Jornal dos Desportos

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Pontos repartidos

Paulo Caculo - 24 de Abril, 2017

Libolenses e militares perderam pontos no clássico disputado ontem em Calulo

Fotografia: kindala Manuel | Edições Novembro

A história do jogo entre o Recreativo do Libolo e o 1º de Agosto resume-se aos quatro golos, a períodos de imensa disputa pela posse de bola e ocasiões de golos, bem como a fraca visão de António Dungula. Ou seja, apesar da determinação e do bom espectáculo proporcionado pelas duas equipas, os libolenses têm motivos de queixa do internacional angolano, pois o árbitro não assinalou, aos 90+2´, uma situação de penálti , quando o central Bobó, sobre a linha de golo, desviou com o braço o remate de Fabrício.

Pressionado pela necessidade de vencer, para evitar ser ultrapassado pelo Kabuscorp e Petro, não admirou que o 1º de Agosto fosse imprimir, ainda nos primeiros instantes do jogo, grande dinâmica ao seu futebol, principalmente depois do minuto 5, quando sofreu o primeiro golo.  O jogo ofensivo prometido pela equipa técnica do 1º de Agosto para o clássico de ontem foi um facto. Ou seja, os militares, mesmo tendo sofrido o golo muito cedo, foram dominadores na primeira parte do jogo, porém, incapazes de tirar proveito das várias oportunidades criadas.

Mas não foi apenas o 1º de Agosto que teve muitas chances para empatar e até mesmo passar na frente do marcador. O Libolo em duas ocasiões, por Diawara, teve nos pés soberanas oportunidades para aumentar o marcador, mas a sua bota esteve \"furada\" no momento da verdade. Ainda assim, acabou por ser o Libolo a chegar primeiro do golo, aos 5´, por intermédio de Kuagica, a desviar muito bem um cruzamento de Sidney.

A perder, o 1º de Agosto procurou dar uma resposta a altura, reagir em conformidade, mas faltava quase sempre arte e engenho às suas jogadas, para descobrir caminhos de acesso à baliza contrária, que pudessem provocar calafrios ao guarda-redes Landu. Apesar de espelhar força colectiva, o futebol dos militares  esbarrava sempre na muralha defensiva montada pelo conjunto de Calulo nos locais mais recuados.

A verdade é que o 1º de Agosto pressionava quanto basta, mas o Libolo tinha sempre uma pronta-resposta às investidas do adversário. E, diga-se, nesse aspecto, quer militares, quer  libolenses, se mostravam mais pragmáticos, com ambos os ataques  a espreitarem constantemente o golo.
Os donos da casa até poderiam construir, antes do intervalo, uma vantagem mais dilatada, não fosse os desperdícios. Aos 37´, Diawara viria a dar-se ao luxo de falhar de forma escandalosa apenas com o guarda-redes na frente.
Na segunda parte, o 1º de Agosto surgiu muito mais determinado.  Explorou os espaços vazios e criou ocasiões para chegar ao empate. Porém, o conjunto de Calulo não desarmou e dava a ideia clara de querer ficar com os três pontos, mas faltava sempre eficácia às jogadas de finalização.
A equipa de Dragan Jovic jamais deixou de acreditar e, fruto disso, foi com naturalidade que chegou ao empate, por intermédio de Rambé, aos 61´.

Tal postura foi positiva, na medida em que permitiu ao conjunto ganhar espaços para jogar em terrenos adiantados do seu meio-campo e deu a \"cambalhota\" no resultado, por intermédio de Vado, aos 74´, jogador que substituiu o primeiro marcador militar. A perder, o Libolo foi buscar forças onde parecia não haver. Dominou a parte final e num lance de penálti restabelece a igualdade por intermédio de Fabrício, resultado que veio a arrastar-se até ao final da partida, embora as duas formações viessem a protagonizar mais situações de perigo.

ARBITRAGEM
António Dungala
peca no clássico


O árbitro António Dungula acabou por comprometer a boa actuação no clássico de ontem, em Calulo, ao não marcar um penálti, no tempo de compensação (90+2´), quando o defesa Bobó, sobre a linha de golo, travou com a mão o remate do avançado Fabrício. Uma situação que pode ter influenciado o desfecho da partida, pois, na eventualidade do castigo ser convertido poderia dar a vitória ao tetracampeão. A assistente Judite Mestre teve também impressão na falha do chefe de equipas, pois esteve no acompanhamento da jogada. O mesmo não se pode dizer no capítulo disciplinar. Dungula cedo evitou com que os jogadores fizessem \"queima de tempo\", como aconteceu com Landu e Depaiza, ambos do Libolo, e Julião, do 1º de Agosto, por sinal quando as suas equipas estavam em vantagem no marcador.