Jornal dos Desportos

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Girabola

Proletários e Estudantes lutam pela permanência

Júlio Gaiano, no Lobito - 23 de Outubro, 2016

Benguela está atenta ao jogo que ditará a equipa local que baixa de divisão

Fotografia: Paulo Mulaza

As apostas crescem à medida que o tempo se a aproxima para o trumunu que, promete capitalizar as atenções dos seus aficionados na província e no país adentro.

As duas equipas estão condenadas a vencerem todos os jogos que restam da prova e esperar que os seus directos oponentes na luta pela “sobrevivência” claudiquem nos jogos que disputarem.

A situação está complicada e caótica ao mesmo tempo para a insatisfação da massa apoiante do futebol nestas paragens do território angolano que, diante da problemática, corre o risco de, na próxima época, ver-se privada das emoções do GirabolaZap.

A sorte estará lançada no desafio deste domingo, no estádio nacional de O’mbaka (à porta fechada). Um empate complica tudo. Quer o 1º de Maio quer a Académica ficam com a margem da permanência diminuída, o que traduziria numa irremediável despromoção.

Observadores atentos com o evoluir da situação, são de opinião que em função da responsabilidade e do interesse que o jogo carrega em si, a direcção do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela devia ser mais ousada e fazer melhor a leitura dos factos e encontrar melhor solução para os jogos da sua equipa, na condição de anfitriã, como por exemplo escolher uma das províncias vizinhas, no caso do Huambo, Namibe ou Huíla.

Acreditam que, numa dessas províncias, a equipa poderia, e bem, contar com o apoio do público, a julgar pelo histórico que construiu ao longo da sua vivência competitiva no Girabola.

“Ao ignorar este pormenor, os dirigentes proletários passam a mensagem de que a despromoção da equipa do GirabolaZap é um facto irrefutável, daí o desinteresse pelas iniciativas arrojadas como aquelas que apontam para uma possível salvação (…)”, comentou o professor Alfredo Dias Katokesa, adepto confesso da formação encarnada de Benguela.

Na verdade, o 1º de Maio de Benguela está numa situação delicada em relação ao seu adversário da jornada 28. Pior do que isto é que o campo escolhido para o embate foi, desde sempre, o obstáculo para os seus intentos. Ou seja, sempre aí jogou, perdeu, inclusive, em jogos referentes aos “provinciais”.
Daí o receio dos adeptos em relação a posição tomada pela direcção liderada por Wilson Fernando Faria no que toca ao recinto do jogo para o resto da competição, levando a perceber que já nada tem a perder no desafio contra a Académica do Lobito, uma Académica que ainda acredita na permanência no GirabolaZap.

Com os 25 pontos que possui nas suas contas, os estudantes se ganharem todos os jogos que restam, a começar já contra os proletários, totalizam 34 e podem manter-se na primeira divisão sem precisar de terceiros. O percurso é sinuoso, estreito e com muitos obstáculos.

Ainda assim, acreditam na possibilidade de se ultrapassar as barreiras e no fim, darem-se por felizes e dizer “sim, conseguimos!”, como fez lembrar o professor António Lopes “Chiby”, quando abordado sobre tal possibilidade. Este é o ambiente futebolístico que se vive em Benguela, com muita agitação e suspense à mistura.