Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Qualidade dos reforos divide lobitangas

Jlio Gaiano, no Lobito - 04 de Junho, 2018

Fotografia: Dombele Bernardo Edies Novembro

Os atletas contratados pela Académica do Lobito, para reforçar o plantel na segunda volta do Girabola Zap 2018, nomeadamente  os médios Lindala (ex-Interclube), Bruno (ex-1º de Maio de Benguela) e Kapita (ex-FC Bravos do Maquis) e o central Celso Barros (ex-Recreativo do Libolo), não caíram no goto dos sócios e adeptos do grémio lobitanga, que consideram que a direcção do clube, contrariamente ao que seria ideal, reforçou a equipa com “jogadores velhos e cansados”.
A direcção garante acreditar na capacidade e competência dos jogadores contratados para a segunda volta. Os associados dizem estar decepcionados com a atitude tomada pela equipa técnica, anuída pela sua direcção, na contratação dos referidos atletas, dispensados noutros clubes. A dispensa de jovens promissores formados no clube, é outro assunto que deu azo a inquietação dos apoiantes do grémio lobitanga.
“Foi assim, em épocas anteriores com outros técnicos que por aqui passaram e, para o nosso espanto, a prática continua. Estão a matar a expectativa dos jovens e a direcção não reage. Cala-se feito mudo. Pior do que isso, deixa que os nossos rapazes sejam trocados por velhos e cansados. Há que se colocar um ponto final nesta bagunça. Reforço sim, mas esforço jamais. A Académica tem uma identidade que deve ser respeitada e preservada e, isto, passa pela valorização dos seus activos”, comentou o professor Mateus Kalitangue.
No mesmo diapasão alinha o antigo futebolista da Académica do Lobito, Figueiredo Kusanhoka “Drible”, para quem, a actual direcção não tem sabido tirar proveito do trabalho que se desenvolve nas camadas de formação.
“Os associados devem reunir-se e chamarem a atenção aos técnicos e dirigentes, pelo perigo que o clube incorre ao desperdiçar, em todos os anos, os frutos do trabalho que se desenvolve nas camadas jovens”, apelou. 
Já a enfermeira Emília Valukiya, entende que a situação não pode ser encarada com leviandade, apesar de discordar com determinadas decisões tomadas pela equipa técnica, com o beneplácito da sua direcção.
“A situação é delicada, admita-se. Ainda assim, há que se ponderar e saber as causas que estiveram na base dessa confusão. É complicado fazer uma observação apurada sobre o assunto. Contudo, não esqueçamos que o clube não tem dinheiro para contratar jogadores de renome. Ainda assim, foi possível conseguir alguns. São os nossos atletas, devem sentir-se acarinhados e protegidos por todos nós”, avançou.
A Académica dispensou os jovens Gaúcho, Mendinho e Pick, ao passo que o médio-ofensivo Jorge Kadú e o médio-ala Chiló saíram a seu pedido. O primeiro juntou-se à família, em Portugal, que não vê há três anos, ao passo que o segundo, regressou a Luanda para cuidar a esposa, que se encontra em estado de gestação.

DUARTE ADRIANO
Director desdramatiza
posição dos adeptos

O director-geral da Académica Petróleos Clube do Lobito, Duarte Adriano “Esquerdinho”, manifestou estranheza na maneira como (no seu dizer) um grupo de adeptos e associados se insurgiu contra a actuação da direcção, no que toca à contratação de alguns jogadores para reforçar o plantel, cujo objectivo é atacar a segunda volta do Girabola Zap 2018.
“Não queremos entrar em polémicas, deixem-nos trabalhar e, no fim, avaliamos o resultado. Foram contratações possíveis, gostaríamos ter os melhores do Girabola Zap, infelizmente, estamos limitados, financeiramente. Por isso, são estes atletas que conseguimos contratar e é com eles que vamos contar para atacar a segunda volta. Vamos torcer para que tenham êxitos e contribuam, para manter a equipa no Girabola Zap”, referiu.
Sobre a dispensa dos jovens atletas formados no clube, como foram os casos de Gaúcho e Mendinho, o director-geral da Académica do Lobito considerou um procedimento normal e que nada belisca os interesses do clube. Garantiu tratar-se de atletas ligados a Académica e, como todos outros ali formados, continuam a merecer a atenção privilegiada da sua direcção, bem como da equipa técnica.
“Para o vosso conhecimento, em função daquilo que é a performance dos garotos, o técnico (Rui Garcia) entendeu emprestá-los ao Jackson Garcia SC de Benguela de forma a ganharem espaço e ritmo competitivo. São bons atletas e com uma margem de progressão aceitável. Por isso, precisam de jogar e aparecer mais, pelo que não vemos nada de mal nisso. É um investimento que deve ser potenciado e rentabilizado, para o bem do clube e, quiçá, do país”, contou.
Duarte Adriano “Esquerdinho” assegurou, que a sua direcção negoceia a contratação de um atleta para reforçar o sector ofensivo que, ao longo da primeira volta, revelou-se fraco na finalização.
“As negociações com o referido atleta atingiram o ponto de não retorno. Faltam finalizar pequenos detalhes. Logo que poder, vamos comunicar. Por enquanto, é segredo”, ajuntou.
JG