Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Pontos à deriva

Betumeleano Ferrão - 29 de Março, 2018

Interclube lidera o campeonato mas já perdeu cinco pontos em 21 possíveis

Fotografia: José Cola | Edições Novembro

À chamada dos candidatos, está a ser respondida com enorme desperdício de pontos, no Girabola Zap 2018. A estatística de jogos realizados, prova que os grandes ainda não aqueceram o suficiente, para irem ao encontro dos objectivos traçados para a presente temporada.
O Jornal dos Desportos,  olhou para o desempenho dos candidatos,  constatou que todos  aparentam negligência no início do Girabola Zap. Embora, alguns deles, como o 1º de Agosto e o Petro de Luanda tenham vários jogos em atraso, a grande verdade é que  as equipas que lutam para serem campeãs,  perderam muitos pontos.
A luz vermelha acendeu em direcção do Recreativo do Libolo, os libolenses são entre os candidatos, os que estão com o pior desempenho no campeonato. A par do Interclube, a equipa de Calulo tem o calendário em dia, contudo, a prestação é surpreendente, em 21 pontos possíveis equivalentes a 7 jogos, já perdeu 11 pontos.
O desempenho dos libolenses associar-se ao novo começo que decidiu fazer ao largar da mão os atletas que consagraram o clube, como o terceiro mais titulado do campeonato, contudo, o desperdício de pontos é evidente e seguramente condiciona a permanência do Libolo no comboio dos candidatos. A derrota com o FC Bravos do Maquis surgiu na pior altura para o Interclube, o líder do Girabola Zap começou com uma passada larga, está a fazer uma boa colheita nesse início, todavia, poucos ainda repararam que já deixou para atrás 5 pontos. Sem jogos em atraso, os polícias têm poucos motivos para estarem tranquilos, vão recomeçar o campeonato na liderança, porém, a partir de agora vão ter de estar mais atentos, porque o desaire caseiro com os maquisardes pode facilitar a aproximação dos concorrentes.
O bicampeão, 1º de Agosto, tem o foco no continente, o regresso à fase de grupos da liga milionária é capaz de forçar os militares a estabelecerem prioridades para serem competitivos.Enquanto espera  acertar o passo, os militares já se perceberam que estão atrasados no campeonato, só entraram três vezes em acção, só amealharam  quatro pontos, o que significa que já perderam cinco, muitos pontos em poucos jogos.
A esperança de renovação, pode mover o 1º de Agosto a recuperar o título, quatro jogos são 12 pontos e vice-versa, mas os militares já se aperceberam que a história pode não voltar a repetir-se, as duas faces  até agora provam que a equipa não pode desperdiçar pontos e manter os olhos na revalidação. O Petro de Luanda saiu pela porta traseira nas Afrotaças, a meta traçada na Taça da Confederação é utopia, pelo que toda a concentração está no campeonato. Os tricolores têm três jogos em atraso,  os oito pontos em quatro jogos não parecem muito para levantar o ânimo num ápice, por isso, os quatro pontos desperdiçados vão exigir esforço extra para destacar-se dos demais.
Os tricolores ambicionam terminar o jejum no Girabola, os quatro pontos desperdiçados são muitos, faz uma média de um ponto por jornada, entretanto, o que consola o Petro de Luanda é a concorrência que fraca apetência e sem vontade de encetar a fuga, nesse início de prova.
O actual segundo classificado, o Kabuscorp do Palanca está em intermitência, em meio à constante reivindicação do estatuto de candidato. Os palanquinos já amealharam 12, mas deixaram escapar seis, um mau prenúncio para quem faz questão de lembrar sempre que está no campeonato para terminar em primeiro lugar. Os palanquinos também têm de acertar o calendário,  o único jogo por disputar é pouco para recuperar o que foi desperdiçado. O Kabuscorp faz questão de responder sempre à chamada dos candidatos, falta-lhe mais acções para começar a ser levado mais à sério, pois, está mesmo atrasado.

AMANHÃ NO HUAMBO
Tricolor tenta afogar as mágoas frente ao JGM


O Petro de Luanda tenta amanhã lamber as feridas contraídas na eliminação africana, com uma vitória extramuros, no jogo com o JGM do Huambo. Os tricolores são os protagonistas do jogo que abre a oitava jornada, contudo, sabem mais do que ninguém que vão centralizar as atenções, logo que o apito soar às 15h00 no Ferrovia, ou o Petro ganha ou o alarme do pessimismo dispara.
A precisar de reabilitação urgente, por causa do fracasso africano, os tricolores têm de levantar o ânimo e provar que tropeçaram mas não caíram, os três pontos diante do modesto JGM estão longe de ser a panaceia, contudo, fazem parte do processo por que o Petro tem de passar, para recuperar muito da auto-estima. Agora,  só tem um osso para levar, os tricolores podem gastar todas as fichas que quiserem para enviar o recado aos oponentes, uma vitória é sempre uma vitória, não importa por quanto nem contra quem, é isso o que o Petro de Luanda vai esforçar-se em fazer no Ferrovia.
Sem liberdade de escolha, o candidato Petro de Luanda vai pretender ser o dono do jogo, até pode não inclinar o campo, porém, vai ter de pôr em sentido o JGM. Uma entrada em força e competente pode ser suficiente para provocar temor ao adversário, se a lei do mais forte prevalecer desde o apito inicial, fica claro que a lógica do resultado vai prevalecer no final, sem que o favorito tenha  sequer tempo para lamentar-se pelo que devia fazer com eficácia. O JGM está com a mesma bitola do ano passado, é por isso que perdeu o efeito surpresa, todos já sabem do que é capaz de fazer contra oponentes apetecíveis, como o Petro de Luanda. A equipa do Huambo entra em campo com a certeza absoluta de que não precisa  de assumir nada, a pressão está com o tricolor, pelo que  tem de estar atento  às migalhas, que se espera serem muitas, que possam cair. Antes do apito inicial, é ponto assente para o JGM, que a correlação de forças é desproporcional, fugir do Petro de Luanda também não é a melhor solução, ainda assim, a modesta equipa do Huambo vai agarrar-se à estratégia do contra-golpe, como âncora segura para fazer uma gracinha, nem que o resultado final seja um empate.
Os dois contendores estão longe de ficarem satisfeitos com o que têm feito. O JGM está numa posição que bem conhece, o último lugar, mas o Petro de Luanda também tem poucos motivos para não erguer a cabeça, a partir de hoje o tricolor começa um campeonato de recuperação para chegar a meta preconizada.

PREPARAÇÃO
Duelo de Ombakaa tarefa  polícias


Com o intuito de  regressar  às vitórias no próximo jogo, depois da derrota caseira por 1-0, no confronto com o FC Bravos do Maquis, o Interclube trabalha a todo o “gás” para o desafio de sábado às 15h00 no Estádio de Ombaka, para defrontar a Académica do Lobito,   referente à oitava  jornada do Girabola Zap.
Ontem, a equipa trabalhou os aspectos técnicos no período da manhã, no Complexo Desportivo 22 de Junho, principalmente o melhoramento do posicionamento dos jogadores em campo.  Paulo Torres realizou o trabalho com vista ao aperfeiçoamento técnico, táctico e físico, de forma a colmatar algumas dificuldades que os atletas apresentam, assim como procurou formas de dotar o grupo de mais mobilidade dentro do campo, com vista  ao regresso às boas exibições e aos golos.
Na mesma sessão, o treinador dos polícias não abdicou dos seus métodos e estratégia. Alterou o sector da defesa, fez a experiência da dupla de centrais, Fabrício e Baca, assim  como Vali e Fabrício e vice-versa,  criou zonas de marcação individual forte com rápidas transições para o ataque.  Paulo Torres experimentou igualmente jogar  com dois avançados fixos, para criar mais pressão sobre os defesas da Académica do Lobito. O grupo efectuou um jogo entre si em campo reduzido, com o apoio da equipa de juniores, no qual foi visível a insistência dos atletas com relação aos remates de curta e meia distância para a baliza.
Os polícias querem à todo custo regressar às vitórias, para continuar a liderar o campeonato, por isso, o jogo  de sábado está a ser aguardado com  expectativa nas hostes da equipa do Rocha Pinto. Embora,  a equipa  ainda não esteja  no auge, a equipa técnica mostra-se satisfeita com as melhorias que se registam no plantel do ponto de vista táctico, em relação ao  último  jogo em que perderam com FC Bravos do Maquis.VK

DASFAA * INTERCLUBE
“Temos trabalhado sem pressão”

O médio ofensivo Dasfaa, da equipa principal de futebol do Interclube, garante que o plantel às ordens de Paulo Torres está a trabalhar sem pressão e está preparado para  conquistar os  três  pontos no jogo de sábado no Estádio de Ombaka, quando defrontar a Académica do Lobito, no prosseguimento da oitava jornada do campeonato nacional.
O atleta falava depois do treino de ontem no Estádio 22 Junho, onde a sua equipa está a preparar o embate com os estudantes do Lobito, disse que o Interclube está pronto para fazer um bom jogo fora de  casa e mostrar que a derrota no 22 de Junho perante o Maquis, foi um \\\"acidente de percurso\\\". Visivelmente satisfeito, o atleta confessa que vai dar da mesma maneira o seu contributo à equipa, tal como  sempre o faz  quando entra  em campo.
\\\"De mim podem esperar o mesmo Dasfaa de sempre. Primeiro, vamos lutar pelo colectivo que é o mais importante, o individual vem depois\\\", salientou.
Apesar de não temer o adversário, Dasfaa considera o jogo \\\"muito difícil\\\". 
\\\"Vai ser um jogo difícil, a equipa da Académica está a fazer um bom campeonato, conseguiu vencer o 1º de Agosto e empatar com o Petro de Luanda, por isso, temos de ter muita cautela. Mas estamos preparados para isso, somos profissionais e esperamos sair deste jogo com os três pontos\\\", referiu.
Dasfaa é um dos atletas oriundos da escola Norberto de Castro, garante que não está preocupado com nenhum atleta da equipa adversária, mas com o colectivo.
\\\"Não nos preocupamos com um jogador em particular, mas com o colectivo. Seja ele quem for, estaremos preparados para fazer o nosso trabalho\\\", sustentou.  Quanto ao moral da equipa , o médio dos polícias foi peremptório:
\\\"O moral do grupo está em alta, estamos a trabalhar bem e sem qualquer pressão. Sabemos que é um jogo difícil, por isso, vamos lutar para fazer um bom resultado e regressarmos às vitórias\\\", salientou.                      VALÓDIA KAMBATA