Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Problemas estruturais pesaram no desempenho do clube

Armando Sapalo, no dundo - 14 de Novembro, 2016

Mesmo com uma equipa técnica competente antes e depois da suspensão do treinador principal Zoran Maki,  viu-se o Sagrada Esperança irregular e instável a todos níveis competitivos no Girabola ZAP.  O desempenho da equipa no campeonato, onde já foi campeão em 2005, resume-se, em trinta (30 )jogos efectuados, em  nove triunfos, dez empates e onze derrotas.

A equipa marcou vinte e três (23 golos) e viu a sua baliza a violada pelo mesmo número de vezes. Seis das nove vitórias foram conseguidas em casa onde perdeu por três vezes.O Sagrada Esperança, em suma, não teve uma época positiva nas competições nacionais, fundamentalmente no Girabola ZAP, onde, para a insatisfação, ficou relegado para fora do leque dos primeiros cinco classificados.

Como tem sido da praxe, a direcção procura apenas estar próximo da equipa,  já na  fase derradeira da época, como pretexto de desatar o nó e evitar a despromoção. Só nos momentos cruciais do campeonato é que a direcção realiza encontros e reuniões tendentes a encontrar mecanismos eficazes que permitam garantir a permanência na primeira divisão. Não se pode, de modo algum, sacrificar e atirar ao culpa nem aos jogadores nem à equipa técnica.

A boa imagem que tiveram na Taça da Confederação evidenciou e dissipou todas as dúvidas da competência do grupo de trabalho. Contrariamente ao que se pode pensar, os atletas e a equipa técnica foram grandes heróis, pois, lutaram, até ao fim, e conseguiram garantir a presença do Sagrada Esperança na principal prova do futebol nacional.

 É irrefutável que o mais importante foi assegurado, mas o Sagrada Esperança, pela sua magnitude, não é uma equipa que devia somente lutar para não descer de divisão. Em termos financeiros tem sido feito um enorme esforço que possibilitam garantir as condições para a equipa marcar presença no Girabola, cujas despesas reconhece-se que não é tarefa fácil mobiliza-las.

 A participação no Girabola acarreta avultadas somas de dinheiro. É necessário inteligência, criatividade rigor e gestão financeira moderada. Tudo isso a direcção do Sagrada Esperança tem e faz muito bem. Principalmente nesta fase de “ vacas magras”, em que uma profunda crise financeira e económica, apoquenta o País.

 A formação da Lunda Norte felizmente não tem enfrentado dificuldades maiores que uma parte considerável das equipas angolanas apresentam. É do restrito grupo de equipas cuja direcção sabe honrar com os compromissos que tem com os seus funcionários, como salários, prémios de jogo e contratos. Alguma coisa falta para que o Sagrada Esperança continue  a afirmar-se como uma instituição forte, de renome, e comprometida com o crescimento e desenvolvimento do movimento desportivo em Angola. Não se trata de crítica, mas uma constatação que, aliais, é um princípio de organização para um clube com sustentabilidade financeira, história, conquistas e dimensão como é o caso do Grupo Desportivo do Sagrada Esperança.

Uma direcção de qualquer instituição, deve ter um calendário de reuniões ordinárias onde são colocados meios de trabalho, estabelecidos métodos de actuação e a definição das metas que se pretende alcançar em função dos recursos disponíveis.As agremiações desportivas não devem descartar a este princípio de organização. É prática do Sagrada Esperança as reuniões da sua direcção serem abrupto um princípio, que contrasta completamente o com o de organização.

Nunca são feitas conferências de imprensa para perspectivação nem mesmo balanços da prestação da equipa de uma determinada época. A Comunicação institucional, praticamente não existe o que muitas vezes faz desconfiar da falta de compromisso e respeito com a massa adepta que muito sofre com o clube.  A Endiama patrocinador do clube e o governo provincial, têm feito um excelente trabalho e conseguem cumprir com as suas responsabilidades. O elo mais fraco até ao momento tem sido a direcção.

Fontes ligadas ao clube revelam que Assembleia do Grupo Desportivo do Sagrada Esperança, está marcada para o dia 3 de Dezembro deste ano, numa das salas de reuniões da Delegação da Endiama no Dundo.  Recentemente o Presidente do Conselho da Administração da Endiama Carlos, anunciou em declarações à imprensa no Dundo que a aposta para a futura direcção do Sagrada Esperança, vai ser a renovação na continuidade.

Nesse momento o treinador principal Zoran Maki , cujo contrato  que o vincula ao Sagrada Esperança termina no final da presente época , encontra-se suspenso em tempo indeterminado  desde a 22ª Jornada do Girabola Zap. A dupla Roque Sapiri Moniz Frank, adjuntos do sérvio na equipa técnica e Sabastião Barreto Senas, orientaram a turma diamantífera da Lunda Norte, até ao final do Campeonato, onde conseguiram assegurar a presença no próximo Girabola ZAP, mas desconhece-se, ao certo, o futuro do técnico Zoran Maki e dos seus coadjuvantes a nível da equipa técnica do Sagrada Esperança.Há uma grande expectativa em torno da Assembleia, pois augura-se que venha a ser o ponto de partida do resgate da mística da equipa que no dia 26 Dezembro deste ano, completa 40 anos de existência.                      AS

GIRABOLA
Esperança fecha época sem brilho


Apesar de ter terminado o Girabola Zap 2016, com uma vitória expressiva de 3-0, sobre o Porcelana FC do Cazengo, em N’Dalatando, que permitiu terminar na nona  posição, na tabela classificativa, o Sagrada Esperança da Lunda Norte teve época medíocre. À excepção da brilhante e surpreendente participação na Taça da Confederação em que caiu na última eliminatória de acesso à fase de grupos da competição continental, diante do Young Africans da Tanzânia, no Girabola Zap equipa não teve arte nem engenho para brilhar.   
                
 Talvez em termos de números, a direcção e equipa técnica possam considerar positiva a prestava do conjunto diamantífero, pelo facto de este ano melhorar a classificação de 2015, em que terminou em décimo.

 Seria uma avaliação  isenta de rigor, dado que nas duas épocas que nos referimos (2015 e 2016), o Sagrada Esperança acabou com o mesmo número pontos. Ou seja, em duas épocas consecutivas, o Sagrada Esperança não foi além dos 37 pontos. Em 2015, a equipa, diga-se em abono da verdade, praticou bom futebol, sobretudo na segunda volta, em que na recta final ganhou estabilidade para recuperar o terreno, porque saiu da 15ª para a 10ª posição, aliado ao facto de disputar a afinal da Taça de Angola em que veio a perder para o FC Bravos do Maquis, por 1-0.

Internamente, no ora terminado Girabola Zap, os problemas de funcionamento das diferentes estruturas tiveram impacto negativo, no capítulo técnico e desportivo. Esperava-se que depois da experiência obtida na Taça da Confederação, a julgar pelas condições criadas pela direcção para a participação na competição.