Jornal dos Desportos

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Girabola

Petro perde liderana com derrota no Lubango

Benigno Narciso, no Lubango - 02 de Outubro, 2017

Militares da Regio Sul tiveram capacidade de luta para travar ambio dos tricolores no jogo do Lubango

Fotografia: Arimateia Baptista| Edies Novembro Lubango

O Petro de Luanda foi incapaz de justificar, em campo, o favoritismo que tinha diante do Desportivo da Huíla. A derrota por 2-0, ontem no estádio do Ferroviário, no Lubango, fez com que a equipa tricolor perdesse a liderança do campeonato a favor do rival 1º de Agosto.

Num desafio em que caia sobre o Petro a responsabilidade de assumir as rédeas da partida, dado os seus objectivos na prova, o favoritismo, o estatuto, o histórico e a superioridade técnica e competitiva dos seus atletas, prevaleceu a máxima segundo a qual, \"no futebol não há vencedores antecipados\".

Assim, quando aos 30´, o médio Bruno desfez o nulo no placar e colocou o Desportivo da Huíla em vantagem no marcador (1-0), com grandes culpas do defesa Élio, que depois de uma tentativa falhada de recepção na entrada da grande área, “ofereceu” o esférico ao autor do tento, pairava a incerteza quanto ao vencedor.

Contudo, o adiantamento no marcador foi o “prémio” da determinação, atitude ofensiva e coesão defensiva dos militares da Região Sul que durante este período repartiram e chegaram em algumas fases a impor supremacia. 

A defesa de recurso que o guarda-redes Wilson, do Petro de Luanda, se viu obrigado a efectuar, aos 2´ para desviar a bola que seguia à baliza, com selo de golo, após cabeceamento de Zé, foi a revelação da ambição e aviso de que os comandados de Mário Soares entravam para o desafio com o objectivo firme de triunfar. Aliás, foi com o foco virado para os três pontos que o técnico do Desportivo projectou a recepção dos comandados de Beto Bianchi.

Na reacção, Tiago Azulão respondeu a investida dos militares da Região Sul, aos 6´, quando em posição frontal, na pequena área, ganhou uma bola perdida e em situação privilegiada desferiu um portentoso remate que, para a sua infelicidade, embateu contra um dos defesas contrários que, num gesto de coragem, ofereceu o corpo para travar a potência que o esférico trazia.

Foi sob o signo do equilíbrio e sem situações flagrantes de golo eminente que as duas equipas foram para o intervalo.

Na etapa complementar, viu-se os visitados apostados em defender a vantagem mínima que traziam da primeira parte. Recuada no terreno, ao contrário da etapa inicial em que jogava a todo o terreno, o Desportivo suportou a pressão do adversário que reentrou determinado em chegar à igualdade nos primeiros minutos da segunda parte para depois definir o jogo. Pura ilusão: Foi o Desportivo da Huíla, que contra todas as expectativas, ampliou a vantagem para 2-0. Decorria o minuto 17, quando Muenho, através da cobrança de um livre directo do meio do meio campo adversário, num remate colocado que superou a barreira e de belo efeito terminou no fundo das redes sem hipóteses de defesa para o guardião Wilson.

Diante do ascendente dos visitados, o Petro tentou, mas sem sucesso, inverter o rumo dos acontecimentos. Tiago Azulão, por duas ocasiões, aos 75´ e 79´, foi incapaz de finalizar com sucesso, de cabeça, na pequena área, aquele que seria o golo de honra dos tricolores.

O Desportivo ainda teve tempo para dar um \"banho de bola\" ao Petro na recta final do jogo cuja a vitória teve a \"bênção\" de São Pedro.


OPINIÃO DOS TÉCNICOS



Mário Soares Desportivo
“Obrigámos o Petro a errar”


“Foi um jogo muito bem preparado. Uma finalíssima. Conhecíamos muito bem a forma de jogar do Petro de Luanda. Preenchemos o meio campo. Não deixamos os laterais subirem. Prendemos os dois centrais. E, creio que nisso, conseguimos com que o Petro não fizesse as jogadas que lhe caracterizam. Na antevisão deste jogo previmos que o Petro só poderia nos surpreender duma forma nova, de uma nova maneira de estar no campo. Mas dizer que também tivemos a sorte no jogo. Só que uma sorte que deu muito trabalho. É um trabalho muito tremendo que vem desde o início da época e agora vamos recolhendo os frutos dessa sorte. Obrigámos a equipa do Petro a errar”.  


Beto Bianchi Petro
“Cometemos erros infantis”

 
“Sofremos dois golos de categoria juvenil e nós não somos juvenis. A questão é que numa final, onde temos cinco jogos para o término da competição, não podemos sofrer dois golos da forma como sofremos. O adversário sempre dedicou-se a defender e recebeu estes dois golos de presente. Então, é difícil consentir estes dois golos quando não é mérito do adversário, mas por nossa culpa. Foram golos infantis que a esse nível e nessas condições num jogo importante, para uma equipa que quer ser campeã, não podem acontecer. Repito, não foi mérito da equipa adversária, mas por culpa nossa. Perdemos o jogo e não podemos nos queixar de nada porque cometemos erros infantis”.