Jornal dos Desportos

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Girabola

Progresso aguarda veredicto da FAF

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 10 de Novembro, 2017

Albano César lamenta os problemas vividos pela equipa ao longo da época

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

O técnico principal do Progresso da Lunda Sul, Albano César considerou há dias no Lubango, província da Huíla, ter feito uma época futebolística desastrosa por motivos de natureza financeira.

O treinador ao fazer o balanço daquilo que foi a prestação da sua equipa ao longo do Girabola Zap 2017, apontou que em nalgumas circunstâncias, não estiveram bem mas noutras não dependeu apenas da vontade do grupo.

Reconheceu que a temporada futebolística da formação do Progresso da Lunda Sul foi marcada por altos e baixos, o que influenciou negativamente no rendimento daquele conjunto. “Durante a época futebolística, tivemos os chamados altos e baixos”, lamentou e justificou o porque;

“Em nalgumas circunstâncias não estivemos bem. Sabem que o factor económico-financeiro é muito importante para uma competição e nós atravessamos essa situação crítica. mas são condições que ocorrem no nosso país em particular e no mundo no geral”, apontou o técnico.

Alertou a quem de direito para a melhorarem e evitar repetirem os problemas vivenciados ao longo desta época. Deplorou o facto de ter sido uma época desastrosa para o clube fundamentalmente para aquilo que eram as razões fundamentais para uma competitividade forte.

 “Ainda assim, cumprimos o nosso papel e fomos até ao fim. As jornadas terminaram, mas o campeonato administrativamente ainda continua até o final da temporada e veremos se estaremos na continuidade ou não do Girabola, devido as expectativas reinantes em torno do recurso interposto pela direcção da agremiação”, disse.

Albano César sublinhou que o Campeonato Nacional da Primeira Divisão teve um nível competitivo muito bom e sustentou a sua avaliação pelo facto de apenas na última jornada serem encontradas as outras duas formações despromovidas, assim como a confirmação do campeão, o que evidencia a disputa acérrima na conquista do título.

“Tivemos um campeonato com um nível competitivo muito bom. Veja que só na última jornada é que ficou definida as três equipas desprovidas, embora falte a confirmação administrativa da FAF”, examinou.

“Lá em cima também, as duas equipas que estiveram no topo o cenário foi quase o mesmo. Falo do Petro de Luanda e do 1º de Agosto equipas que fizeram um campeonato muito renhido quase até ao final da temporada”, comentou. Por último, enalteceu o despique entre as outras equipas candidatas, mas que não tiveram pedalada para aguentarem os mais eficientes com excepção do Sagrada Esperança, um \"intruso\" que afastou potenciais favoritos. 

“Portanto, houve  uma grande competitividade. Tivemos um Interclube, Kabuscorp muito forte e outras equipas realmente de certo calibre em ternos competitivos”, frisou o treinador da equipa lunda.


FINANÇAS
Albano César defende apoio aos clubes


Albano César queixou-se da situação critíca que alguns clubes enfrentaram para terminarem o Girabola Zap 2017 clamando por apoio financeiro, o que não é bom para a verdade desportiva e muito menos para o prestígio da competição.

Defendeu a necessidade de se encontrarem soluções para evitar que situações do género se repitam em defesa do futebol e o desporto de um modo geral. “Vamos ver se encontramos soluções para podermos dar um apoio ao desporto nacional”, preveniu.

“Se não houver dinheiro, não teremos muitas soluções. Eu lamento única e simplesmente essa situação, porque sabemos que há alguns clubes que lhes são alocadas verbas e se calhar nós não estamos tão privilegiados”, lamentou.

O técnico do Progresso da Lunda Sul, revelou que as vezes “temos irregularidades no nosso campeonato” e acrescentou que, fizeram aquilo que lhes cabia competir.

 “Demos o nosso melhor e estamos satisfeitos por terminar o Girabola em glória com uma vitória de 1-0 diante do Desportivo da Huíla, partida referente à 30ª e última jornada, totalizando deste modo 32 pontos”, regozijou-se.

Reforçou estar confiante num desfecho isento por parte da federação para se saber quem realmente foi despromovida em função do caso despoletado em véspera da jornadas derradeira do Girabola.

“Vamos aguardar conforme já lhe disse anteriormente, pelo nosso recurso. Eu próprio, não sei se descemos ou continuamos no Girabola. Tudo dependerá do recurso remetido na Federação Angolana de Futebol, FAF”, afirmou céptico.


CASOS NO GIRABOLA
FAF com balanço
desequilibrado


O Girabola é a maior manifestação futebolística do país e ao longo da sua disputa vários são os casos e acusações que se levantam, e alguns deles acabam mesmo por testar a capacidade dos dirigentes da FAF e dos clubes, pelo facto de muitos desses casos não conhecerem o fim esperado.

Na 38ª edição que se presta a findar foram registados muitos casos, cujo destaque recai para o chamado \"Caso Cabibi\", que culminou com o relegar da formação do Progresso Associação do Sambuquila, da Lunda Sul para a Segunda Divisão.

O caso foi despoletado pela equipa da Académica do Lobito, que atento ao desenrolar das coisas, alertou à FAF sobre um castigo de suspensão por três jogos que pendia sobre o jogador Mário Rui de Abreu, conhecido nas lides desportivas como Cabibi, ao serviço do conjunto da lunda.

Não se sabe ao certo se terá sido de forma propositada ou não, que a direcção da formação dirigida por António Jamba cometeu essa imprudência, mas é bom relembrar que, a meio do presente Girabola o mesmo jogador já vinha sendo citado pelo clube Santa Rita de Cássia do Uíge, por este ter sido mal utilizado numa jornadas, pois, o mesmo encontrava-se na situação ilegal. Depois de muita tinta correr sobre esse caso, mesmo com a equipa do Uíge bem munida de provas, viu os seus argumentos esvaziados por um dos órgãos sociais da FAF por alegada invenção de assinatura por parte dos dirigentes do Santa Rita, o que deixou essa equipa em maus lençóis, acabou por sofrer um desconto de pontos.

Foi também destaque neste Girabola Zap de 2017 o registo de um caso insólito, em que mesmo a jogar na condição de anfitrião, o Recreativo da Caála perdeu o jogo por falta de comparência, devido a uma dívida que tinha para com o Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA).

Na ocasião, a equipa de arbitragem indicada para dirigir o desafio negou-se a fazê-lo, exigindo que o clube da vila do grémio do milho fizesse o devido pagamento, facto que não ocorreu, dando assim origem à derrota por falta de comparência mesmo na condição de anfitrião.À semelhança do conjunto do Planalto Central, o Progresso da Lunda Sul esteve igualmente envolvido num caso de derrota por falta de comparência em casa, quando na ocasião devia defrontar a similar do Progresso do Sambizanga.

Face a grave dos atletas por falta de pagamento dos respectivos salários, não obstante se fazerem presentes no Estádio das Mangueiras, rejeitaram equipar-se e consequentemente entrar em campo.

Aqui se enquadra igualmente a problemática levantada pelo treinador José Fernandes \"Zeca Amaral\", que acusou os assistentes do jogo entre o FC Bravos do Maquis e o 1º de Agosto de terem recebido dinheiro dos dirigentes agostinos, com o fito de manipular o resultado, facto que não foi totalmente provado e entrou no esquecimento.Ainda nessa senda, outro caso envolveu a direcção do Atlético Sport Aviação \"ASA\" com a equipa de arbitragem indicada para apitar o jogo com o Recreativo da Caála, mas também nada se provou e o caso foi definitivamente engavetado.
AUGUSTO PANZO