Jornal dos Desportos

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Girabola

Progresso "rouba" posição ao Kabuscorp

Paulo Caculo - 05 de Novembro, 2016

O jogo de abertura da última jornada do campeonato disputado ontem nos Coqueiros esteve muito longe da expectativa

Fotografia: Paulo Mulaza

Kabuscorp do Palanca e Progresso da Lunda Sul despediram-se ontem do Girabola Zap 2016 com um jogo fraco e sem emoção. Contribuiu para a pobreza do espectáculo a fraca qualidade do futebol numa clara demonstração de estarem a cumprir formalidade em campo.

A vitória, por 2-0, assenta perfeitamente na formação da visitante, por ter sido aquela que mais fez pelos três pontos durante os 90 minutos regulares e cumprir com o objectivo traçado para esta época, ou seja, a melhoria da classificação.

Apesar da vontade evidenciada pelos dois conjuntos, o sinal mais pertenceu sempre ao Progresso criando as melhores situações de golo. Uma vezes por Mendinho e outras por René e Mongo, o conjunto Lunda incomodava quase sempre o último reduto dos donos da casa.

Ainda assim, faltava calma, eficácia e serenidade ao ataque da equipa de Saurimo para concluir com êxito as jogadas. A primeira grande situação clara de golo iminente nesse período teve a autoria de René, aos 34', com a bola a levar a sensação de golo.

Dada a postura ofensiva, chegou-se a adivinhar que o Progresso fosse chegar ao golo nessa período, pois, a  formação às ordens de Kito Ribeiro era uma equipa sem complexos, trocava bem a bola e a criar jogadas de grande perigo, o suficiente para provocar calafrios a baliza de Rubian que, diga-se, em obediência à verdade, teve uma tarde de muito trabalho. O Kabuscorp era uma equipa presa nos seus movimentos e a precisar de um ou dois jogadores fundamentais para os sectores considerados chave e servirem de ópio para os colegas.

Nem Lami e muito menos Kanku Tresor mostravam-se capazes de descobrir o caminho do golo. Os passes extraviados e as perdas de bolas eram provas evidentes do momento de desconcentração dos palanquinos.

Dada a grande dinâmica imposta ao seu futebol, acabou sendo com alguma justiça que o Progresso chegou ao golo inaugural, aos 42', por intermédio de René, na sequência de uma jogada de belo efeito, que teve em Mendinho um dos grandes arquitectos.

Na segunda parte, o Kabuscorp regressou inconformado com a desvantagem, tendo o técnico provado isso mesmo, ao efectuar três substituições numa só sentada. As entradas de Bruno, Mano Calesso e Mpele Mpele ajudaram a acrescentar maior dinâmica e criatividade ao futebol dos donos da casa, que passaram a atacar com maior incidência. Porém, o conjunto palanquino era um colectivo que continuava a revelar imensas dificuldades em concretizar as oportunidades criadas. Como se não bastasse os desperdícios do ataque, o Kabuscorp viria sofrer o segundo golo na sequência de um pênalti, tornando as coisas mais complicadas para a equipa da casa, que abanou completamente no jogo, tendo se mostrado incapaz de reagir em conformidade.

Até ao apito final do a´rebitro da partida que teve um trabalho aceitável, o facto é que faltavam soluções ao ataque dos palanquinos, que continuava impotente para chegar ao golo, ou produzir uma jogada que pudesse fazer sonhar os tempos de glória.