Jornal dos Desportos

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Girabola

Petro tem misso espinhosa em Casa blanca

JORGE NETO , EM CASA BLANCA - 28 de Dezembro, 2019

Equipa angolana busca esta noite em Casablanca o primeiro triunfo na sua srie

Fotografia: Miqueias Machangongo | EDIES NOVEMBRO

A missão da equipa do Petro de Luanda no jogo desta noite, às 20H00, no Estádio Mohammed V, diante da formação do Wydad Athletic Club de Casablanca, a julgar pela necessidade imperiosa que as duas equipas têm de somar a primeira vitória nesta edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos, torna tarefa das duas equipas bastante complicada.
A jogar em casa alheia os tricolores terão de se superar e fazer uma exibição melhor em relação aos dois primeiros desafios nesta competição, onde perderam por 3-0 na deslocação a África do Sul, diante do Mamelodi Sundowuns, e empataram a 1-1 na recepção ao USM da Argélia.
O factor extra-jogo já começou ontem, pois a formação do Catetão não fez o habitual treino de reconhecimento do relvado do Estádio Mohammed V, devido ao jogo desta noite, a mesma hora, entre às equipas do Raja de Casablanca e o JS Cabile da Argélia, referente às Afrotaças. O técnico António Cosano minimizou o facto, garantindo que a sua equipa está preparada para todas adversidades normais no futebol.
O único ponto amealhado pelos tricolores, em seis possíveis, ainda permitem acreditar na passagem aos quartos-de-final, tendo em conta que o Wydad tem dois pontos e faltam quatro jogos para o final da primeira fase. 
Todavia, a formação orientada pelo espanhol António Cosano terá de vencer o jogo desta noite, somando o primeiro triunfo, subindo para a segunda posição com quatro pontos, fazendo figas para um empate entre às equipas do USM da Argélia e do Mamelodi Sundowuns da África do Sul, que neste caso ficariam com três e cinco respectivamente.
Os actuais líderes do Girabola jogam uma cartada decisiva nesta competição, pois em caso de derrota estariam hipotecadas às hipóteses de chegarem aos quartos-de-final da Liga dos Clubes Campeões Africanos, uma prova que disputam 18 anos depois da última participação.
Os campeões marroquinos têm mais experiência nesta prova, o título de vice-campeão africano que ostentam serve como prova, daí que a jogar em casa ambicionam brindar os seus adeptos com uma vitória, após a derrota no último domingo no dérbi frente ao Raja Club Athletic de Casablanca.
O objectivo de conquistar pela terceira vez na sua história essa prova, depois de 1992 e 2017 ter pedido de forma polémica a final da edição passada, contra o Esperance de Tunis da Tunísia, coloca em alerta máxima a formação marroquina, que já desperdiçou pontos em casa, na segunda jornada, quando defrontar o Mamelodi Sundowuns.
Tendo consciência do maior poderio do adversário o conjunto angolano vai procurar apresentar uma boa consistência defensivo e explorar o contra-atque, uma vez que Zoran Maki vai assumir às despesas do jogo a actuar no seu reduto.
Os petrolíferos terão de anular o meio-campo dos marroquinos para evitar que municiem os avançados próximos da área de baliza do guarda-redes Gerson. Por seu lado, o conjunto angolano terá de ser frio e aproveitar ao máximo às oportunidades que conseguirem criar durante o desafio.
Sem o médio-trinco Herenilson, que falha o jogo por lesão,  os tricolores contarão com Além nesta posição para travar o todo poderoso campeão marroquinos, impedindo com que serviam o ataque vivamente bem referenciado pelo técnico António Cosano, ontem, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo.
O árbitro zambiano Janny Sikazwe, famoso pela eliminação polémica do 1" de Agosto em 2018, nesta competição, diante do Esperance de Tunis da Tunísia, ajuíza o desafio.

TÉCNICO TRICOLOR
Cosano aposta numa postura ousada

O técnico do Petro de Luanda, António Cosano, vai apostar numa postura ousada para ganhar o jogo desta noite, apesar de reconhecer o grau de dificuldade.
Numa conferência de imprensa bastante concorrida pelos jornalistas marroquinos, ontem, no Complexo Desportivo do Wydad Athletic Club, o timoneiro petrolífero mostrou-se ambicioso em vencer pela primeira vez nesta competição.
"Tudo está em aberto, nós e o Wydad ainda não ganhamos nesta prova e, naturalmente temos como objectivo vencer. Perdemos o primeiro jogo com Sundowns e empatámos em casa, mas estamos confiantes de que será desta vez que iremos somar a primeira vitória. Somos uma equipa grande e temos de pensar desta forma", disse aos jornalistas, garantindo que a primeira posição que ocupam no campeonato angolano serve de motivação para este desafio.
O espanhol prometeu formar um meio-campo forte, capaz de criar dificuldades ao adversário, mantendo consigo a posse da bola e jogar no ataque continuado.
"Queremos fazer o nosso jogo habitual, com posse de bola, controlando desde o primeiro minuto, porque temos de tirar a bola ao adversário. Sabemos das dificuldades, mas vamos tentar conseguir aqui um bom resultado", apontou.
Apesar da confiança António Cosano reconheceu o valor dos campeões marroquinos, apontando alguns aspectos positivos." Sabemos que o Wydad é uma equipa forte e experiente. Sou espanhol e conheço o futebol marroquino, sei do valor dos seus jogadores e, muitos deles são internacionais pela sua selecção, mas vamos tentar contrariar o favoritismo deles, porque também queremos ganhar o jogo", defendeu o espanhol.
O facto inesperado de não reconhecerem, ontem à noite, a relva do Estádio Mohammed V, foi minimizado pelo timoneiro petrolífero." É importante sempre treinar no estádio do jogo, mas é uma situação que não atrapalha muito a nossa preparação. Somos profissionais de futebol e temos de nos adaptar às condições que encontramos\", disse Cosano, que fez o único treino em Casablanca, no Complexo Desportivo do Wydad Athletic Club.
O treinador falou igualmente sobre os adeptos do adversário e dos jogos que analisou para preparar este desafio. \"Sei que os adeptos do Wydad são ferrenhos. Acompanhei alguns jogos e sei que apoiam muito o seu clube do princípio ao fim. Também vi o resumo de alguns jogos do Wydad e vim aqui particularmente para analisar o jogo diante do Sundowns", disse sem receio.
Revelou que "não analisei muito o jogo contra o Raja, porque são jogos muito emotivos, alteram-se muitas coisas e acabam por não ser muito úteis para a observação que queremos fazer da equipa", concluiu o técnico espanhol.

ZORAN MAKI
"Ambicionamos a primeira
vitória" 

Depois de dois empates o técnico do Wydad Athletic Club de Casablanca, Zoran Maki, ambiciona a primeira vitória na Liga dos Clubes Campeões Africanos, na recepção ao Petro de Luanda, em desafio referente a terceira jornada do grupo C desta competição.
Ontem, em conferência de imprensa, o timoneiro bósnio apontou os três pontos como o objectivo principal neste desafio apesar de respeitar o conjunto petrolífero. "Jogamos em casa, diante do nosso público, ainda não vencemos na Liga dos Campeões, por isso, ambicionámos a primeira vitória nesta competição", realçou.
A minha equipa está bem. Fizemos uma boa preparação e acreditamos que vamos conseguir um bom resultado amanhã (hoje). Naturalmente que os três pontos são muito importantes na nossa caminhada de passar para os quartos-de-finais\", disse o Zoran Maki.
O respeito pelos angolanos não inibi a formação da casa a pensar noutro resultado que não seja o triunfo, em função das ambições que levam na maior prova africana de futebol à nível de clubes.
" Vamos respeitar o Petro como temos respeitado todos os nossos adversários, mas jogamos em casa e temos como objectivo ganhar. Na Liga dos Campeões não há jogos fáceis, é uma competição onde estão às melhores equipas de África, ainda assim, pensamos apenas na vitória", sublinhou.
"Tenho acompanhado o futebol angolano, não só o Petro, mas também o 1º de Agosto, o Sagrada e o Kabuscorp, onde estive no campeonato de Angola durante nove anos. Foram bons anos, e conheço a realidade neste momento do futebol angolano", defendeu confiante na abordagem sobre o adversário.
O técnico do vice-campeão africano aposta na conquista da prova depois de perder na final, da edição passada, de forma polémica, diante do Esperance de Tunis da Tunísia. " O nosso objectivo esta época é de ganhar outra vez a liga marroquina, e já que chegamos à final na edição passada, então temos de ir mais além, ou seja, tentar vencer a Liga dos Clubes Campeões", sublinhou.
"Não está fácil, a fasquia é bastante alta, mas estamos preparados, agora temos a abertura do mercado de transferências e vamos contratar mais quatro ou cinco jogadores para reforçarmos na Liga dos Campeões", apontou o técnico bósnio.
A orientar há cinco meses a formação marroquina Zoran Maki disse estar a gostar da sua nova experiência, sobretudo pela maneira como foi recebido neste país da região do Magrebe pelo clube e pelos adeptos.