Jornal dos Desportos

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Girabola

rbitros no "garrafo"

Betumeleano Ferro - 22 de Setembro, 2016

Jogos polmicos da 22 jornada mereceram ateno e rigor disciplinar do Conselho Central de rbitros

Fotografia: Jornal dos Desportos

Os árbitros Mauro de Oliveira e Nuno Eduardo foram "colocados no garrafão", por cometerem erros que influenciaram os resultados dos jogos Libolo 0-1º de Agosto 0, e Porcelana 0- Petro de Luanda-1, referentes à 22ª. jornada, revelou ao Jornal dos Desportos, o vice -presidente do Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola, Belmiro Carmelino.

O dirigente revelou que a análise dos vídeos deu motivo a CCAFA de aplicar as duras sanções aos dois juízes. "Tentamos cumprir  com o nosso regulamento, quando acontecem situações do género. Optamos por colocar os envolvidos no “garrafão”, ou seja, eles vão ter de aguardar um período sem apitar, porque estão no “garrafão", justificou.

Quando os árbitros são "colocados no garrafão" eles ficam entre "4 ou 5 jogos sem apitar",  depois voltam de novo a receber o voto de confiança do CCAFA.

O vice -presidente revelou que este tipo de suspensão ajuda os árbitros a evitar atitudes negligentes em campo, e podem ficar 4  ou 5 jornadas sem apitar, e depois voltam a receber o voto de confiança. 

Antes da suspensão de Mauro de Oliveira e Nuno Eduardo, os comissários dos "dois jogos polémicos" apresentaram os respectivos relatórios que mereceram a análise do CCAFA.

De modo similar, aproveitaram a reunião semanal, realizadas às quartas-feiras, para dar a palavra aos seus filiados. "Todos foram unânimes em reconhecer que o Mauro de Oliveira falhou na partida de Calulo. Em relação a Ndalatando, o Nuno Eduardo é que foi mais difícil chegar a um consenso", assegurou.

O CCAFA espera que a dura sanção sirva de lição  aos envolvidos  "colocar no garrafão" os prevaricadores é "um procedimento universal". O vice -presidente revelou que até a FIFA, UEFA, CAF,  também adoptam o mesmo procedimento quando os árbitros cometem falhas graves. Sublinhou que se os erros ocorrerem em mundiais ou provas continentais, os juízes envolvidos não voltam a ser indicados para mais nenhuma partida.

Belmiro Carmelino admitiu que a suspensão de Mauro de Oliveira e de Nuno Eduardo é um rude golpe para o conselho central que definiu como meta a melhoria da qualidade da arbitragem e mais rigor na aposta a sangue novo.

"Nós estamos a lançar muitos jovens, a maioria está na casa dos 20 aos 23 anos de idade, e estamos a correr sérios riscos. Elogiam-nos quando as coisas correm bem, mas levamos palmadas quando as coisas correm mal", acentuou.

O CCAFA concluiu que "colocar no garrafão" é a medida mais acertada para punir os erros cometidos por estes árbitros. Contudo, excluíram a abertura de um processo disciplinar, pois, equivalia a uma dupla sanção.

"Eles não cometeram erros técnicos, por isso, não remetemos os processos para o Conselho de Disciplinar. O facto de ficarem 4/5 jogos sem apitar basta para o que fizeram", concluiu o vice-presidente.

ARBITRAGEM

Hélder Martins
regressa à elite A


O excelente trabalho na última edição da Taça Cosafa Castle, disputada em Julho, em Windhoek, competição ganha pela Selecção da África do Sul, que venceu na final à congénere do Botswana, assim como as boas actuações nas eliminatórias ao CAN do próximo ano, no Gabão, nas competições de clubes, foram determinantes para o árbitro internacional angolano Hélder Martins merecer a confiança dos gestores da Confederação Africana de Futebol (CAF) para regressar à elite A, da arbitragem continental.

O Jornal dos Desportos soube de fonte federativa ,que Hélder Martins consta da lista dos 24 melhores da actualidade, no continente, divulgada há dias pela CAF, e que a partir de sábado, no Cairo, inicia o curso de arbitragem do referido grupo (A).

O regresso do juiz angolano à elite da arbitragem africana, depois de no ano passado ter feito parte do grupo B, representa um  ganho para o apito nacional, porque pode catapultá-lo para o seu segundo Campeonato Africano das Nações (CAN), em seniores, que se disputa no Gabão em 2017, uma vez que dos 24 eleitos, a CAF vai seleccionar os 16 para a maior competição futebolística continental.

JOGOS POLÉMICOS
Árbitros assistentes ilibados


O CCAFA concluiu que os árbitros assistentes Luís Mateus e Domingos Francisco, auxiliares de Mauro de Oliveira, e Manuel Benguela e Nelton Armando, assistentes de Nuno Eduardo, não cometeram erros tão relevantes como os dos seus chefes de equipa.

Belmiro Carmelino afirmou que o recurso às imagens televisivas foram determinantes. "Os lances mais polémicos dos dois jogos estiveram ligados às grandes penalidades, não assinaladas. Olhamos para aquilo que as leis dizem e concluímos que os lances não aconteceram dentro da área de jurisdição dos árbitros assistentes", esclareceu.

Por exemplo, no jogo entre o Libolo e o 1º de Agosto a equipa de arbitragem cometeu 4 erros graves, mas dentre eles  3 tiveram influência decisiva no nulo final.

"Houve um fora de jogo mal assinalado por Domingos Francisco na primeira parte, mas a grande questão foram as grandes penalidades que o Mauro de Oliveira não assinalou. Todos os lances aconteceram na grande área e era da responsabilidade exclusiva do árbitro apitar", argumentou.

A equipa de arbitragem do Libolo 0 - 1º de Agosto 0 cometeu outros erros, mas o CCAFA  manteve o foco "nos lances de mais realce e demos mais incidências  os que contribuíram para que as coisas não corressem bem ao árbitro", especificou Belmiro Carmelino.

Quanto ao polémico penálti do Porcelana 0 - Petro de Luanda 1, o vice-presidente afirmou que Nuno Eduardo estava no enfiamento da jogada, por isso, tinha uma posição mais privilegiada de analisar o lance, em relação ao seu assistente, Manuel Benguela.

O CCAFA concluiu depois da aturada discussão, que o árbitro não interpretou de maneira correcta um dos sub -temas. Tocar a bola com a mão, da Lei nº. 12, Faltas e Incorrecções, que rege a arbitragem mundial.

A lei em causa autoriza o árbitro a marcar falta, quando há "um acto deliberado" por parte do infractor. Ainda assim, a lei aconselha o árbitro a levar em consideração "o movimento da mão na direcção da bola, e não a bola na direcção da mão", e "distância entre o adversário e a bola, bola inesperada", especificou.

O dirigente reconheceu, em função das opiniões divergentes que surgiram dentro do CCAFA, que Nuno Eduardo esteve diante de um dilema. "Não era uma decisão fácil, alguns dos colegas presentes na reunião que tivemos para analisar o lance diziam que houve motivos para a grande penalidade, outros acharam que não houve nada", revelou.

Importa lembrar, que o juíz sofreu ofensas corporais que acabaram por originar a suspensão de um dirigente do Porcelana por 3 anos, enquanto dois atletas da mesma equipa apanharam 2 anos, além de multas pecuniárias.