Jornal dos Desportos

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Girabola

Robertinho quer deixar sua marca

Augusto Panzo - 11 de Abril, 2016

Antigo internacional brasileiro tem revelado alguns talentos ao servio da formao aviadora que compete no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Diviso

Fotografia: Jos Soares

O treinador principal da equipa de futebol do Atlético Sport Aviação (ASA), Roberto do Carmo “Robertinho”, manifestou ao Jornal dos Desportos, a pretensão de querer deixar uma marca registada em Angola, especialmente no clube em que trabalha, à semelhança do que foi feito pelos seus compatriotas António Clemente e Djalma Cavalcante.

Roberto do Carmo “Robertinho” disse não ser um aventureiro qualquer que veio trabalhar em Angola para fazer o currículo, mas uma pessoa digna, que já revelou grandes jogadores no Brasil e não só.

“Espero que o dia que eu deixar o ASA, fique uma marca criada por mim, tal como fez  os falecidos António Clemente no Petro e o Djalma Cavalcante cá no ASA. Quero que fique igualmente o Robertinho no historial do futebol angolano, como amizade e como carinho”, disse.

Para fundamentar o seu potencial humano, Robertinho buscou o exemplo do que fez com o Romário, quando este havia sido afastado do escrete canarinho pelo treinador Filipe Scolari “Filipão”.

“Quando o Romário saiu da selecção, afastado pelo professor Luís Felipe Scolari “Felipão”, fui eu quem deu uma nova oportunidade para ele voltar ao escrete canarinho.  Isso demonstra que não sou uma pessoa qualquer, que está aqui a fazer o seu currículo. Sou uma pessoa que já trabalhou em grandes clubes brasileiros como o Fluminenses, que revelou grandes jogadores do Brasil como o Mozer, Baltazar, Marola, Luizinho, enfim, com outros mais”, esclareceu.

Baseando-se nesse exemplo, Robertinho pretende fazer da juventude que lançou no ano passado, uma ponte para atingir o seu desiderato.
“A partir do que acabei de revelar acima, quero fazer um grande trabalho com o Gaca, Fofó, Ady, Jonhson, Josimar, este último, que ninguém conhece, mas está a revelar-se num grande jogador para um futuro breve”, avançou.

Em função do seu desejo de levar avante o projecto por si criado, Robertinho quer apenas que, no final de tudo isso, ele seja reconhecido pelo trabalho desenvolvido no clube aviador.

“O que espero é apenas o reconhecimento, para que ao chegarmos no final, cada um busque o seu ideal, a sua melhoria e acima de tudo o seu melhor para a respectiva família no futuro.

Enfim, ser reconhecido por tudo aquilo que a gente faz, que um dia depois faz lembrar que no ASA passou um homem trabalhador e honesto, que deixou essa semente que hoje nos alegra”, perspectivou.


RECONHECIMENTO
Técnico agradece
a confiança dos adeptos


A confiança que tem sido manifestado pelos adeptos e sócios do Atlético Sport Aviação (ASA) ao longo do tempo que se encontra à frente do conjunto aviador, duas épocas, foi reconhecido pelo treinador Roberto do Carmo “Robertinho”. O brasileiro enalteceu o papel desempenhado pelos aficcionados e disse estar maravilhado com essa franja de apoio do clube.

“No final da época passada, os adeptos do ASA manifestaram uma grande simpatia por mim, sobretudo pela minha permanência à frente da equipa, já que tive duas propostas muito seriamente pensadas, de duas equipas daqui mesmo de Luanda. Tendo em conta a tal simpatia que os adeptos mostraram pela minha pessoa, isso pesou muito na minha consciência em largar o comando da equipa e rumar para outros destinos. Então tive que continuar por mais uma época”, confessou.

Robertinho acrescentou mais um justificativo que fez continuar no ASA, que é o propósito de ver seus “rebentos” que começou a criar, darem os frutos tão esperados no futebol angolano.

“Para além da manifesta simpatia dos adeptos, decidi continuar também por causa dos jogadores jovens que tínhamos lançado e que devíamos dar prosseguimento ao processo. Isso aí me motivou a aceitar em continuar por mais uma época no ASA”, referiu.

Neste contexto, Robertinho promete dar sequência ao trabalho por si iniciado, com mais experiência, numa competição que considera muito equilibrado.
“Espero dar prosseguimento este ano, com mais experiência, como tem sido demonstrado, com um Girabola bem mais equilibrado do que da época passada, continuar a trabalhar, dentro da minha honestidade”, assumiu. 



CONFISSÃO
“Trabalhar em Angola é um grande prazer”


Roberto do Carmo "Robertinho" confessou que a sua vinda a Angola, depois de ter passado pelo Norte do continente africano, concretamente na Tunísia, proporcionou-lhe uma grande oportunidade de conhecer um lugar muito bom para trabalhar.

O treinador brasileiro que orienta o ASA disse que na tomada dessa decisão não teve muito em conta a componente financeira, pois, na sua visão, o futebol muitas das vezes é muito ingrato.

"Exactamente que para tomar essa decisão não tive muito em conta a questão financeira, porque se assim pensasse, acredito que já não estaria cá. Eu que tive o maior prazer de jogar e conquistar títulos ao lado de alguns dos maiores jogadores de sempre do Brasil como o Tony Cerezo, Falcão, Zico, Júnior, Robertinho, Oscar, Valdir Peres, Éder, Serginho e outros, aprendi isso", confessou.  

Graças a essas andanças, o treinador do ASA pode considerar que trabalhar em Angola é motivo de grande satisfação, que está-lhe sendo muito valioso.
"Aprendi muito e continuo a aprender muito. Depois que conheci a Tunísia, onde trabalhei durante cinco ou seis anos, em três equipas, está-me sendo muito valioso, muito positivo trabalhar em Angola.

Estou a conhecer uma outra cultura, a aprender muita coisa com a mentalidade e acredita cada vez mais que o futebol só tem espaço para um trabalho sério, honesto e justo, pois o contrário em nada abona", ajuntou.

Apesar dessa honestidade, o técnico não descurou a importância de que se reveste a componente financeira, visto que é dela que dependem muitos projectos pessoais.

"O lado financeiro é muito importante também, que muito me preocupa, uma vez que estamos na segunda época, mas continuamos a registar alguns pendentes atrasados do ano passado.

A situação está muito difícil para todos, sobretudo nós os estrangeiros.
 É uma preocupação que já abordei com o presidente do clube, mas que até agora continua sem solução. Já que tenho família, essa questão é muito pertinente e vou voltar a conversar com o presidente", explicou .                                                                                                     
AP