Jornal dos Desportos

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Girabola

Proletrios por "um fio" na I diviso

Jlio Gaino, em Cabinda - 22 de Agosto, 2019

Direco do 1 de Maio de Benguela sem dinheiro para liquidar dvida

Fotografia: Arimateia Baptista ( Hula) /EDIES NOVEMBRO

O "caso" que envolve a direcção do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela e a Federação Angolana de Futebol (FAF), relativamente aos pendentes financeiros e que estiveram na base da inviabilização do jogo diante da Académica do Lobito, no passado domingo, pontuável à primeira jornada do Girabola Zap 2019/2020, ainda tem muito que se lhe diga. O silêncio dos dirigentes proletários agudiza os receios dos seus apoiantes que, nos últimos dias, viraram as suas atenções na rua Domingos do Ó.
Os próximos dias serão decisivos. O presidente de direcção do 1º de Maio de Benguela, Rui Eduardo de Araújo, remeteu-se ao silêncio e tudo pode acontecer nas próximas horas. Uma espécie de cataclismo para a organização do futebol nacional está a ser "cozinhado" na sede proletária, estando o Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (CDFAF) envolvido num assunto, que muito bem poderia ter evitado.
Na óptica de algumas pessoas ligadas ao assunto, o elenco liderado por José Carlos Miguel excedeu-se no uso das prerrogativas que lhe assistem, ao inviabilizar a realização do jogo (gerou confusão no estádio). Julgam-no, por isso, que o mesmo terá usurpado competências do Conselho Técnico, presidido por Jeremias Simão.
Em face desta realidade, a direcção do 1º de Maio de Benguela pondera retirar-se da competição, estando neste momento em contacto com seus parceiros, no sentido de se avançar com esta hipótese. O futuro afigura-se sombrio, com consequências inimagináveis para o futebol benguelense. Os pendentes financeiros reclamados pela FAF, estão a atrapalhar na gestão da actual liderança.
A situação não está para menos, tanto é que já existem correntes a defender a extinção do futebol sénior no clube e acabar-se com a confusão que, no seu entender, visam única e simplesmente, silenciar vozes críticas contra actual forma organizacional do nosso “association” futebolístico.
Culpados ou não, a actual direcção proletária herdou um fardo pesado da sua antecessora, com as dívidas a somarem contas maiores que as anunciadas pelo seu presidente, Rui Araújo, avaliadas em Akz 3.850, 000 (três milhões e oitocentos e cinquenta mil kwanzas), resultantes da contenda da Segundona, que ditou no triunfo da sua equipa sobre o Sporting de Benguela, por 4-3.
Não obstante, o técnico Nzuzi André e o ex-chefe do Departamento de Futebol, Tinny Marcos, deram uma moratória ao clube (ver texto à parte). O Jornal dos Desportos soube de outras pessoas ligadas ao dossier, que o problema é grave, e caso a FAF mantiver a sua rigidez na observância dos regulamentos, dificilmente o Estrela Clube 1º de Maio de Benguela se livrará de uma possível hecatombe, a julgar pelo número de atletas e funcionários administrativos, que reclamam pela compensação financeira de que, dizem, ter direito pelo trabalho que exerceram em prol do clube.


PERPLEXIDADE 
O jurista Egas Viegas manifestou-se perplexo, pela forma como a FAF julgou o "caso" 1º de Maio. No seu entender, denotou-se a usurpação de competências pelo Conselho de Disciplina, tendo, por isso, responsabilizado a imprensa pelo protagonismo criado em volta do seu presidente.
“Não é da competência desse órgão (Conselho de Disciplina) organizar jogos do campeonato, mas sim, do Conselho Técnico. Não houve esse cuidado, na decisão de a FAF inviabilizar a realização do jogo, quando na verdade, seria da competência do Conselho Técnico organizar. Pelos vistos, não foi isto que aconteceu, infelizmente”, lamentou.
O jovem jurista, que teceu tais declarações à Emissora Provincial de Benguela do Grupo Radiodifusão Nacional, E.P., defende revisão profunda nas normas que regem a organização dos campeonatos nacionais, de forma a evitarem-se situações como aquelas que se observaram no último fim-de-semana, em que o público (em Benguela e no Uíge) se viu privado de assistir a uma partida de futebol, por alegada falta de pagamentos.