultado. Tecnicamente, o árbitro esteve sempre próximo das jogadas, impondo as regras de jogo. Disciplinarmente, puniu com cartão todas as jogadas realizadas às margens das regras.