Jornal dos Desportos

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Girabola

Petro nico campeo imune humilhao dos rivais

Betumeleano Ferro - 09 de Dezembro, 2019

Equipa do Cateto tem no seu registo na maior prova do futebol nacional goleadas de 6-2 e 6-0 sobre a rival militar do "Rio Seco"

Fotografia: Arquivo Edies Novembro

O foco dessa abordagem vai incidir nas goleadas mais sonantes ocorridas somente entre as equipas, que já foram campeãs nacionais. A palavra goleada às vezes varia consoante a definição, o Jornal dos Desportos consultou vários dicionários e optou por ficar com o conceito que é mais consensual: "vitória por quatro ou mais golos, porém com uma diferença de, pelo menos, três golos". Com base nisso, o Petro de Luanda é o único na galeria dos campeões, que permanece imune a goleadas.
Uma série de factos inesperados tornaram marcante o campeonato de 1982, dentre eles há um que mudou o paradigma do nosso futebol porque culminou com o primeiro e único clássico do Girabola. Ninguém lembra que os tricolores foram indicados para representar Angola na Taça dos Clubes Campeões quando o Girabola ainda decorria, pois aparentava ter mais chances de sagrar-se campeão, o que parece ser falta de memória tem explicação na goleada de 6-2 do Petro sobre o 1º de Agosto.
A história do clássico nasceu com o virar da página do nosso futebol, a Cidadela encheu-se de choro e admiração no dia 18 de Julho de 1982, com o placar desnivelado da 19ª ronda, Jesus marcou cinco golos, muitos meses depois em 1983 a banda de música das FAPLAS foi convidada para ir à Cidadela prestigiar a festa do título tricolor, mas a ferida aberta mal estava a sangrar, pois mal sabiam os adeptos do 1º de Agosto que voltariam ao mesmo estádio para testemunhar o maior pesadelo da história. Já lá vamos chegar.
O Petro de Luanda foi ao clássico em 1988 sem o técnico António Clemente que se encontrava no Brasil, mas Carlos Queirós nem teve tempo de sentir o peso da responsabilidade.
 Queirós, que quatro anos antes tinha sido apelidado de "técnico de aparição recente\" pelo Jornal de Angola, foi camuflado aos Coqueiros espiar o jogo treino do rival diante da selecção de esperança. Por conseguinte, os tricolores fecharam a primeira volta aplicando chapa 6-0 ao 1º de Agosto.
O Petro de Luanda e o 1º de Maio de Benguela travaram acessos duelos na década de 80 e 90, um deles até terminou com 13 golos, nunca se marcou tanto num só jogo, mas foi necessário esperar até 1997 para acontecer a primeira goleada.
Os tricolores comandados pelo histórico Jorge Ferreira venceram por 5-1, mas em 2001 o Petro de Luanda fez a conta engordar até chegar a 7-1. Além do 1º de Agosto e o 1º de Maio, os tricolores aplicaram goleadas ao Interclube a maior delas de 7-0 em 1988, em meio ao 4-0 em 2013. Contra o Atlético Sport Aviação (ASA) o máximo que o Petro conseguiu foi 5-0 em 1990, ao Kabuscorp e Sagrada Esperança a equipa tricolor já aplicou um 5-1, enquanto que o Libolo sofreu um caseiro 4-1.
A bem da verdade, o milénio testemunhou o maior número de goleadas nos jogos entre campeões, com efeito na 12ª jornada do Girabola de 2004 o ASA fez história com o inigualável 8-1 sobre o 1º de Agosto. O dérbi, jogo entre equipas da mesma cidade, poderia ter rendido muito mais aos aviadores, porém o técnico Bernardino Pedroto mandou afrouxar, ele teve atitude diferente algumas jornadas mais tarde, quando o ASA cilindrou o 1º de Maio por 6-0.
O 1º de Agosto lambeu as feridas das humilhações do passado, em pouco tempo fez com que o ASA provasse do veneno com 5-0, na 12ª ronda do Gira 2015, e 4-0 na época passada. Até quem nada tinha a ver sentiu o peso da goleada, o 1º de Maio veio a Luanda apanhar 5-1 em 2013, o Interclube foi humilhado em casa por 6-1 em 2016, o Libolo mal percebeu o caseiro 4-1 na 12ª jornada do presente campeonato para não alegar que o 4-0 de 2008 foi por ser estreante no Girabola, ao passo que o Kabuscorp do Palanca levou de 5-0 em 2018.
A decadência do ASA culminou com descida de divisão, mas antes disso acontecer os aviadores sofreram primeiro às mãos dos rivais, foi goleado pelo Interclube em 2010 por 5-1, o Libolo veio a seguir para fazer a sua parte no festim com dupla vitória de 4-0 em 2015 e 2016. O Interclube não ficou a ver a banda a passar, também participou da dança e fez do 1º de Maio o seu saco de pancada com robustos 6-0 em 2003 e 5-0 no reduto dos proletários em 2009.
O Kabuscorp do Palanca, do carismático Bento dos Santos Kangamba, nem teve tempo de ficar com ciúmes pois foi a casa do 1º de Maio humilhar por 5-1 em 2011 para em 2018 lavar o Libolo em Luanda, por contundentes 5-0.

REGISTO
Campeonato com recordes
cheios de contrastes

O campeonato efectuou várias plásticas até ficar com o figurino actual, é por isso que a nossa incursão no livro dos recordes do Girabola começa em 1980, por ser a edição em que começou a vigorar o sistema de todos contra todos a duas voltas.
A primeira grande marca anotada no livro dos recordes permanece imbatível, realmente ninguém consegue chegar perto da invejável marca do 1º de Agosto que terminou o campeonato com 80 golos! É verdade que em 1980 o Girabola tinha 26 jornadas, mas nem mesmo o acréscimo de mais 4 jornadas, que vigora desde 2010 dá tempo suficiente para igualar ou deixar cair essa marca histórica.
O ASA nas vestes de TAAG ainda tentou chegar perto mas perdeu a pontaria quando parecia perto, no Gira de 80 os aviadores contabilizaram 71 remates certeiros. O enorme apetite de golos dos dois rivais da época parece que intimidou quem tentou se intrometer para igualar ou bater essas duas melhores marcas de golos da história do campeonato. O Petro de Luanda em várias ocasiões teve ataques demolidores, porém, sempre passou ao largo das grandes marcas do 1º de Agosto e ASA.
Em três ocasiões diferentes, os tricolores venderam a ilusão de que tinham um mercado de golos, mas por fim caíram na real pois os 66 tentos em 2000 eram insuficientes demais para beliscar o recorde.
Embora os golos sejam o momento mais alto dum jogo, quando eles desaparecem também há notícia, é por isso que convém salientar o Inter da Huíla e o Juventude do Moxico como as equipas que menos marcaram numa edição do Girabola. Em 1993 e 1994 o campeonato esteve amputado, apenas 12 participantes, foi em 1994 que os polícias da Huíla cravaram o recorde negativo de 8 golos em 22 jogos, o Juventude do Moxico também fez 8 tentos em 2007, mas em 26 rondas.
Quanto a defesa mais batida, o Inter da Lunda Sul estabeleceu em 1986 a pior marca de sempre ao sofrer 78 golos em 26 jornadas. O Welwitschia do Namibe e o Fabril do Uíge vêm logo a seguir com 70, ao passo que o Sassamba da Lunda Sul também faz parte do lote restrito com 69 consentidos.
O 1º de Agosto está confortável no extremo oposto, os militares detêm a defesa menos batida de todos os tempos com 8 sofridos em 2018.
A temporada passada, os militares tinham tudo para melhorar o recorde, mas dormiram a sombra da sua muralha intransponível  e acabaram o Girabola com 9 consentidos, a segunda melhor marca de todos os tempos.
A equipa rubro-negra poderia ter estabelecido em 1980 um recorde inigualável, na verdade até chegou a cravar a marca de 21 vitórias, porém o campeonato só tinha 26 jornadas e como a culpa do alargamento não foi do Kabuscorp, os palanquinos sem se aperceber terminaram o Girabola de 2013 com 22 triunfos e estabeleceram o nome recorde de vitórias numa edição do Gira.
A trajectória incomum do Petro de Carlos Silva talvez seria coroada com a melhor sequência de sempre no campeonato de 1986, mas tal como aconteceu em 2000, o melhor que os tricolores conseguiram foi terminar com 20 triunfos, os mesmos do 1º de Agosto a época passada, os rivais partilham a terceira marca de sempre do Girabola.
Quanto a derrotas, o FC Bravos do Maquis e o Porcelana do Cuanza Norte são os recordistas com 22 derrotas.
Os maquisardes estabeleceram a marca em 2004 mas 12 anos depois o Porcelana veio \"reivindicar\" o seu quinhão, Inter da Lunda Sul, Fabril do Uíge, Sporting do Bié, Académica do Lobito e o Domant FC vêm a seguir com 21 desaires.
O Juventude do Moxico também aparece no livro de recordes, mas por duas marcas incapazes de fazer inveja.
Em 2007, a equipa do Moxico terminou o campeonato sem vencer um único jogo, como é fácil de perceber, os 6 pontos que o Juventude fez foram todos obtidos por meio de empates, nunca na história da competição se viu uma cena semelhante.
Por fim, uma última espreitadela nos anais da história, para citar o Kabuscorp do Palanca como o detentor da melhor pontuação de todos os tempos, os palanquinos fizeram 73 em 2013. O Libolo bem se esticou para lá também chegar mas parou nos 69. Quanto a quem menos pontuou, o Juventude do Moxico com 6 e o Welwitschia e o Maquis com 8, são os recordistas mais \"preguiçosos\" da história.