Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Petro tira barriga da misria

Paulo Caculo - 19 de Setembro, 2019

Tricolores tiveram que mostrar determinao para ultrapassarem os diamantferos

Fotografia: M.Machangongo | Edies Novembro

Ao goleador Yano pode o Petro de Luanda agradecer pelo regresso às vitórias no Girabola Zap. O avançado foi a “chave” que decidiu o  jogo frente ao Sagrada Esperança da Lunda Norte e ajudou a equipa a dar um “pontapé” na crise de resultados.
Pressionado pela necessidade de vencer, a equipa petrolífera até entrou bem no jogo, pressionando e empurrando a turma diamantífera para o seu último reduto. Mas cedo também percebeu que havia do outro lado do relvado uma muralha defensiva muito difícil de transpor.
A verdade é que o Sagrada abordou muito bem este confronto com o Petro. Como prova disso, a equipa de Paulo Torres teve posse de bola, ganhou espaço para jogar em terrenos adiantados do seu meio-campo e, com alguma naturalidade, dispôs de ocasiões para visar a baliza defendida por Elber.
Diante da postura atrevida dos diamantíferos, o conjunto às ordens de Toni Cosano várias vezes foi obrigado a repensar o seu ataque. Umas vezes por Job, outras por Picas, e ainda pelos pés de Toni, o Petro descobria vias de acesso à área contrária, mas pecava na finalização.
O equilíbrio era, na verdade, a nota predominante nos primeiros 45 minutos, dado que nesse período as duas equipas repartiam a posse de bola e a criação de oportunidades de golo. A equipa caseira pressionava mais, mas tinha sempre uma pronta-resposta do conjunto forasteiro.
Os desperdícios do ataque surgiam igualmente de ambos os lados, sendo que, nessa ordem, Yano, num remate de cabeça em rotação, aos 14´, Feny, na mais flagrante das oportunidades, aos 16´,  leva a sensação de golo nas bancadas, Francis, numa combinação de perfeita com Muenho, aos 20´, e Toni enquadrado com a baliza remata com perigo, aos 26 minutos.
O Sagrada mostrava-se cauteloso no seu futebol, tendo optado por uma postura mais recuada no seu meio-campo, partindo para o ataque com critérios e chegando com qualidade às situações de golo. Tal estratégia, permitiu que não proporcionassem aos donos da casa o domínio absoluto da partida.
Na segunda parte não houve inversão de papéis e muito menos alteração da história do jogo. Apesar da excelente réplica do adversário, o conjunto tricolor continuou a explorar muito bem as habituais jogadas pelos flancos, tendo Job - umas vezes na direita, e outras pela esquerda - e Tony nas trocas constantes de extremos, criado jogadas ofensivas, capazes de criar alguns calafrios à defesa diamantífera.
Estavam jogados 64 minutos, quando o Sagrada numa jogada de belo efeito fez tremer a defesa do Petro, num remate de Femi que tirou tinta ao poste da baliza de Elber. Mas, na resposta, Yano falhou de forma escandalosa, ao desviar mal um passe de Job, praticamente na “cara” de Langanga.
 Se por um lado, os tricolores mostravam-se irredutíveis na ambição de marcar o golo que lhes permitisse pontuar e sacudir a pressão, por outro, os diamantíferos eram um “osso duro de roer”, pois jamais baixaram os braços e sempre espreitaram o golo, aliás, que o diga o guarda-redes Elber.
A dada altura sentiu-se que a ansiedade do Petro em chegar ao golo colocava pressão nos pupilos de Toni Cosano. Enquanto isso, aproveitava o Sagrada para apertar o cerco e agudizar, ainda mais, a tensão dos petrolíferos.
Mas como “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, o Petro chegou ao golo e respirou de alívio, por intermédio de Yano, aos 86’, na sequência de uma jogada em que os centrais do Sagrada meteram muita água.

ARBITRAGEM
O árbitro António Dungula não teve dificuldades para ajuizar o desafio entre o Petro e o Sagrada. O juiz da partida esteve ao nível do espectáculo e contribuiu para a sua qualidade, quer na avaliação técnica, quer na disciplinar.