Jornal dos Desportos

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Girabola

Queda histórica

Júlio Gaiano, no Lobito - 05 de Novembro, 2017

Os aviadores que tinham de vencer a qualquer preço, não tiveram forças para travar a força e a garra dos donos da casa

Fotografia: Edições Novembro

A Académica do Lobito confirmou à sua manutenção na primeira divisão, numa tarde de glória para a equipa da casa e desolação para o ASA. Numa partida que teve de tudo um pouco, a vitória dos estudantes foi a confirmação da força de vontade de um grupo que sempre acreditou nas suas capacidades.

Os aviadores que tinham de vencer a qualquer preço, não tiveram forças para travar a força e  a garra dos donos da casa, acabando de despenharem-se no Estádio do Buraco e dizer adeus ao campeonato nacional da I divisão.

No final, o público vibrou e festejou o feito conseguido pelos lobitangas, em pleno estádio do Buraco, que se transformou num autêntico inferno para os aviadores que acusaram cansaço e falta de organização.

A formação lobitanga entrou com a lição bem estuda e esteve bem ao longo da partida, não obstante acusar uma certa responsabilidade. Ainda assim, fez o que competia e acabou mesmo por reduzir o adversário à insignificância. Os jogadores estiveram endiabrados e bastante confiantes.

Académica sempre acreditou, por isso, esteve sereno e fez o essencial. Marcou os golos necessários para no fim fazer a festa, para a tristeza do ASA. Os estudantes precisavam de um triunfo e conseguiram com toda naturalidade.

Quis o destino que tal fosse arrasadora. Foi uma vitória merecida, tanto é que o ASA não teve pernas para seguir a passada imprimida no jogo, apesar de ainda ter tentado importunar o último reduto contrário e deu-se mal. Ou seja, leu mal a estratégia do adversário e acabou por cair na “armadilha”, para no fim acabar humilhado.

Terminou aos passos e nervoso, ante a felicidade dos anfitriões que souberam tirar proveito da situação para fazer das suas. Vencer por margem avassaladora (4-1) e confirmar a presença no Girabola  Zap2018.

Germano (12’), Bruno (52’) e Jorge Kadú (90’+2’, 90’+4’) foram os obreiros da façanha protagonizada pela formação lobitanga, na tarde de ontem, no estádio do Buraco que conheceu casa cheia. O tento de honra dos aviadores aconteceu no minuto 54, por intermédio de Bena, num lance que pareceu inofensivo.

Um golo que aconteceu numa altura em que o jogo já estava controlado pelos comandados do professor José Silvestre “Pelé” que se mantiveram serenos e activos ante ao desespero do adversário que, apesar da “engenharia” pautada pelo árbitro principal foi incapaz de evitar derrota e acabar humilhado.

A actuação do trio de arbitragem dirigido por Paulo Sérgio pautou-se pela negativa. Foi bastante jeitoso na abordagem do jogo. Fez vista grossa em lances capitais de faltas contra a formação do aviadora, que diga-se de passagem, não soube tirar proveito da forma como foi levado ao colo pelo juiz. Em suma, foi uma arbitragem para se esquecer, porquanto ficou abafada pela retumbante vitória da manutenção.


OPINIÃO DOS TÉCNICOS

Académica)
Silvestre “Pelé”

“Vitória merecida”

“Sempre acreditamos que a Académica não baixaria de divisão. Quando o presidente apostou em nós, abraçamos este desafio de tirar a equipa do lugar em que se encontrava. Não foi fácil, reconhecemos, porém, é sabido que fomos muito prejudicados ao longo da competição. Nem por isso, demo-nos por vencidos, continuamos a lutar e o resultado está à vista de todos. Por mérito próprio, conseguimos conservar o nosso lugar no Girabola Zap. Por isso, merecemos a vitória e vamos festejar pelo feito alcançado. Viva Académica do Lobito”.

ASA)
Paulo Saraiva

“Derrota anunciada”

“Não se compreende uma equipa ao nível do ASA preparar um jogo da forma como o fez. Foi tudo por acima do joelho. Saímos de Luanda tarde, chegámos acima da hora do jogo e não tivemos tempo para repousar no hotel em que nos hospedámos e sem comer tivemos que vir ao campo para jogar. Há que se respeitar o profissionalismo. Jogámos mal e a derrota foi inevitável. Aliás, deu para perceber que esta foi uma derrota há muito anunciada, por isso, atribuo o mérito à Académica. Ao ASA resta conformar-se com a descida de divisão”.

ARBITRAGEM
Trabalho tendencioso


A actuação do trio de arbitragem dirigido por Paulo Sérgio pautou-se pela negativa. Foi bastante jeitoso na abordagem do jogo. Fez vista grossa em lances capitais de faltas contra a formação do aviadora, que diga-se de passagem, não soube tirar proveito da forma como foi levado ao colo pelo juiz. Em suma, foi uma arbitragem para se esquecer, porquanto ficou abafada pela retumbante vitória da manutenção.

MELHOR EM CAMPO
“Giresse confirma
estatuto no plantel”


O atacante congolês Giresse foi o 'motor' na construção das jogadas ofensivas dos estudantes. Apesar de não ter marcado um golo, ajudou a concretiza-los. Não foi egoísta, mostrou classe e competência em campo. Criou enorme desequilíbrio no meio campo e na defesa da equipa adversária. Esteve simplesmente endiabrado numa tarde de alegria e glória.