Jornal dos Desportos

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Girabola

Prata rejeita suspeies na arbitragem

Jorge Neto - 19 de Outubro, 2016

Presidente do Conselho de arbitragem diz que as leis do jogo so dinmicas e as partes devem falar a mesma lngua

Fotografia: Jos Soares

Nas últimas três jornadas que restam para o final do Girabola Zap, os árbitros estão proibidos de falhar,  devem apitar como se fossem os jogos das suas vidas, para evitar  serem acusados como bodes expiatórios pelas equipas, na hora de justificarem os seus insucessos. O apelo pertence ao presidente do Conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol (CCAFAF), Muluta Prata, em declarações exclusivas, ontem, ao Jornal dos Desportos.

“O apelo que deixamos nestas últimas três jornadas, é que os árbitros estão proibidos de falhar. Nós não queremos chegar ao final do campeonato, com os clubes a utilizarem os árbitros como bodes expiatórios dos seus insucessos, daí, pedirmos aos árbitros que façam como grandes finais, os jogos em que forem chamados a dirigir, como se fossem os jogos das suas vidas”, apelou.

Por este motivo, o homem forte da arbitragem nacional, traçou já a estratégia a utilizada nesta etapa final do campeonato, em relação aos seus filiados. “Nós, conselho central, vamos deslocar-nos às províncias onde temos árbitros de primeira categoria nacional, para pedirmos que tenham a máxima responsabilidade, o máximo cuidado e que estejam bem no ponto de vista técnico, físico e psicológico, para que não errem nas três últimas jornadas que faltam.

Elas  determinam o título e  as equipas que vão descer de divisão, não queremos que sejam os árbitros, os acusados da equipa A ou B, por não terem ganho o título ou terem sido despromovidas”, apontou. Muluta Prata mostrou-se preocupado pelo facto dos agentes desportivos desconhecerem, por vezes as leis de jogo, uma situação que levam em alguns casos a incendiar os ânimos dos adeptos e causar tumultos nos Estádios. 

“É importante também realçar aqui, nós que estamos na arbitragem notamos que existe um certo desfasamento no que são as leis de jogo, da parte dos agentes desportivos, comentaristas e mesmo técnicos. As leis de jogo são dinâmicas e é preciso que todas as partes falem a mesma língua  devem actualizar-se, porque essas más apreciações, às vezes, provocam os ânimos dos adeptos e descambam em tumultos, nas confusões que acontecem”, disse o entrevistado, apelou à todos envolvidos no futebol que se actualizem.

Muluta Prata disse que o facto da competição entrar na fase decisiva, tanto para a conquista do título como pela permanência, os árbitros não devem ser os principais culpados dos insucessos das equipas.

“Todos têm objectivos no campeonato , e aproxima-se cada vez mais da sua fase final. Por um lado, as equipas que lutam pela permanência,  por outro as que lutam pelo título, e é ai onde estão os grandes problemas, as equipas que lutam pelo título, às vezes, tentam ir buscar o motivo do insucesso, na falha do árbitro, o mesmo acontece com as formações que lutam para não descer de divisão”, disse que preferia que os jogos fossem apitados por “robós”, para não apanharem por tabela, embora todos falhem.

O dirigente contrariou a afirmação segundo a qual, os jogos da equipa do 1º de Agosto só foram apitados uma única vez, por um árbitro internacional (Romualdo Baltazar), justificou com os nomes de João Goma e Paulo Talaia.

FALHAS
“Erros não beneficiam apenas uma equipa”

Sem responder as acusações do presidente de direcção do Petro de Luanda, Tomás Faria, que os árbitros beneficiam sempre a equipa do 1º de Agosto, Prata rejeitou a ideia de que os erros favorecem apenas uma única formação.  De acordo com o presidente do Conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol (CCAFAF), preferiu abordar o assunto, numa vertente mais temática.

“Em função daquilo que é a minha ética e deontologia desportiva, não me permite rebater as palavras de um dirigente desportivo, no caso do presidente de um clube. Temos dito várias vezes, que enquanto houver jogos de futebol, existirão sempre erros de arbitragem", disse.

“É verdade, que os erros de arbitragem não só em Angola como em qualquer outra parte do mundo, quando existem podem beneficiar, de forma involuntária, uma ou outra equipa, dizer taxativamente que a equipa A ou B é que a única beneficiada pelos árbitros, não corresponde com a verdade”, comentou.

Muluta Prata admitiu que os erros dos árbitros acontecem, o conjunto militar também já foi prejudicado neste campeonato. “Porque estas mesmas equipas, A ou B, quando hoje é beneficiada com um erro do árbitro, amanhã também podem ser prejudicadas por um erro do árbitro”, sublinhou.

“O dirigente acrescentou, que “no caso concreto do 1º de Agosto, se por um lado tivemos aquela situação do jogo com o Petro, enquanto tivemos no campo não demos conta que houve uma falha do assistente em não sancionar o fora-de-jogo” “O árbitro foi sancionado por isso, também é verdade que já existiram outros jogos neste campeonato que também o 1º de Agosto foi prejudicado por erros do árbitro”, admitiu.

O presidente do Conselho Central de Árbitros disse que as equipas devem estar preparadas do ponto de vista competitivo para ultrapassar as adversidades dentro do campo. “Temos de ver as coisas nas duas fases. E, um campeonato é mesmo assim, qualquer uma outra equipa também pode ter benefício ou ser prejudicada por erro do árbitro, é normal, agora, as equipas devem também estar preparadas do ponto de vista competitivo para ultrapassar estes constrangimentos.

Porque não é de facto num único jogo, com um erro, que vai influenciar o resultado final do campeonato”, pediu. Muluta Prata destacou o trabalho que se faz no sentido de diminuir consideravelmente os erros dos árbitros para que deixem de ser tão falados, mas reconheceu que os erros acontecem em todos os campeonatos do mundo.

“O trabalho que nós estamos a fazer, isto é, que é importante, é fazer com que os árbitros cometam o menor números de erros possíveis. Anos após anos, os erros grosseiros constantes têm estado a diminuir substancialmente. Isto, é que é importante, não tenhamos ilusões, pensarmos que durante um campeonato não haja erros dos árbitros,

isso é impossível, mesmo nos campeonatos mais competitivos, como o espanhol, inglês, alemão, português que assistimos constantemente, há falhas dos árbitros durante os jogos e aqui não devia ser de forma diferente, reconhecemos e aceitámos às criticas, mas o importante é que existem melhorias", afirmou e apontou o fora-de-jogo e o penálti como as falhas mais comentadas.
JN

AVALIAÇÃO
Dirigente considera positiva
a arbitragem na segundona


O trabalho dos árbitros da recém - terminada Segundona mereceu igualmente a apreciação de Muluta Prata, que considerou positivo, destacou o facto de não houver nenhuma reclamação das equipas participantes.

“Podemos considerar o balanço positivo. O campeonato terminou sem qualquer caso, e sem nenhuma reclamação. Nos últimos dois anos não temos tido qualquer tipo de problemas na competição de apuramento. No passado, tivemos muitos problemas , há quem dizia que quem jogava eram os árbitros e esse quadro mudou. Isso, deve-se ao motivo de serem os árbitros da segunda categoria e os comissários também da segunda categoria nacional, a fazerem estes jogos”, disse satisfeito.

O presidente do CCAFAF citou os motivos que estão na base do desempenho regular dos juízes, disse que “a razão desse sucesso tem explicação: estamos a fazer um grande investimento de base, à nível dos árbitros dessas categorias inferiores, quer na selecção deles. Em termos de idade, estamos a seleccionar árbitros jovens, eles têm de ter um máximo de 28 anos, a média ronda em 24/25 anos nesta categoria”, apontou.

Muluta Prata destacou ainda a aposta nos árbitros que apresentam  formação superior, assim como na sua estatura, como recomendação da FIFA.
“Temos investido nos árbitros com um nível académico aceitável, e na estatura física do árbitro, que lhe permite ter uma boa velocidade e boa resistência física. Isso, é graças à formação que os nossos instrutores têm feito, à nível destes escalões, não só em Luanda, mas também noutras províncias", concluiu.
JN

FORMAÇÃO
País pode
ter novos árbitros
internacionais


Muluta Prata esclareceu que o país deve contar com novos árbitros internacionais, caso sejam escolhidos pelo órgão que dirige o futebol mundial, para refrescar a actual lista que compõe este quadro.  O presidente do CCAFAF explicou os motivos que estão na base da entrada dos três novos candidatos, deixou de fora os antigos juízes internacionais, Paulo Talaia e Pedro dos Santos.

“A FIFA dá-nos a prorrogativa, no final do ano, de colocarmos sempre novos candidatos a árbitros internacionais.  É essa perspectiva que nós colocamos mais três candidatos, que concorrem de igual forma, com os que já estão lá. Trata-se de José Álvaro (Huíla), António Dungula (Benguela) e Paulo Sérgio (Moxico) que vão disputar uma escolha com os árbitros que estão no quadro da FIFA”, disse citando os actuais internacionais angolanos, Hélder Martins, António Caxala, João Goma e Romualdo Baltazar.

O homem -forte da arbitragem nacional considera que a aposta do seu pelouro em árbitros jovens, tem surtido os efeitos desejados, apoiados na formação dos instrutores. “Temos estado a apostar numa gama de árbitros jovens, temos estado a investir na formação dos nossos instrutores. Nós anualmente  enviamos para fora dois à três instrutores que são formados pela FIFA.

Estão sempre a actualizar-se nas leis de jogo, e tão logo regressam ao país, dão formação aos outros árbitros e isto, tem estado a ajudar muito”, adiantou. O número “um” do CCAFAF explicou de forma breve, a lei de jogo que se refere a marcação da grande penalidade, quando a bola toca na mão de um jogador dentro da área. 

“As regras do jogo são claras. Hoje a FIFA já não analisa se a bola foi ou não intencional, existe outros critérios para se avaliar, nestas situações de bola à mão ou mão à bola. Quando é desviada a trajectória da bola com a mão numa condição em que os braços não estão na sua posição normal pelo jogador infractor, a impedir um ataque prometedor. Nestes casos, é penálti e advertência com o cartão amarelo”, explicou.

Muluta Prata abordou questões sobre a reunião da CAF, no passado dia 25 de Setembro, em que participou na condição de membro da Comissão de Organização dos Clubes.

“Basicamente nesta reunião, nessa comissão da qual somos membros, fizemos uma análise de todos os jogos realizados nas competições inter-clubes,  ratificamos as sanções, a validação das datas dos calendários de provas de 2017, e a validação de algumas alterações aos regulamentos de competições das provas africanas”, pontualizou.
JN