Jornal dos Desportos

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Girabola

Pressa de ser campeo

Paulo Caculo - 28 de Setembro, 2015

Libolo foi mais forte que Benfica no jogo mais importante da 27 jornada do principal campeonato de futebol do pas

Fotografia: Jos Soares

O golo solitário de Fredy, aos 72´, foi a única grande recordação que a fraca falange de adeptos pôde levar para casa no balanço do jogo entre Benfica de Luanda e Recreativo do Libolo, disputado ontem, a contar para a vigésima sétima jornada do Girabola. Além do golo, do futebol pouco ou nada de aliciante protagonizaram as equipas, além de um desafio marcado por jogadas muito musculadas e pouco atractivas.

Diga-se, antes de mais, que era pelo corredor direito que o Libolo mais procurava fazer fluir o seu futebol, com Fredy a explorar quanto basta as fragilidades ou a provocar calafrios aos laterais das águias. Que o diga Osório. O facto é que, no conjunto campeão, se não era Fredy a criar incómodos, era Sidney a acrescentar uma nota artística ao caudal ofensivo da equipa.Apesar da enorme vontade de vencer o jogo, demonstrada por ambos os conjuntos, a primeira parte não teve grande história, sendo que houve apenas muita competitividade no meio-campo, com um futebol muito musculado a traduzir, claramente, a ideia de uma partida muito disputado.

A dada altura as equipas deixaram de valorizar os princípios de ligação ao jogo, passando as equipas a dar prioridade às jogadas em profundidade, na tentativa de apanhar de surpresa as defesas.Realmente pertenceu ao Libolo as poucas situações de perigo mais flagrantes, com Diawara a ganhar notoriedade. O "gigante" atacante dos libolenses ganhava a maioria das bolas aos centrais Debele e Miguel que, diga-se em amor à verdade, tiveram uma tarde de imenso trabalho.

Mas o Benfica não limitou-se apenas a assistir o adversário jogar. Muito pelo contrário. Mesmo não tendo Zeca Amaral no banco, por castigo federativo, as águias mostravam-se capazes de imprimir forte dinâmica ao seu futebol. Pedro chegou a levar o perigo à baliza de Ricardo, aos 26' e 38'. A segunda parte foi um paradigma da etapa inicial, com o Libolo a querer assumir o domínio territorial da partida e o Benfica a encontrar sempre uma pronta-resposta. Aos 60 minutos, um lance polémico na área da equipa de Calulo, com o remate de Pedro a encontrar o braço de Mingo Sanda.Mas o árbitro esteve bem no lance, ao julgar mão involuntária do defesa.

Mas o golo viria a surgir por banda do Libolo, aos 72´, num remate surpresa de Fredy, com largas culpas para o guarda-redes Elber, que ficou muito mal na fotografia, ao permitir que a bola batesse no solo e fosse enganado pela trajectória desta. O golo funcionou como um duro golpe para a águia, que inconformado com o resultado passaram a pressionar mais vezes o último reduto dos libolenses.

Dada a desvantagem e a cinco minutos do fim, o Benfica fez duas substituições numa só assentada. As entradas de Adawa e Bena vieram acrescentar mais velocidade e criatividade ao meio -campo e ataque dos encarnados, que passaram a fustigar a defensiva da turma de Calulo. Muito pressionado, o técnico do Libolo deu sinais de querer defender o resultado ao fazer entrar Kuagica e Pataca para os lugares de Fredy e Dário, duas unidades do sector defensivo e intermédio.Sem muito tempo para jogar, o Benfica teve a apenas quatro escassos minutos depois dos 90, atribuídos pelo árbitro, para tentar chegar a igualdade. Mas o querer não foi poder.

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
“Tivemos azar”


Ivo Campos  Benfica "Fizemos tudo que esteve ao nosso alcance, o Libolo marcou num lance caricato, mas o futebol é mesmo assim, ficamos tristes mas temos de dar os parabéns à equipa. Tivemos azar, porque estas coisas acontecem. Tentamos crescer neste clube e estamos na luta pelos objectivos, que é no mínimo empatar a classificação do ano passado. Quando se perde nunca é de se destacar, mas vamos levantar a cabeça para os próximos jogos".




“Título é objectivo”

João Paulo Costa Libolo-"Conseguimos fazer uma primeira parte com grande qualidade e na segunda com mais querer e procura do golo. Estamos a contar com o título, que é o objectivo, porque tudo passa por vencer o próximo jogo com o Caála. A primeira parte foi total domínio nosso, não vi nada do Benfica. Na segunda parte houve mais equilíbrio e penso que merecemos ganhar este jogo".


MELHOR EM CAMPO
Exibição de luxo


O médio Fredy, do Recreativo do Libolo, acabou por ser a figura mais importante do jogo de ontem, no estádio dos Coqueiros, diante do Benfica de Luanda, ao rubricar o golo que decidiu a partida mais importante da 26ª jornada. Além disso, Fredy esteve no centro da grande dinâmica imprimida pelos libolenses ao seu futebol, ao dar muito apoio ao ataque, municiando inúmeras bolas ao sector ofensivo. O golo, marcado aos 72´, serve também de prémio ao labor patenteado pelo influente jogador, titular indiscutível na estrutura do campeões nacionais. Grande exibição!

ARBITRAGEM
Sem razões para alaridos


O trabalho do trio de arbitragem luandense, encabeçado por Hélder Martins, fez um trabalho que não merece qualquer contestação. Disciplinarmente, o árbitro esteve bem ao admoestar com justiça todas as entradas à margem das regras. Tecnicamente também não comprometeu, na medida em que o único lance que se julga ser polémico, aos 60´, o juiz mostrou competência ao considerar jogada regular. Pelo desempenho que teve no principal jogo da jornada, entre o líder Benfica de Luanda e o Recreativo do Libolo, disputado no estádio dos Coqueiros, merece a nota bom.